Saída de Paulo Câmara do BNB pode encerrar onda de calmaria no banco
Os corredores da sede do Banco do Nordeste, em Fortaleza, fervilhavam nas últimas semanas com rumores de que o presidente Paulo Câmara deixaria o cargo. A notícia, agora confirmada, volta a trazer alvoroço ao banco, que finalmente encontrou paz sob a gestão do pernambucano.
Alvo recorrente de políticos do Centrão pela sua colossal influência econômica — além de cargos com altos salários —, o BNB colecionou uma série de episódios turbulentos, antes da chegada de Câmara. Um dos mais marcantes foi a gestão relâmpago de Alexandre Cabral, que tomou posse em junho de 2020 como presidente do banco e foi exonerado 24 horas depois.
Convém citar também o fatídico vídeo em que Valdemar Costa Neto pedia publicamente a demissão do então presidente Romildo Rolim e de toda a diretoria do banco.
Recorde atrás de recorde
Sob o comando de Câmara, essas tempestades cessaram. O BNB vem gerando resultados contundentes, renovando recordes de desembolsos e contratações sistematicamente, enfim, cumprindo com eficiência seu papel basilar de fomentar o desenvolvimento no Nordeste. Ademais, o mandatário é benquisto entre os servidores e transita de forma acessível ante o empresariado da região.
Fontes ligadas ao banco, ouvidas por esta Coluna, temem que a saída do ex-governador de Pernambuco volte a conturbar o ambiente, gerando incerteza e eventuais problemas na governança.
Conforme noticiou o colunista Inácio Aguiar, do Diário do Nordeste, a ideia é que Câmara retorne à cadeira presidencial em janeiro, mas até lá, cria-se nebulosidade. Flancos ficam abertos para articulações políticas agressivas de partidos que ambicionam postos no banco, sobretudo considerando o ano eleitoral que se avizinha.
Paulo Câmara sai deixando a casa arrumada. Resta saber se ela permanecerá assim.