PIB do Nordeste deve ultrapassar R$ 2 trilhões em 2027

Economia nordestina equivale a '7 Paraguais' e seria a 3ª maior do Continente.

Escrito por
Victor Ximenes producaodiario@svm.com.br
Legenda: Em 2025, os portos nordestinos, com destaque para Itaqui, Suape e Pecém, movimentaram cerca de 330 milhões de toneladas.
Foto: Foto: Ismael Soares

A economia do Nordeste está perto de cruzar uma nova marca histórica. O PIB da região deve superar R$ 2 trilhões já em 2027.

O montante representa mais que o dobro do registrado uma década atrás. Em 2013, a economia nordestina somava cerca de R$ 724 bilhões. Em 2025, alcançou aproximadamente R$ 1,76 trilhão.

Os números são de levantamento do Etene (Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste), vinculado ao Banco do Nordeste. De 2024 em diante, os valores representam estimativas.

Bahia, Pernambuco e Ceará

Entre os estados, a Bahia deve permanecer como a maior economia regional, com PIB superior a R$ 675 bilhões até o fim da década. Ceará e Pernambuco se consolidam como polos industriais e de serviços, com projeções acima de R$ 380 bilhões e R$ 439 bilhões, respectivamente.

O Piauí, mesmo com economia menor, quase sextuplicou seu PIB desde o início dos anos 2000.

Projeção do PIB dos estados do NE em 2027

  • Bahia: R$ 558 bilhões
  • Pernambuco: R$ 362 bilhões
  • Ceará: R$ 313 bilhões
  • Maranhão: R$ 200 bilhões
  • Rio Grande do Norte: R$ 138 bilhões
  • Paraíba: R$ 135 bilhões
  • Alagoas: R$ 117 bilhões
  • Piauí: R$ 107 bilhões
  • Sergipe: R$ 81 bilhões

Nordeste seria a 3ª maior economia da América do Sul

Em termos comparativos, o PIB nordestino já supera o de economias nacionais inteiras do continente. Convertido para dólar, o valor projetado para 2027 (cerca de US$ 370 bilhões) colocaria a região acima da Colômbia (US$ 419 bilhões, mas em rota de aproximação), do Chile (US$ 330 bilhões) e do Peru (US$ 289 bilhões).

Na prática, se fosse um país independente, o Nordeste brasileiro seria hoje a terceira maior economia da América do Sul, atrás apenas de Brasil e Argentina, superando o conjunto somado de países como Equador, Uruguai, Bolívia e Paraguai.

Veja também

Desemprego cai à metade

O mercado de trabalho regional também avançou. A taxa de desocupação saiu de 18,9%, no início de 2021, para 8,4% no primeiro trimestre de 2026, aponta o Etene.

Nos últimos 12 meses, foram criados mais de 347 mil empregos formais na região, alta de 4,57% no estoque total, que hoje supera 7,8 milhões de vínculos. O número equivale à criação de um "novo Sergipe" em postos de trabalho — o estoque formal do estado é de cerca de 342 mil vínculos.

Bahia (+87 mil), Pernambuco (+73 mil) e Ceará (+55 mil) lideram a geração de vagas.

Energia como vetor

A região também se consolidou como protagonista na transição energética. Em 2013, a matriz elétrica nordestina era concentrada em hidrelétricas. Em 2025, fontes não renováveis responderam por apenas 3,7% da geração total.

A geração de energia saltou de menos de 80 TWh, em 2013, para mais de 170 TWh em 2025. Desde 2020, o Nordeste deixou de ser deficitário e passou a exportar energia para outras regiões do país. A participação regional na geração elétrica nacional cresceu de 11% para 24% no período.

Portos movimentam 330 milhões de toneladas

Os investimentos em infraestrutura logística também impulsionam o ciclo de crescimento. Em 2025, os portos nordestinos, com destaque para Itaqui, Suape e Pecém, movimentaram cerca de 330 milhões de toneladas.

Entre os projetos estruturantes em andamento:

  • Ferrovia Nova Transnordestina: R$ 18,5 bilhões, conectando o interior produtor a Pecém e Suape
  • Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL): R$ 6 bilhões
  • Novo terminal de contêineres em Suape: R$ 1,6 bilhão
  • Tegram, no Itaqui: R$ 1,63 bilhão

No Brasil, os investimentos em infraestrutura devem somar R$ 280 bilhões em 2025, mas o hiato entre o que é investido e o necessário ainda é estimado em R$ 206 bilhões ao ano.