Clarinha, mulher internada em coma no ES, não é bebê mineira desaparecida em 1976, diz polícia

A criança desapareceu durante uma viagem da família. Desde então, aproximadamente 20 pessoas que poderiam ser a menina já apareceram

Clarinha, mulher internada em coma no ES, não é bebê mineira desaparecida em 1976, diz polícia
Legenda: O desaparecimento da criança aconteceu quando a menina tinha 1 ano e 9 meses e viajava com a família para Guarapari
Foto: Reprodução

A Polícia Civil informou, na noite de quinta-feira (5), que a mulher sem registro oficial que está internada há 21 anos em estado vegetativo no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Vitória (ES), Espírito Santo, não é Cecília José de Faria, que sumiu em 1976. As informações são do G1.

O desaparecimento da criança aconteceu quando a menina tinha 1 ano e 9 meses e viajava com a família para Guarapari.

A irmã de Cecília, a servidora pública Débora São José de Faria, 50, contou à reportagem que esta era apenas mais uma suspeita. Desde o sumiço, aproximadamente 20 pessoas que poderiam ser, mas não eram Cecília, já apareceram.

Débora soube da história da mulher em coma no Espírito Santo em dezembro de 2020, ao receber uma ligação telefônica de um homem que se identificou como policial do Paraná e levantou a possibilidade de a paciente, que ficou conhecida como Clarinha, ser Cecília.

"Ele me deixou com a pulga atrás da orelha. Eu olhei na internet, verifiquei que realmente existia essa pessoa (internada no Espírito Santo), pedi para a delegacia daqui entrar em contato com o pessoal do Espírito Santo e pedir o material genético", relatou.

Exame

De acordo com a servidora pública, o DNA de Clarinha foi enviado para uma delegacia de Minas Gerais em abril deste ano, para ser comparado com o material genético dos pais dela, cadastrado em um banco de dados.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o material genético foi processado pelo Laboratório de DNA Criminal/ES e inserido no Banco de Dados de Perfis Genéticos em novembro de 2015.

Conforme a instituição, os dois estados fazem parte de uma rede de bancos de perfis genéticos, o que permite confrontos a cada nova inserção.

"Assim, caso a paciente fosse filha do casal mineiro, a maternidade/paternidade dessa teria sido confirmada em novembro/2015", explicou a Polícia Civil.

Também de acordo com a instituição, na quinta-feira (5), novamente os perfis do casal de Minas Gerais e Clarinha foram comparados, e o resultado deu negativo.

Desaparecimento na praia

Cecília desapareceu no dia 2 de fevereiro de 1976, durante uma viagem da família, natural de Belo Horizonte, a Guarapari.

À época, a mãe dela havia feito uma cirurgia, e o médico recomendou o passeio para que ela pudesse descansar. Débora, irmã de Cecília, tinha 5 anos naquela data.

"Eu lembro que nós chegamos no dia 1º de fevereiro, à tardinha. No dia seguinte, levantamos cedo, fomos para a praia, voltamos e almoçamos. Mais tarde, a babá estava dando banho no meu irmão mais velho e, quando chamou a Cecília, por volta de 17h30, é que a gente viu que a Cecília não estava mais na casa", rememora a servidora pública.

Segundo Débora, a família estava hospedada em um chalé, localizado em um condomínio fechado, em um acampamento de adventistas.

Desde então, ninguém teve mais notícias da menina. A mãe de Cecília e Débora morreu em maio deste ano sem saber onde está a filha, e o pai delas foi diagnosticado com Alzheimer.

"A Polícia Civil de Minas Gerais informou que, na época em que o fato aconteceu, foram tomadas "as providências cabíveis", como divulgação das imagens da criança e familiares, inclusive fotografia envelhecida de Cecília, além de contato com as redes de assistência social e da saúde em busca de informações.

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