Quanto o consumidor pagou a mais na conta de energia com as bandeiras tarifárias em 2025?
Com crise climática e baixo volume de chuvas, bandeiras amarela e vermelha são acionadas com mais frequência.
Devido à crise climática e chuvas abaixo do normal, 2025 foi um ano de dificuldades para a geração de energia no Brasil. Com isso, as bandeiras tarifárias amarela e vermelha foram acionadas com mais constância, sobrecarregando o orçamento familiar.
O valor pago com as cobranças adicionais na conta de luz chegou a R$ 74,70 ao longo de 2025 para famílias que consomem 200 quilowatt-hora (kwh) por mês.
Essa é a média de consumo de uma família brasileira, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O cálculo foi realizado por Thiago Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon Ceará).
A conta de energia para esse padrão de consumo gira em torno de R$ 144. Nos meses em que vigoraram as bandeiras, o custo chegou a até R$ 159,7 na bandeira vermelha 2.
Já uma família de consumo mensal maior, como de 400 kwh, chegou a pagar cerca de R$ 150 com as tarifas extras nos doze meses. Thiago Holanda aponta que é necessário adaptar o orçamento mensal para cobrir as variações na conta de luz.
“As bandeiras podem acrescentar até R$ 15 em um mês de consumo de 200 kwh, o que representa cerca de 11% do valor da fatura. Adotar hábitos eficientes de consumo reduz desperdícios, como desligar aparelhos em stand-by e trocar equipamentos antigos para modelos com selo de eficiência energética A”, avalia.
COBRANÇA EXTRA EM OITO DE DOZE MESES DE 2025
As cobranças extras começaram em maio, quando foi decretada a bandeira amarela, que representa um acréscimo de R$ 1,88 para cada 100 kwh consumidos.
Já em junho e julho, vigorou a bandeira vermelha no patamar um, com adicional de R$ 4,46 por 100 kwh gastos pela residência.
Em agosto e setembro a Aneel decidiu pelo último patamar de bandeira tarifária, a vermelha patamar dois. Os consumidores precisaram desembolar R$ 7,87 a mais para cada 100 kwh consumidos.
Com leve melhora das condições de geração de energia, retornou a bandeira vermelha patamar um em outubro e novembro. O ano encerrou com a bandeira amarela, totalizando oito meses de acréscimos na conta de luz.
Há ainda uma bandeira de escassez hídricas, para situações severas. Com adicional de R$ 14,20, a bandeira vigorou pela última vez entre setembro de 2021 e abril de 2022.
POR QUE A CONTA DE LUZ FICA MAIS CARA?
O mecanismo de bandeiras tarifárias completou dez anos em 2025 e foi criado para custear a geração de energia termoelétrica.
Na prática, o volume de chuvas abaixo da média reduz o nível dos reservatórios das hidrelétricas - que correspondem a mais de 50% da geração de energia elétrica no Brasil.
Com isso, é necessário acionar mais usinas térmicas, que têm um custo de geração mais elevado.
Mesmo com a grande produção eólica e solar no Brasil, a rede de transmissão e os métodos de armazenamento não são suficientes para garantir fornecimento renovável de forma contínua.
A bandeira tarifária é decidida mensalmente e o anúncio é feito pela Aneel na última sexta-feira de cada mês. Em janeiro de 2026, vigora a bandeira tarifária verde, sem acréscimos na conta de luz.
O mecanismo também surgiu como forma de sinalizar, em tempo real, o encarecimento da geração de energia aos consumidores. Marília Brilhante, diretora da Energo Soluções em Energias, avalia que o potencial de comunicação aos consumidores foi se perdendo com o tempo.
“Para muita gente não faz diferença no dia a dia. Sente a diferença no bolso, e aí se pergunta 'por que a conta está mais alta'. Algumas pessoas olham o consumo e partir disso tentam reduzir, mas outras tantas vão só achar que tudo subiu, e conta de energia também está subindo”, comenta.
A consultora reitera que é importante se preparar para adaptar o consumo nos períodos de bandeira vermelha, já que há probabilidade de baixa dos reservatórios em breve.