Muito além da arte

A musicoterapia pode ser utilizada em processos de neuroreabilitação, no tratamento, na prevenção e na promoção da saúde. Saiba mais.

Bruno Verga
Bruno Verga: musicoterapia para promover saúde, prevenir e reabilitar.

Que a música pode trazer bem-estar e leveza à vida ninguém duvida. Mas o seu efeito pode ir muito além da arte ao ser instrumento no tratamento de doenças como autismo, depressão e demências. Isso é possível graças ao trabalho da musicoterapia. “A musicoterapia pode ser indicada no tratamento, na prevenção e na promoção da saúde da pessoa, individualmente ou de forma coletiva”, afirma o musicoterapeuta Glairton Santiago, Vice-Presidente da União Brasileira das Associações de Musicoterapia. “Por ter várias áreas de atuação, como clínica, hospitalar, educacional e organizacional, a musicoterapia pode ser utilizada em processos de neuroreabilitação, desenvolvimento da comunicação verbal, desenvolvimento de habilidades cognitivas, reabilitação motora, desenvolvimento de qualidades de equipes em empresas ou outras organizações, desenvolvimento emocional, autoconhecimento etc.”, completa. 

Para todas as idades

Eclética como a própria música, a musicoterapia pode beneficiar diferentes públicos, de diferentes faixas etárias. Mas um requisito é fundamental: que goste de música, independentemente da forma de experienciá-la: tocando, ouvindo, dançando ou recriando. “Em geral, a musicoterapia pode ser desenvolvida com pessoas de todas as idades, inclusive com mães em processo de gestação, pois a musicoterapia beneficia tanto a mãe quanto o bebê em formação”, explica Glairton Santiago. “Caso o potencial paciente não goste de música ou sofra de Epilepsia Musicogênica, não se recomenda a musicoterapia”, ressalta.

Embora possa ser indicada para diferentes perfis, o público infantil é o mais visto nos consultórios. “Pelo fato de ser mais comum o diagnóstico de transtorno do neurodesenvolvimento (autismo, por exemplo), de aprendizagem ou dificuldades similares, na infância, se busca mais a musicoterapia nessa faixa etária pelo reconhecido potencial de ajuda que ela pode oferecer nessas condições”, esclarece o profissional.

Glairton Santiago
Glairton Santiago: memória, atenção e autorregulação emocional são alguns dos benefícios da musicoterapia.

O público adulto, observa Glairton Santiago, em geral procura a especialidade para tratamento de transtornos de ansiedade, depressão, demências ou como recurso para o desenvolvimento pessoal. “Um exemplo de benefício da musicoterapia em pessoas adultas é a melhora nas funções executivas, como: memória, atenção, autorregulação emocional e processos cognitivos em geral”, aponta. Tendo ou não um diagnóstico ou uma indicação clínica, o musicoterapeuta pode avaliar as condições da pessoa por meio de instrumentais próprios de avaliação da musicoterapia. “Para citar um exemplo, uma das escalas utilizadas pelos musicoterapeutas avalia o paciente em dez domínios, como: motricidade, comunicação expressiva, interação social, cognição etc. e ainda seus respectivos subdomínios, totalizando 374 habilidades avaliadas”, afirma o musicoterapeuta.

Sessões

Composição, improvisação, audição, recriação, dança e canto são algumas das atividades aplicadas pelo profissional durante as sessões. O musicoterapeuta segue uma abordagem utilizando elementos da música – melodia, harmonia, ritmo e até o silêncio – para facilitar os processos em cada situação. Como destaca o musicoterapeuta Bruno Verga, a especialidade pode ser indicada não apenas para o tratamento de doenças, mas também na prevenção. “No caso de crianças atípicas, podemos inseri-las em um grupo de outras crianças, para que a mesma possa se socializar com as demais, e até imitá-las, aumentando seu repertório de aprendizagem ou mesmo estimular sua linguagem por meio do canto, já que é mais fácil e divertido aprender cantando”, explica Bruno Verga.

Da mesma forma ocorre com idosos, destaca o especialista. É possível trabalhar a memória usando técnicas musicoterápicas, resgatando memórias da juventude por meio de canções que marcaram a trajetória de vida deles.

Reabilitação

Uma das abordagens da musicoterapia é a reabilitação – comunicação, cognitiva e motora. “Na parte da linguagem, eu posso cantar uma informação, como ‘bom dia’ e fazer um processo do canto melódico para a prosódia da fala. Pois quem tem sequelas neurológicas como afasia de broca, que está ligada ao lado esquerdo do cérebro, tem dificuldade de falar, mas o canto está ligado ao lado direito, fazendo o cérebro se reeducar com esse novo caminho, favorecendo a neuroplasticidade”, ilustra Bruno Verga.
Na parte motora, por exemplo, o profissional pode utilizar o instrumento incentivando o membro comprometido a manuseá-lo. “A musicoterapia é uma ciência, um campo do conhecimento, com abordagens, métodos, técnicas e instrumentos de avaliação próprios, para não só promover saúde, mas para prevenir e reabilitar, aplicada tanto em individuo, como em grupo”, destaca Bruno Verga.

Serviço:
Glairton Santiago
glairtonsantiago.com

Bruno Verga
brunoverga.com.br