Existe idade para ser campeão no esporte?

Cada vez mais, atletas mais velhos têm chegado a patamares elevados em competições de alto rendimento

Nicholas Santos celebra conquista no Mundial
Legenda: Nicholas Santos celebra conquista no Mundial
Foto: Paulo Roberto Conde

Tricampeão mundial aos 41 anos, Nicholas Santos fez história essa semana ao conquistar o ouro nos 50 m borboleta, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, repetindo os feitos de 2012 e 2018. O atleta brasileiro superou dois nadadores bem mais jovens, Dylan Carter, de 25 anos, representante de Trinidad e Tobago e o italiano Matteo Rivolta, de 30. 

Com tempo de 21s93, Nicholas Santos superou adversários bem mais novos nos 50m borboleta
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Foto: Divulgação/Fina

Foco e determinação são pontos mencionados como fundamentais para garantir os ótimos resultados. Só em mundiais, são 11 medalhas. Pelas redes sociais, Nicholas comemorou o resultado e destacou que não é fácil chegar tão longe e se manter no topo com a idade que tem:  “A longevidade e a constância dos meus resultados vêm através de muito trabalho e dedicação, 41 anos de idade para alta performance pode parecer impossível, mas sou o exemplo de que podemos sempre evoluir ainda mais”. 

E não para por aí a relação de atletas brasileiros vitoriosos com mais idade.  A meio de rede Carol Gattaz conquistou a prata em Tóquio, sua primeira medalha olímpica, aos 40 anos. Jogando em alto nível e ajudando a seleção brasileira de vôlei, na missão, que, inicialmente, parecia quase impossível.  A atleta chegou a participar de outros ciclos olímpicos, mas nunca esteve na relação final da convocação olímpica. Chegou a deixar a seleção, mas voltou a ser destaque, teve resiliência e retornou no auge, para conquistar a tão sonhada medalha.

Carol Gattaz foi a atleta mais velha da seleção feminina de vôlei na campanha olímpica, em Tóquio
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Foto: Gaspar Nóbrega/COB

No futebol, também temos exemplos, Formiga, aos 43 anos, se despediu da seleção brasileira, após os últimos Jogos Olímpicos, mas continua em campo, representando o São Paulo. Marta, aos 35, ainda é a maior que temos na modalidade, segue jogando em alto nível e há perspectivas que chegue em boas condições a Paris 2024, quando terá 38 anos. 

Marta e Formiga fazem parte da história do futebol feminino no Brasil
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Foto: Divulgação

Há algumas décadas, era difícil se imaginar que atletas de alto rendimento conseguiriam chegar com mais de 40 anos ainda em um bom nível de competitividade. A partir dos 30, era, praticamente, o início do fim da carreira dos esportistas. Hoje em dia, com a evolução dos treinamentos e da tecnologia é possível prolongar a durabilidade dos profissionais. 

Idade cronológica e biológica nem sempre seguem o mesmo compasso. Não existe tempo para ser campeão no esporte, e nem na vida.  E os exemplos citados podem servir de inspiração para quem quer perseverar e buscar a longevidade em qualquer atividade. Idade pode se tornar apenas mais um número diante da trajetória de cada um.