Ciro Gomes: Brasil perdeu vocação para crescer e pode virar uma 'ex-nação'

Em palestra para empresários cearenses, ex-ministro tece ferrenhas críticas ao modelo econômico do País

Legenda: Ciro Gomes palestrou a um grupo de empresários cearenses, no hotel Gran Marquise, em Fortaleza
Foto: LC Moreira

O ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional, Ciro Gomes, sustentou a empresários cearenses, nesta segunda-feira (21), os pontos que considera primordiais para o Brasil sair do atoleiro econômico em que se encontra. O evento faz parte da série de debates promovidos pelo Lide Ceará (Grupo de Líderes Empresariais) com presidenciáveis. No início do mês, o palestrante havia sido Sergio Moro.

Ciro afirmou que o Brasil perdeu sua vocação para crescer em 1980, quando, após décadas mantendo um crescimento anual médio de 6,7%, as coisas começaram a dar errado. Isso porque, conforme argumenta o ex-governador do Ceará, o País se tornou um mero observador dos avanços tecnológicos, enquanto várias nações enxergaram esses investimentos e hoje colhem os frutos.

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"Assim começa nossa tragédia social", diz ele, trazendo à tona em seguida um dado sobre a década de 2010 a 2020, na qual a economia brasileira não saiu do lugar. "Estamos regredindo a produtividade há mais de 15 anos", frisou, ao citar dados de ociosidade na indústria, da ordem de 20%.

O político afirmou que o Brasil não está sabendo resolver não só o seu modelo econômico como seu modelo de governança política, aspectos avaliados por ele como essenciais para mudar o rumo do País.

"2022 não pode ser uma disputa apaixonada, despolitizada, alienante e deseducadora, porque a crise tomou conteúdo estratégico definitivo. Se há um tempo na história brasileira em que nós somos ameaçados de sermos uma ex-nação, este é o tempo. Uma nação não é um acampamento onde cada um se vira como pode. Uma nação é uma comunhão de interesses em comum, em que cada cidadão sente que há um lugar para ele. O Brasil está perdendo essa noção de nação".

Críticas aos adversários

Ciro criticou o presidente Jair Bolsonaro por não assumir os problemas na condução econômica. "Como pode um presidente da República não saber dar uma ordem, não saber avaliar um resultado, não saber premiar, não saber punir, não ter responsabilidade com o que aconteceu?", questionou.

E também reprovou recentes falas do ex-presidente Lula: "Num desastre como nós estamos de País, ele (Lula) está oferecendo uma memória afetiva de um tempo que nunca existiu, que é mentiroso, de que todo mundo tinha acesso a picanha e cerveja".

 



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