Juazeiro do Norte, você mudou demais

Veja crônica do comentarista esportivo Wilton Bezerra

Vista de Juazeiro do Norte
Legenda: Juazeiro do Norte não é mais a mesma
Foto: Wilton Bezerra

O título da crônica nos remete a uma música dor de cotovelo. E tem a ver com o Juazeiro do Norte de hoje.

A Terra do Padre Cícero, movida por uma coisa chamada progresso, mudou demais.

Sua paisagem se transformou quase por completo, nos últimos 40 anos. 

As ruas secundárias viraram corredores comerciais. Suas antigas e tradicionais lojas mudaram de donos e de nomes.

Na visita que faço à "Meca do Cariri", há momentos em que me sinto um estranho em minha cidade.

Juazeiro, vou lhe confessar, surpreendido, que quase não conheço mais suas esquinas.

Rua de Juazeiro do Norte

“Você mudou demais”, como diz a canção.

A sensação é de flanar num lugar que já foi nosso.

Como digo ao amigo Renato Casimiro, "perdemos o controle" sobre "Capital da Fé".

Ao caminhar pela rua São Pedro, artéria principal do setor de comércio, admirado fico com sua movimentação, mas não vejo um rosto amigo.

Até parece que a população mudou completamente.

As pessoas amigas não estão mais onde deveriam estar. Os antigos pontos de encontro se foram. Sou aconselhado a encarar isso com naturalidade.

O que permanece inabalável é a fé religiosa e a vocação para o trabalho. Por isso mesmo, Juazeiro não para de crescer. 

Trotsky, como ser humano pouco apreciável, acertou no alvo, quando mandou: "Na vida tudo muda, só o que permanece é a mudança".