Setembro amarelo: Cuidar de nós e dos outros deve ser permanente

É preciso falar e ouvir sobre o assunto, ao contrário do que sabíamos nos anos 80

Legenda: Precisamos estar atentos a nós e aos outros. Estar juntos, buscando apoio em redes, estabelecer limites e regras, dizer não
Foto: Jo Panuwat D/ Sshutterstock

Há pouco mais de quinze dias temos ouvido e visto sobre o setembro amarelo. Propagandas, ações publicitárias, matérias de jornais e TVs estão a todo o tempo falando sobre o tema. Antes tabu, falar sobre suicídio hoje é uma necessidade. Quem disse foi a própria Organização Mundial de Saúde (OMS).

A instituição internacional aponta que é preciso falar e ouvir sobre o assunto, ao contrário do que sabíamos nos anos 80, quando acreditávamos que silenciar a respeito era uma forma de não incentivar novos casos.

É também a OMS que nos diz que o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte no País. Se já vivíamos um contexto de ansiedade com a vida moderna, a situação foi potencializada com a pandemia.

Pessoas perderam seus entes queridos, outras tantas ficaram desempregadas e questões graves como acesso à moradia, à saúde e à educação, além de insegurança alimentar têm gerado sofrimento nos grupos mais vulneráveis.

Ativistas de direitos humanos também se viram adoecidas nesse contexto de tantos retrocessos que temos visto mundialmente. Ou seja, os motivos para o adoecimento são muitos, diversos e todos igualmente legítimos.

O setembro amarelo nos lembra o que deveria ser pensado o ano inteiro. Precisamos que marcas e instituições que aderem à campanha compreendam que, mais que nunca, o cuidado importa o ano todo
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Precisamos estar atentos a nós e aos outros. Estar juntos, buscando apoio em redes, estabelecer limites e regras, dizer não. Tudo isso é cuidar de nós mesmos.

O princípio do setembro amarelo tem tudo a ver com o que a ativista negra Audre Lorde defendeu ao falar sobre autocuidado, termo hoje tão banalizado. Para ela, o autocuidado é sobre nossa sobrevivência, sobre a construção do nosso bem estar. É sobre cuidar de si e dos outros, de forma coletiva. Isso nos desperta uma série de bons sentimentos, como a solidariedade e a fé no outro, aplacando tantas angústias.

Espero que, neste ano, o espírito do setembro amarelo permaneça por mais meses e anos. Estejamos atentas a quem está ao nosso lado, quem divide a bancada de trabalho conosco, quem está do outro lado do whatsapp. Que setembro amarelo seja todo o ano.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.