Simulado

Escrito por
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INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

MENDIGO
Paulo Mendes Campos

Eu estava diante de uma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu. Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

- Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas ta certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

- O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

- O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes serão ruins. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

Suspeitando de que eu não estivesse convencido de sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

- O Senhor não vê? Estou aqui pedindo esmolas, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da minha saúde.

Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza.

- Muito obrigado, moço, mas não vá pensar que eu vou tirar o senhor da minha teoria. Vai me desculpar, mas o senhor também é, no fundo, igualzinho aos outros. Aliás, quer saber de uma coisa? Houve um homem de fato bom, cem por cento bom. Chamava-se Jesus Cristo. Mas o senhor viu o que fizeram com ele?

01. O personagem principal do texto é:

a) o cronista, que narra a história

b) o presidente, a quem o mendigo se refere

c) o mendigo, que não pára de falar

d) o moço que deu a esmola

e) todos são personagens principais

02. No texto, a expressão "ser igualzinho aos outros", significa ser também:

a) de barro ordinário

b) um desocupado bem posto na vida

c) cem por cento bom

d) incapaz de ajudar os mais pobres

e) n.d.a

03. O mendigo considera sua própria opinião a respeito da natureza humana como:

a) uma besteira sem sentido

b) uma teoria filosófica

c) um problema de difícil solução

d) um modo de ganhar a vida

e) um modo de chamar atenção

04. Para o mendigo, todo homem

a) nasce bom e vira ruim

b) nasce bom e assim fica

c) nasce ruim e vira bom

d) nasce ruim e assim fica

e) n.d.a

05. De acordo com o texto, o mendigo iniciou a leitura com:

a) os títulos principais dos jornais da tarde

b) as notícias eleitorais dos jornais da manhã

c) as notícias políticas dos jornais da tarde

d) os títulos principais dos jornais da manhã

e) as fofocas do dia

06. O moço, ao dar esmola, agiu de maneira:

a) refletida na primeira vez e displicente na segunda

b) displicente nas duas vezes

c) displicente na primeira vez e refletida na segunda

d) refletida nas duas vezes.

e) Sensata nas duas vezes

07. Para o mendigo, os futuros presidentes serão ruins:

a) porque estarão sempre nas manchetes dos jornais

b) por causa de sua hostilidade aos mendigos

c) por serem iguaizinhos aos jornalistas

d) por causa de sua natureza humana

e) essa afirmativa está incorreta

08.O mendigo ganhou a simpatia do narrador porque se mostrou:

a) bem informado

b) bastante sincero

c) muito crítico

d) meio religioso

e) um pouco sensível

09. A pergunta final do texto deixa perceber que:

a) o moço e o mendigo sabem da resposta

b) apenas o moço tem a resposta

c) apenas o mendigo tem a resposta

d) nem o moço nem o mendigo sabem da resposta

e) apenas o leitor sabe da resposta

10. O narrador começa a surpreender-se com o mendigo quando este:

a) se refere a Jesus Cristo

b) elogia seu velho pai

c) tece considerações sobre os governantes

d) se confessa um vigarista

e) mostra-se interessado nas notícias do jornal que está lendo

AÍ, GALERA

Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo "estereotipação"? E, no entanto, por que não?

- Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera.

-Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares.

- Como é?

- Aí, galera.

- Quais são as instruções do técnico?

- Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação.

- Ahn?

- É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça.

- Certo. Você quer dizer mais alguma coisa?

- Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas?

- Pode.

- Uma saudação para a minha progenitora.

- Como é?

- Alô, mamãe!

- Estou vendo que você é um, um...

- Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação?

- Estereoquê?

- Um chato?

- Isso."

11. O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. São elas:

a) a saudação do jogador aos fãs do clube, no início da entrevista, e a saudação final dirigida à sua mãe.

b) a linguagem muito formal do jogador, inadequada à situação da entrevista, e um jogador que fala, com desenvoltura, de modo muito rebuscado.

c) o uso da expressão "galera", por parte do entrevistador, e da expressão "progenitora", por parte do jogador.

d) o desconhecimento, por parte do entrevistador, da palavra "estereotipação", e a fala do jogador em "é pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça".

e) o fato de os jogadores de futebol serem vítimas de estereotipação e o jogador entrevistado não corresponder ao estereótipo.

12. O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita, assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto:

a) "o carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito" - um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando.

b) "E aí, ô meu! Como vai essa força?" - um jovem que fala para um amigo.

c) "Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação" - alguém comenta em uma reunião de trabalho.

d) "Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de Secretária Executiva desta conceituada empresa" - alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego.

e) "Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros" - um professor universitário em um congresso internacional.

13. A expressão "pegá eles sem calça" poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta, formal, por:

a) pegá-los na mentira.

b) pegá-los desprevenidos.

c) pegá-los em flagrante.

d) pegá-los rapidamente.

e) pegá-los momentaneamente

RESPOSTAS

01. C

02. A

03. B

04. D

05. A

06. C

07. D

08. B

09. A

10. C

11. B

12. E

13. C