Eventos 'bolha' são alternativa para retomada segura do esporte em tempos de pandemia

“Confinar” atletas, comissão e organização em um ambiente controlado é medida encontrada por algumas modalidades para o retorno das competições

pódio
Legenda: Pódio da etapa disputada em Saquarema do Circuito Nacional de Vôlei de Praia

O esporte no Brasil parou por, praticamente, três meses. Concretizar a tão sonhada retomada foi e ainda é desafio para gestores e atletas. O futebol, carro-chefe, entre as modalidades nacionais não poderia deixar de sair na frente e se antecipou até mesmo a uma estabilidade e controle da pandemia do novo coronavírus, para ter de volta as disputas nas quatro linhas.

Rio de Janeiro, junho, ao lado de um hospital de campanha para tratamento de doentes da Covid-19, a bola rolou no templo do futebol para o retorno do Campeonato Carioca. Aos poucos outras competições voltaram, e a falta de um protocolo seguro só deixou à mostra a vulnerabilidade de contaminação em que o País ainda se encontrava, com os casos despontando.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, um modelo que se tornaria inspiração para diversas partes do mundo saiu do papel, em julho. A “bolha” adotada pela NBA, a liga americana de basquete, foi organizada para o desfecho da temporada e contou, inicialmente, com 22 clubes. Há quase dois meses em andamento, atualmente, recebendo as finais das conferências leste e oeste, nenhum caso de Covid-19 foi registrado entre os presentes na estrutura montada em Orlando, na Flórida. Rigor sanitário, tecnologia e engajamento dos envolvidos são os destaques.

bolha da NBA
Legenda: A quadra da bolha da NBA, liga americana de basquete, que tem sido usada durante a pandemia

Inspiração para o primeiro evento esportivo oficial do esporte olímpico com disputa nacional, no Brasil. No último fim de semana, a cearense Rebecca e a mineira, Ana Patrícia, se sagraram campeãs da primeira etapa do Circuito Nacional. Na estrutura, em Saquarema, a quantidade de pessoas foi reduzida: apenas atletas, comissões, organização e equipe para garantir as transmissões. O calor e a empolgação do público, que lota as arquibancadas a cada etapa, se fizeram presentes à distância, através de telões, que mostravam torcedores virtualmente acompanhando as disputas.

O modelo adotado pelo vôlei de praia se mostrou eficiente, concentrando os envolvidos em um só local, evitando viagens e possíveis exposições a aglomerações.

Essa saída deve ser priorizada por outras modalidades, já que, apesar de um caminho que aponta para estabilização, ainda estamos longe de estarmos no controle do novo coronavírus.

Exemplos recentes do futebol, que adota protocolos frouxos e mantém as viagens, como se não houvesse pandemia, são a mostra de que centralizar as disputas é alternativa mais segura. Só essa semana, sete jogadores do Flamengo testaram positivo para Covid-19.

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Legenda: Pódio da etapa disputada em Saquarema do Circuito Nacional de Vôlei de Praia

O vôlei de quadra também terá uma disputa nacional com sede única, em outubro. O Troféu Super Vôlei foi criado para suprir o cancelamento dos playoffs da Superliga 19/20, por conta da pandemia. A disputa masculina será em Belo Horizonte, entre os dias 21 e 24, e a feminina, em Saquarema, entre os dias 28 e 31. A disputa será em cruzamento olímpico, com base na classificação final da última edição da Superliga. A competição acontece entre os oito primeiros colocados.

No “novo normal” em que temos, cada vez mais, que buscar adequações, o esporte é reflexo da sociedade. Transmitir a ideia de que é possível ter um pouco de normalidade mantendo protocolos seguros é missão das confederações, que estão retomando aos poucos suas atividades.