Cearense conquista ouro no Sul-Americano da Juventude 2022 e Brasil consolida domínio

Juan Rodrigues chegou ao lugar mais alto do pódio no karatê. E a dois dias do fim da competição, País mantém larga frente da 2ª colocada Colômbia

Ceará é ouro no karatê com Juan Rodrigues
Legenda: Ceará é ouro no karatê com Juan Rodrigues
Foto: COB

Fortalecer a base esportiva do País é uma das principais alternativas para alçar voos ainda maiores em competições internacionais e se o Brasil dependesse apenas dos resultados em competições continentais estaria até que bem servido nos anos que estão por vir. Sabemos que os torneios mais regionalizados não funcionam exatamente para esse parâmetro, mas a partir deles é possível, pelo menos, perceber o potencial que temos, o que reforça ainda mais a necessidade de um olhar mais apurado para políticas esportivas. 

 

Jovens de 14 a18 anos se reúnem a cada quatro anos para a disputa dos Jogos Sul-Americanos da Juventude. A terceira edição está sendo realizada em Rosário, na Argentina, até o próximo domingo (8). São 2500 atletas, de 15 países, disputando 26 modalidades. O Brasil conta com a segunda maior delegação: 250 atletas. É oportunidade para os competidores ganharem experiência internacional. O País liderou as últimas duas edições e tem mantido o domínio na atual edição. São 48 medalhas de ouro, 30 de prata e 26 de bronze, totalizando 104. A Colômbia, que ocupa a 2ª colocação tem 21 ouros. 

 

Representando o Ceará Juan Rodrigues, de 16 anos, conquistou o ouro no Karatê na categoria até 61 kg. O jovem tem potencial para manter o Estado em alto nível no cenário nacional e internacional e acumula conquistas como campeonato cearense e brasileiro. Pelas redes sociais, o Juan declarou a alegria de conquistar o título. Na mesma modalidade, Ana Kelly Moura também representou o Estado, mas não conseguiu medalha. Também pelas redes, destacou o aprendizado e prometeu dedicação para a disputa das próximas competições. 

 

Cearense Juan Rodrigues colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio, no karatê
Legenda: Cearense Juan Rodrigues colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio, no karatê
Foto: COB

 

Algumas modalidades reforçaram talentos, como o de Stephanie Balduccini, da natação, que já vinha se destacando em outras competições. Aos 17 anos, ela tinha a ousada meta de disputar 13 provas e medalhas em todas e chegou perto do objetivo, ao alcançar 11 pódios, sendo oito ouros. A jovem já vai deixando de ser promessa para se tornar uma realidade e tentar, nos próximos anos, colocar a natação feminina em patamares mais altos. 

 

Stephanie Balduccini volta de Rosário com 11 medalhas
Legenda: Stephanie Balduccini volta de Rosário com 11 medalhas
Foto: COB

 

Na escalada, modalidade olímpica que estreou nos últimos Jogos, em Tóquio, Mariana Hanggi conquistou o ouro. 

 

Destaque também para o vôlei de praia, modalidade que precisa passar por reformulação, principalmente, após o resultado nas últimas Olimpíadas, quando pela primeira vez os brasileiros não conquistaram nenhuma medalha. Em Rosário, Henrique e Pedro, representantes do Nordeste, ficaram com o ouro. No feminino, Carol e Nina garantiram a prata. 

 

No atletismo, Vanessa dos Santos trouxe o ouro no salto em distância e Davi Santos com o bronze. Arthur Curvo ficou com a prata no lançamento de dardo. O marco da 100ª medalha veio com a triatleta Julia Munhoz, que disputou a prova no sistema de duatlo (ciclismo e corrida). 

Julia Munhoz conquistou a 100ª medalha do Brasil nos Jogos
Legenda: Julia Munhoz conquistou a 100ª medalha do Brasil nos Jogos
Foto: COB

No judô, onde o Brasil já não vive mais os tempos áureos e terminou as últimas Olimpíadas com o pior resultado desde Atenas 2004, com apenas dois bronzes, a reestruturação também é palavra-chave. No Sul-Americano, a base demonstrou força e conquistou quatro ouros com Bianca Reis (63kg), Mari Silva (78kg), Matheus Guimarães (81kg) e Jesse Barbosa (100kg).

Representantes do judô conquistaram ouro para o Brasil
Legenda: Representantes do judô conquistaram ouro para o Brasil
Foto: COB

 

São bons resultados, mas que, muitas vezes, não refletem na ponta das competições mundiais, onde apesar de alguns avanços, o Brasil ainda se encontra distante das grandes potências. O reflexo pode ser observado nas últimas Olimpíadas, quando o País conquistou o melhor resultado da história, com 21 medalhas e a 12ª posição, mas ainda assim deixando a desejar em algumas modalidades em que tem capacidade de se destacar mais. 

 

A base do esporte é fundamental para garantir atletas de rendimento. Requer estrutura e investimento, que não são aplicados. É uma mudança que precisa de tempo. Em diversas oportunidades, assim como nos Jogos Sul-Americanos, o Brasil já mostrou que tem talentos com potencial para despontar e levar o País aos lugares mais altos.