Como Simone Biles, você desistiria de algo para respeitar seus limites?

Simone Biles de máscara e mochila nas Olimpíadas
Legenda: Simone Biles é a atual maior estrela da ginástica artística mundial
Foto: Martin Bureau / AFP

“Assim que piso o tatame, sou só eu e a minha cabeça a lidar com demônios. Tenho de fazer o que é certo para mim e tenho de me focar na minha saúde mental. Temos de proteger a nossa saúde e o nosso bem-estar e não fazer apenas o que o mundo quer que façamos”: Simone Biles, ginasta americana. 

Ao ler a declaração da americana, uma das principais estrelas da Olimpíada de Tóquio, fiquei a me perguntar o que a atitude dessa jovem de 24 anos tem a ver conosco, pobres “imortais”. 

No esporte de alta performance, o(a) atleta é levado(a) a treinamentos intensos para atingir resultados extremos e assim conseguir se destacar.  

Depois de sua “desistência”, recebeu aplausos e críticas desaprovando sua atitude.  

Será que o que aconteceu com ela só acontece com as “estrelas”? O quanto nós podemos chegar a nos cobrar e nos submeter para atingir determinados objetivos? E ao identificar que não está saudável, temos coragem de dizer não e deixar tudo para trás, frustrando as expectativas de “todo mundo”?   

Tal qual uma criança que simplesmente se entrega aos sonhos e desejos, sem ter noção dos limites, nos dedicamos a determinadas empreitadas que muitas vezes não são nem nossas, motivados ou cobrados por alguém que tenha ou exerça ascendência, autoridade, quer seja física ou/e psicológica sobre nós. Exercendo uma influência tóxica que com certeza deixará muitas sequelas. 

Em busca de ser reconhecido(a), amado(a), passamos a tentar atender as expectativas do(s) outro(s). O que leva a um distanciamento progressivo de si mesmo, gerando uma sensação de vazio interior e um grande peso ao levar a vida. Podendo chegar ao ponto de, não aguentando mais, “fazer” uma crise, como única saída daquele sofrimento. A pressão psicológica é imensa.  

Cuidar da saúde mental é necessidade básica de todos. Tanto do cidadão como do Estado, disponibilizando oportunidades para a coletividade. 

Para alguns, a situação estressora é ganhar uma competição. Pode ser nos esportes ou conquistar a aprovação num concurso público, por exemplo. 

Para outros, estressor é viver e insistir em continuar vivendo um relacionamento tóxico. 

Para muitos, é conseguir sobreviver, por não ter emprego ou uma fonte de renda, que garanta  alimentação para si e para sua família.  

Simone Biles conseguiu dizer NÃO. Não aguento, não consigo, não vou continuar! Com certeza não foi fácil. Mas, ela conseguiu. Quer seja porque não aguentava mais, quer seja por ter concluído que se continuasse, se insistisse, explodiria, perderia sua sanidade. 

E você, que está lendo esse texto agora, está cuidando da sua saúde mental? 

Para começar, cuide do seu corpo físico. Isso mesmo, corpo descuidado é sinal de que o descuido mental já está presente.  

Dedique tempo a um lazer que lhe ajude a descansar e lhe refazer. Faça atividades diferentes daquelas do dia a dia. Dentro do possível, vá a lugares que não tenha ido antes. Veja filmes, séries e livros de diversos estilos, que lhe façam bem.  

Lembre-se de que nem todo prazer traz paz. 

Fique atento para não cair na armadilha obsessiva de pensamentos repetitivos, principalmente os negativos e pessimistas.  

Escolha estar com pessoas saudáveis, de bom coração e bons propósitos. 

Busque a cada dia, momentos de silêncio, ao ar livre, de contato com a natureza, de meditação, de oração. 

Observe e respeite seus limites. Se você não cuidar, ninguém fará isso por você. Se necessário, procure ajuda. 

Afinal de contas, no tatame da vida, será só você e sua cabeça, como disse Simone Biles. 

Paz e bem!  

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.