Como a entrada de Sergio Moro na disputa de 2022 mexeu com o cenário em um mês

Moro tenta capitalizar o desejo da chamada "terceira via"

O ex-ministro da Justiça e pré-candidato à presidência da República Sérgio Moro está sentado, sério, segurando o rosto com uma das mãos.
Legenda: Filiado ao Podemos, Sergio Moro aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.
Foto: Agência Brasil

Um mês depois se filiar ao Podemos, Sergio Moro começou a incomodar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) à presidência da República, ensaiou aproximação com o PSDB e afina discurso para a disputa presidencial do ano que vem.

Números divulgados recentemente apontam que o ex-ministro de Jair Bolsonaro já aparece em terceiro lugar nas intenções de voto. Ele ultrapassou Ciro e já começa a tirar votos do presidente.

Com Ciro deixando o posto de terceiro colocado nos levantamentos dos institutos de pesquisa, cresceu a pressão para uma resposta do ex-governador cearense o mais rápido possível na corrida presidencial.

O próprio presidente do PDT, Carlos Lupi, admitiu que Ciro precisa chegar pelo menos aos 15% de intenções de voto para tratar de apoio com outros partidos.

Em quatro semanas também surgiu movimento interno no PDT para que o partido se aproxime do PT e evite perder espaços no legislativo na eleição do ano que vem apostando em uma candidatura presidencial longe de ser competitiva.

Apesar do desgaste, Lupi garante que a candidatura está mantida independente do cenário que se desenhar até outubro de 2022.

Enquanto isso, Ciro sobe o tom contra adversários. Nas redes sociais, o ex-ministro "atira" para todos os lados ao tentar se manter em evidência.

Acenos

Depois da intensa disputa no PSDB entre João Doria e Eduardo Leite para a definição da candidatura tucana, Moro tem ensaiado uma aproximação com os dois governadores.

Na semana passada, o ex-juiz se encontrou com Leite e discutiram a "importância da construção de convergências políticas". 

Neste fim de semana, o diálogo foi com Doria. Fizeram um pacto de não agressão pelas próximas semanas. A ideia é evitar o enfraquecimento da chamada terceira via, considerando a possibilidade de união entre ambos nos próximos meses para fazer frente às candidaturas de Lula e Bolsonaro.

Impacto regional

No Ceará, as movimentações em defesa de Jair Bolsonaro contra Sergio Moro, pela ala política conservadora, ganhou os espaços de debate nas últimas semanas.

Vários políticos do campo da direita fizeram questão de declarar nas redes sociais que estarão ao lado do presidente Bolsonaro na disputa pela reeleição.

Por outro lado, o senador Eduardo Girão (Podemos) é quem tem visto com bons olhos a possibilidade da candidatura de Moro ao Planalto. El esteve no ato de filiação e tem se posicionado a favor do ex-juiz.

Esse momento de pré-candidatura, em um ambiente polarizado e de pouco diálogo, exige paciência e sangue frio de quem quer ter alguma chance daqui pra frente.



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