Ciro venceu Lula no Ceará em 1998 e 2002, mas influência do petista atinge de prefeitos a governador

Nas vezes em que disputaram o voto do eleitorado cearense nas urnas, Ciro venceu Lula por uma pequena margem de votos

Cid, Camilo, Lula e Ciro
Legenda: Relações divididas no Ceará entre PDT e PT
Foto: Divulgação

Arrisco a dizer que o lulismo no Ceará é tão antigo quanto o cirismo, resguardadas, claro, as devidas proporções. Em 1989, Lula disputava a presidência da República e se popularizava nacionalmente. Ciro, na mesma época, se tornava prefeito de Fortaleza. Dois anos mais tarde era eleito governador do Estado. Apadrinhado de Tasso Jereissati, nascia ali, concretamente, uma nova liderança para o Ceará.

Desde então, regionalmente, Ciro nunca perdeu força. Aliado ou não de Tasso Jereissati, se manteve sempre influente nas tomadas de decisões locais. Os números mostram isso. Candidato pela primeira vez à presidência da República em 1998, Ciro foi o presidenciável mais votado no Ceará. Obteve 27,55% dos votos contra 26,43% de Lula.

Quatro anos depois, em nova disputa presidencial, Ciro venceu novamente. Em duelo contra o pernambucano, o cearense atingiu 44,53% da preferência do eleitorado local, enquanto Lula obteve 39,39%.

Eleitorado dividido

Apesar das vitórias do hoje pedetista, os números mostram que o eleitorado se dividiu entre as duas lideranças, que, claramente, têm poder de influência sobre o eleitor.

Caso a Justiça de fato permita que o ex-presidente Lula dispute novamente a cadeira do Palácio do Planalto, a expectativa é que o petista divida novamente os votos em duelo contra Ciro.

Cenário que não havia sido posto para o ano que vem, dada a possibilidade de Fernando Haddad ser novamente candidato pelo PT. Em 2018, Ciro obteve 40,95% dos votos contra 33,12% do ex-prefeito de São Paulo. Vantagem maior do que os duelos contra Lula.

A expectativa até então era que no Ceará a queda de braço não fosse tão dura para o ex-governador em 2022.

A possibilidade de um novo confronto embaralha as estratégias no Estado. Se, por um lado, o popular governador Camilo Santana é do PT, de outro ele deve lealdade ao irmãos Ciro e Cid Gomes, que bancaram a sua candidatura ao Palácio da Abolição ainda em 2014. 

Nos bastidores circula a tese de que o governador poderá ser candidato ao Senado no ano que vem. Considerada uma eleição majoritária, a disputa de senador conversa diretamente com a eleição presidencial. Uma provável situação constrangedora para Camilo que ficará dividido entre Ciro e correligionário Lula.

Ao mesmo tempo, boa parte dos prefeitos do interior, que hoje é aliada ao PDT de Ciro Gomes, apresenta simpatia pelo ex-presidente, e não seria tanta surpresa assim que pedissem votos para Lula no ano que vem, dada a força do petista entre os eleitores do interior cearense.

Nesse contexto, as decisões locais para a eleição de 2022 deverão, necessariamente, passar pela disputa nacional. O governador Camilo passou por dois cenários semelhantes. Nas duas eleições municipais, em 2016 e 2020, ficou o primeiro turno sem participar das campanhas de rua e na televisão por conta do conflito entre correligionários e aliados do PDT. A diferença é que o chefe do Executivo estadual não era o candidato nessas situações. Agora, tudo pode mudar.