Saída de Paulo Câmara do BNB pode encerrar onda de calmaria no banco

Escrito por
Victor Ximenes producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 11:08)
Legenda: Paulo Câmara, presidente do BNB
Foto: Ismael Soares

Os corredores da sede do Banco do Nordeste, em Fortaleza, fervilhavam nas últimas semanas com rumores de que o presidente Paulo Câmara deixaria o cargo. A notícia, agora confirmada, volta a trazer alvoroço ao banco, que finalmente encontrou paz sob a gestão do pernambucano.

Alvo recorrente de políticos do Centrão pela sua colossal influência econômica — além de cargos com altos salários —, o BNB colecionou uma série de episódios turbulentos, antes da chegada de Câmara. Um dos mais marcantes foi a gestão relâmpago de Alexandre Cabral, que tomou posse em junho de 2020 como presidente do banco e foi exonerado 24 horas depois.

Convém citar também o fatídico vídeo em que Valdemar Costa Neto pedia publicamente a demissão do então presidente Romildo Rolim e de toda a diretoria do banco.

Recorde atrás de recorde

Sob o comando de Câmara, essas tempestades cessaram. O BNB vem gerando resultados contundentes, renovando recordes de desembolsos e contratações sistematicamente, enfim, cumprindo com eficiência seu papel basilar de fomentar o desenvolvimento no Nordeste. Ademais, o mandatário é benquisto entre os servidores e transita de forma acessível ante o empresariado da região.

Fontes ligadas ao banco, ouvidas por esta Coluna, temem que a saída do ex-governador de Pernambuco volte a conturbar o ambiente, gerando incerteza e eventuais problemas na governança.

Conforme noticiou o colunista Inácio Aguiar, do Diário do Nordeste, a ideia é que Câmara retorne à cadeira presidencial em janeiro, mas até lá, cria-se nebulosidade. Flancos ficam abertos para articulações políticas agressivas de partidos que ambicionam postos no banco, sobretudo considerando o ano eleitoral que se avizinha.

Paulo Câmara sai deixando a casa arrumada. Resta saber se ela permanecerá assim.