Técnico ou Tecnólogo. Qual escolher?

Entenda as diferenças e como escolher o melhor percurso profissional.

A formação profissional pode percorrer vários caminhos, dependendo dos interesses de cada pessoa. O mercado também influencia e pode atrair interessados para cursos mais breves, como os técnicos, tecnólogos e profissionalizantes. Mas você sabe quais as diferenças de cada um? De curta duração, os cursos profissionalizantes são voltados para quem pretende se atualizar em determinado assunto, sem, necessariamente, exigir determinado grau de escolaridade. Também chamados de “cursos livres”, podem ser feitos por quem já está no mercado de trabalho e precisa desenvolver novas habilidades, como quem deseja se qualificar para conseguir um emprego.

Os cursos técnicos, por sua vez, têm uma duração maior do que os profissionalizantes e exigem nível médio concluído ou em conclusão. Muitos cursos dessa modalidade são feitos paralelamente ao Ensino Médio, levando o aluno a estudar nos dois períodos. “São cursos muito mais aplicados a aspectos operacionais e instrumentais de determinada carreira”, explica Henrique Sá, Vice-Reitor de Graduação da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Legenda: Henrique Sá: formação de qualidade.
Foto: Ares Soares

Por fim, os cursos tecnólogos são de nível superior, embora tenham uma duração menor que uma graduação normal – entre dois e três anos. “É uma graduação superior, portanto, dá direito a uma pós-graduação, encaminha o aluno para um nível acadêmico, só que é muito mais concentrado que um bacharelado. Muito aplicado a quem trabalha em uma área muito específica ou concentrada de formação”, afirma Henrique Sá. “O curso tecnológico em marketing é uma área de concentração da grande área da Administração. O tecnólogo em energias renováveis é um profissional com aplicação concentrada nessa grande área de Energia Elétrica, por exemplo”, ilustra o Vice-Reitor.

Mercado

Modalidade relativamente recente, os cursos tecnólogos têm procura crescente. “O que chama a atenção das pessoas é a rápida inserção no mercado e o menor período de tempo para se formar. Em termos gerais, as áreas de gestão e de dados são áreas muito requisitadas para formação tecnológica, mas estão surgindo profissionais nas áreas mais distintas, como economia criativa e tecnologia industrial”, observa Henrique Sá.

Outra vantagem que atrai os interessados nos cursos tecnólogos é o fato de ser possível percorrer a carreira acadêmica a partir dele, continuando a formação com cursos de especialização, mestrado e doutorado. “Um graduado em Design de Moda, por exemplo, pode imediatamente fazer uma especialização ou mestrado se desejar”, destaca o Vice-Reitor. Completar a formação com outros cursos de graduação tecnológica ou bacharelado também é um caminho que muitos profissionais acabam seguindo. “Temos alunos de Fisioterapia fazendo Estética; alunos de Administração fazendo Design de Moda; estudantes de Direito fazendo Análise e Desenvolvimento de Sistemas, porque querem se aprofundar em uma área mais específica, aí fazem uma formação em um curso de tecnologia, mesmo tendo uma graduação anterior. Então, é preciso combinar estudos”, recomenda.

Valorização

É comprovado que, quanto mais capacitado o profissional, mais chances de conseguir uma boa colocação no mercado. Mas isso não quer dizer que aqueles com formação técnica ou tecnológica tenham remuneração inferior a quem tem pós-graduação. “Depende muito da colocação desse profissional no mercado, da experiência que o envolve, da natureza do trabalho que ele aplica. Existem situações em que o tecnólogo em marketing, por exemplo, recebe muito mais que muitos publicitários”, destaca Henrique Sá. Até mesmo uma formação técnica pode oferecer um lastro de mercado amplo para o profissional, como observa o Vice-Reitor de Graduação da Unifor. “Um bom técnico em marcenaria, por exemplo, pode ser um empreendedor e desenvolver renda extremamente compatível com os melhores arquitetos, dependendo de como ele empreende e desenvolve o seu trabalho”, ilustra Henrique Sá.

Como decidir

Se você pensar a vida profissional como uma jornada em que formações complementares podem fazer parte da trajetória, fica mais fácil de decidir. O primeiro passo é saber qual a sua área de interesse profissional. “O que você se vê fazendo? Qual o teu interesse, o teu ponto de vista de estudo, de aprofundamento, de prática? O que você se vê fazendo por muitos anos?”, questiona Henrique Sá. Ao substituir a lógica de uma carreira a ser seguida por carreiras complementares, é possível ampliar as possibilidades de escolhas. “Muitas vezes, você é professor e profissional liberal, ou um arquiteto e advogado. Tem uma formação técnica específica e tem uma profissão não formal, como a de escritor, por exemplo. Tem carreiras distintas que, não necessariamente, são formações sequenciais, não lineares”, observa. O mercado também influencia e pode ditar algumas tendências. “Mas o que vai prevalecer é seu interesse pessoal, seus traços de personalidade, aquilo que você quer fazer para mudar o seu mundo”, arremata Henrique Sá.