O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suposta omissão patrimonial em declarações à Justiça Eleitoral, durante registros de candidatura em 2022 e em 2024. O caso é objeto de inquérito aberto no mês de junho.
A assessoria de imprensa de Evandro Leitão foi buscada pela reportagem em busca de pronunciamentos sobre a investigação. Quando houver retorno, a matéria será atualizada.
O procedimento foi requisitado pela 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza após denúncias veiculadas em dois sites. A polícia apura se houve prática do crime de falsidade ideológica eleitoral, que consiste em omitir ou inserir declaração falsa em documentos públicos para fins eleitorais.
A suspeita é de que o prefeito seja proprietário de uma mansão em um condomínio de luxo em Eusébio, construída na unificação de dois lotes, e de um apartamento de 212 m², adquirido no nome do filho de Evandro por meio de uma empresa ligada à sua família, conforme consta na portaria que instaura o inquérito.
Juntos, os imóveis têm valor de mercado estipulado em R$ 14,5 milhões, enfatiza o relatório da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza.
O documento ressalta, ainda, que a declaração de bens é etapa obrigatória do pedido de registro de candidatura, e sua veracidade “possui relevância para a transparência do processo eleitoral e para o controle público da evolução patrimonial dos candidatos”.
Para embasar a investigação, a delegada responsável, Doralúcia Oliveira de Souza, determinou uma série de procedimentos. Isso inclui o levantamento completo de bens de Evandro Leitão e seus parentes diretos (esposa e filhos); a requisição de documentos a Cartórios de Registro de Imóveis e de Notas com matrículas, escrituras e contratos imobiliários; e a sondagem de recolhimento de IPTU e ITBI junto à Prefeitura do Eusébio.
A PF também pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) as declarações de bens integrais e mídias de propaganda eleitoral de 2022 e 2024, para verificar se ele usou o discurso de "pessoa de poucos bens" como símbolo de honestidade.
No pacote de instrução processual, a Polícia Federal também decidiu investigar a empresa que supostamente seria ligada à família de Evandro Leitão, solicitando ficha cadastral e quadro societário à Junta Comercial.