O agravamento da pandemia no País e a preparação olímpica no Brasil

A pouco mais de quatro meses para os Jogos, preparação final de brasileiros acontece em meio a cenário mais crítico da pandemia

Tóquio 2020
Legenda: Em quatro meses, Jogos Olímpicos de Tóquio serão os mais diferentes da história.
Foto: Kyodo News/ Getty Images

A situação da pandemia no país vem impactando a disputa das vagas para Tóquio 2020. No início do mês, foi cancelada a seletiva brasileira para o Pré-Olímpico, Campeonato Sul-Americano e Mundial Júnior de maratona Aquática. As provas seriam realizadas em São Bernardo do Campo. Nos últimos dias, também foi anunciado o cancelamento do Campeonato Pan-Americano de Canoagem Velocidade, onde aconteceria pré-olímpico do continente. As disputas seriam entre os dias 8 e 11 de abril, em Curitiba. 

Esses são apenas alguns exemplos. Além dos eventos oficiais cancelados ou adiados, as condições para treinos são afetadas pela pandemia. Várias cidades do país voltaram a decretar medidas mais restritivas para tentar conter o avanço da proliferação do coronavírus, o que proíbe muitas das práticas esportivas. 

Superliga deve ser concluída em “bolha” 

Com a fase de playoffs em andamento, a Superliga deu início às quartas de final em seu formato quase tradicional. Quase, pois algumas disputas que aconteceriam em cada cidade dos clubes, ocorreram em sede única por conta do estabelecimento de medidas mais restritivas para contenção da Covid em alguns lugares (Osasco e Curitiba, por exemplo, jogaram as duas partidas no José Liberatti, devido às restrições em Curitiba). 

A Confederação Brasileira de Vôlei chegou a apresentar proposta de que os jogos fossem realizados no Centro de Desenvolvimento do Vôlei, em Saquarema, mas a maioria dos representantes dos clubes não concordou. Vale lembrar que a Superliga passou por surtos de Covid-19 durante a temporada e registrou mais de 130 casos da doença. A iniciativa que traria um pouco mais de segurança a todos os envolvidos foi rejeitada, apesar da alta na quantidade de mortes e casos registrados dia a dia no Brasil.

Com o avanço das medidas restritivas por mais cidades, a tendência é que os jogos das semifinais aconteçam em formato de "bolha". O martelo só será batido após a definição de quem avançará na disputa. 

Preparação brasileira

Durante a primeira onda do coronavírus, o Comitê Olímpico Brasileiro viabilizou alternativas para que os atletas continuassem os treinos, entre elas a Missão Europa e a reabertura do CT no Rio de Janeiro. Questionado sobre medidas para garantir os treinos dos competidores brasileiros, o COB informou que “segue monitorando as condições da pandemia ao redor do mundo e, semanalmente, reavalia o planejamento a fim de oferecer as melhores condições possíveis, dentro do atual cenário, aos atletas brasileiros.” 

Já são 195 esportistas brasileiros garantidos em 21 modalidades. O COB trabalha com a expectativa de 250 a 300 competidores. Pelos próximos quatro meses, os dias serão de disputas e expectativas. Em meio ao agravamento da pandemia no Brasil, outros fatores comprometem a garantia da sonhada vaga olímpica. 

Depois de um período de incertezas, a proximidade das Olimpíadas é, cada vez mais, palpável. Na próxima semana, dia 25, deve começar o revezamento da tocha, na cidade de Fukushima, no norte do Japão. O local foi devastado há 10 anos por um terremoto, seguido de tsunami, que atingiu uma usina nuclear e deixou 20 mil mortes. 

Sem torcida brasileira em Tóquio 

Uma das dúvidas que rondavam o formato em que serão realizadas as Olimpíadas já foi esclarecida. Não haverá torcedores estrangeiros nos Jogos. A decisão ainda será referendada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), mas foi a medida encontrada pelo governo local para não excluir totalmente o público e tentar manter o controle em relação à pandemia, principalmente, diante do surgimento de tantas novas variantes. Com isso, não só os brasileiros, como os atletas de todas as nacionalidades não contarão com o incentivo de torcedores, a menos que residam no Japão. 

A maior confraternização do esporte vai ser diferente. Para os atletas, que tiveram a rotina de trabalho alterada e o momento que seria apenas de celebração, se transformou também em preocupação. Também para os torcedores, que aguardam por mais de quatro anos para viver os dias intensos de disputas. O que se espera é que os Jogos sejam um marco, apesar das restrições, que tragam novas e boas perspectivas embaladas pelo espírito olímpico.