Museu do Crato será restaurado

Prefeitura anuncia obra em prédio histórico

Escrito por
Paulo Henrique Rodrigues (o Ph) ceara@svm.com.br
(Atualizado às 21:04)
Legenda: Um dos principais salões do Museu Vicente Leite, no Crato, registrado em 2008, quando funcionava. Em destaque, a obra "Crucificado", de Cláudio Valério Teixeira, e a escultura "Primeira Pose", de Celita Vaccani.
Foto: Allan Bastos

Sucessivos gestores falharam na tentativa. A obra sempre era barrada por licitações desertas: não apareciam interessados em uma restauração considerada complexa.

O prédio foi Casa de Câmara e Cadeia do Crato, uma cidade fundada em 1853, quando o País ainda era império. Fica na praça da Sé, bem no centro, e parecia nunca ter passado por manutenção.

A cada ano, o imóvel ganhava mais cara de ruína. Também se desmanchava no ar a ideia de terra da cultura, fama que o Crato tem no Cariri.

São dois espaços culturais fechados: o Museu Histórico e o Museu de Artes Vicente Leite. Nesta coluna, o abandono já foi apresentado mais de uma vez. 

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Em março do ano passado, após um desabamento de parte interna, a situação comoveu políticos, produtores culturais, artistas; o povo parecia ter visto morrer a esperança. 

Mas ela ressurgiu nesta quarta-feira (9). O prefeito do Crato, André Barreto Esmeraldo (PT), assinou a ordem de serviço de revitalização do imóvel. Segundo ele, está orçada em R$ 1,3 milhões e será paga com recursos do município e emenda do deputado federal André Figueiredo (PDT).

O prefeito também garantiu que a obra será concluída até dezembro deste ano e que a empresa responsável tem experiência: revitalizou o Complexo Cultural Estação das Artes, em Fortaleza.

É uma excelente notícia para os cearenses da minha geração, que guardam lembranças de um dia ter apreciado obras de Sinhá d’Amora, Celita Vaccani e o próprio Vicente Leite, o nome do museu, homenagem ao paisagista cratense autodidata pouco conhecido na terra natal. 

Para as novas gerações, será uma oportunidade de quebrar a hipnose das telas para ver de perto o elegante trabalho de artistas reconhecidos e depois ainda comer filhós na praça da Sé. 

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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