Remédio para artrite reduz em 37% risco de morte por Covid-19, indica estudo

O tofacitinibe também apresentou resultados satisfatórios nos quadros de insuficiência respiratória pelo novo coronavírus

remédio artrite usado em tratamento de covid
Legenda: Ensaio clínico reuniu 289 pacientes em 15 hospitais brasileiros
Foto: Miguel Schincariol/AFP

Usado no tratamento de artrite, o medicamento tofacitinibe (Xeljanz) pode reduzir em 37% o risco de morte e de insuficiência respiratória em pacientes com pneumonia associada à Covid-19.  O indicador foi divulgado nessa quarta-feira (16) em um artigo New England Journal of Medicine. A descoberta consta em um estudo feito em conjunto pelo laboratório Pfizer e o Hospital Albert Einstein. 

tofacitinibe, administrado por via oral, foi testado em um ensaio clínico com 289 pacientes hospitalizados com um quadro grave de Covid-19 em 15 locais no Brasil.

Metade recebeu uma pílula de 10 mg duas vezes ao dia e tratamento padrão até a alta ou 14 dias de internação. Os demais receberam um placebo e cuidados padrão no mesmo intervalo.

“Os resultados do ensaio clínico foram positivos demonstrando que o medicamento pode atuar na tempestade inflamatória, reduzindo em 37% o risco de insuficiência respiratória ou morte. Trata-se de uma importante evidência científica na luta contra a doença e a Pfizer segue muito empenhada em buscar novas opções terapêuticas", detalhou Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

Outros resultados

Após 28 dias, 18,1% do grupo que recebeu o tofacitinibe progrediu para insuficiência respiratória ou morte, em comparação aos 29% no grupo do placebo. Isso representou uma redução de risco relativo estatisticamente significativa de 63%.

Insuficiência respiratória refere-se a um paciente que necessita de ventilação não invasiva por meio de uma máscara de oxigênio ou que precisa ser intubado e colocado em um ventilador mecânico.

Já as mortes após 28 dias ocorreram em 2,8% dos pacientes no grupo do tofacitinibe e em 5,5% daqueles no grupo de placebo. Efeitos colaterais graves ocorreram em 14,1% no grupo de tofacitinibe e em 12% no grupo de placebo. 

"Estamos encorajados com as descobertas iniciais de nosso estudo randomizado de tofacitinibe em pacientes hospitalizados com pneumonia da covid-19", afirmou Otavio Berwanger, do Hospital Israelita Albert Einstein, que coordenou o estudo em colaboração com a Pfizer. 

tofacitinibe pertence a uma classe de medicamentos chamados inibidores da janus quinase (JAK). É aprovado nos Estados Unidos para tratar doenças, incluindo artrite reumatoide, artrite psoriásica e colite ulcerativ.

"Esses resultados fornecem novas informações que indicam que o uso de tofacitinibe quando adicionado ao tratamento padrão, que inclui glicocorticoides, pode reduzir ainda mais o risco de morte ou insuficiência respiratória nesta população de pacientes", acrescentou Otavio.