Mortes em rodovias federais caíram 21,7% com implantação de radares

De acordo com levantamento do jornal Folha de S.Paulo, em 72% dos quilômetros onde havia fiscalização eletrônica, o número de mortes caiu

Legenda: No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que barrou a instalação de 8 mil radares nas rodovias federais
Foto: Foto: Érika Fonseca

Um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo identificou uma redução média de 21,7% nas mortes em rodovias federais onde foram implantados dispositivos eletrônicos de fiscalização. A pesquisa mostra ainda que os acidentes nestes locais tiveram uma queda de 15% após a instação dos radares.

O cálculo da Folha considerou os acidentes e mortes registrados em trechos de estradas federais, entre 2007 e 2018, antes e depois da instalação dos radares. 

Ao cruzar os dados, o levantamento identificou que em 72% dos quilômetros em que havia fiscalização eletrônica, o número de mortes caiu. Em 28% dos trechos analisados, houve aumento no número de mortes depois da implantação dos radares.

A instalação e as ações de manutenção dos radares, no entanto, estão paralisadas por decisão do governo federal.

No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou pelas redes sociais que barrou a instalação de 8 mil radares nas rodovias federais. Segundo ele, esse número considera os pedidos prontos que foram levantados pelo Ministério da Infraestrutura. "Determinei de imediato o cancelamento de suas instalações. Sabemos que a grande maioria destes tem o único intuito de retomo financeiro ao Estado", afirmou na ocasião.

Os contratos do chamado Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade (PNCV) tiveram a vigência encerrada em janeiro e não foram renovados. Em nota, o Ministério da Infraestrutura informou que a implantação de novos sensores foi interrompida "até a revisão e a atualização de critérios, que serão baseados em estudos técnicos que já estão em andamento".

Para especialistas, a retirada dos radares é vista como um retrocesso na política de segurança viária, uma vez que 37 mil pessoas morrem a cada ano no país vítimas de acidentes de trânsito.

Na semana passada, a juíza da 5ª Vara Federal Civel de Brasília, Diana Wanderlei, determinou que o governo federal se abstenha de retirar radares das rodovias e impôs a renovação, em caráter de emergência, de contratos com concessionárias que fornecem os medidores de velocidade. Na decisão, a juíza argumenta que não há dados técnicos que justifiquem a retirada dos equipamentos.

A magistrada atende a ação popular movida contra a União após declarações do presidente Jair Bolsonaro no Twitter. Determinou ainda a multa R$ 50 mil por unidade retirada.

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