1º ouro no surfe, bronze na natação e susto no vôlei: dia olímpico poderia ter sido ainda melhor

Surpresa ficou por conta da desistência de Simone Biles, da final da ginástica artística por equipes

Ítalo Ferreira conquistou o primeiro ouro do surfe olímpico
Legenda: No Japão, Ítalo Ferreira conquistou o primeiro ouro da história do surfe nos Jogos Olímpicos
Foto: COB

Uma medalha de ouro para consagrar a força do Nordeste nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Ítalo Ferreira, o primeiro campeão olímpico do surfe em Olimpíadas, marcou o nome na história. Estreando nos Jogos, a modalidade ganhou vitrine. Muitas vezes marginalizada, é agora a responsável pela primeira medalha dourada do Brasil, nesta edição. A vitória de Ítalo serve de motivação, principalmente, para quem entra todo dia no mar, em busca do mesmo caminho. Envolto em polêmicas, Gabriel Medina ficou com o quarto lugar na competição. 

Silvana Lima, a representante cearense na modalidade, encarou nas quartas a americana Carissa Moore que, na sequência, conquistou a medalha de ouro. A paracuruense fez história e levou o nome do surfe do estado para o outro lado do mundo. A medalha não veio, mas Silvana foi motivo de orgulho para o Ceará. 

Silvana Lima foi eliminada nas quartas de final
Legenda: Silvana Lima foi eliminada nas quartas de final
Foto: Reuters

De onde ainda pode sair medalha, nesta madrugada, é da natação, com o cearense de coração Luiz Altamir, que está na final do revezamento 4x200 livre, com Murilo Sartori, Breno Correia e o já medalhista Fernando Scheffer, que aos 23 anos conquistou o bronze nos 200 metros livres. A disputa será nesta madrugada, por volta de 0h20. 

Um pouco antes, às 23h, no vôlei de praia, nossa representante cearense Rebecca Silva entra em quadra com a parceira Ana Patrícia. Elas vão enfrentar a dupla da Letônia, Graudina e Kravcenoka. 

Nas areias do vôlei de praia, apenas uma das três duplas brasileiras que entraram em quadra saiu com a vitória. Evandro e Bruno Schmidt venceram os marroquinos Abicha e Elgraoui, por 2 sets a 0 e encaminharam classificação para as quartas de final. Já Alisson e Álvaro foram derrotados pela dupla americana Lucena e Dalhausser. Apesar da derrota, os brasileiros jogaram bem. A partida foi bastante equilibrada e todos os sets foram definidos com a diferença mínima de dois pontos (parciais de 22/24, 19/21 e 13/15). Ágatha e Duda conheceram a primeira derrota na competição. Elas não conseguiram encaixar o jogo contra a dupla chinesa, Wang e X.Y.Xia, e perderam por 2 sets a 0.  

Quadra

Na quadra, o dia brasileiro foi de mais um susto. A seleção feminina conseguiu uma vitória apertada, por 3 sets a 2, contra a República Dominicana. Em dia de aniversário da meio Carol Gattaz, que completa 40 anos, ela manteve a constância já conhecida na quadra. Quem deu um verdadeiro show foi Fernanda Garay, que marcou 26 pontos. “De quem muito dá, muito se cobra”. Tandara é a oposta mais completa em atuação no Brasil, acumula destaques e recordes de pontos, mas ainda não mostrou a que veio nas Olimpíadas. Sua atuação vem sendo irregular e a reserva, Rosamaria, vem substituindo com boas atuações. O Brasil está em um grupo relativamente tranquilo, mas deve ligar o alerta para conseguir manter o domínio em quadra e ir em busca de medalha. Esta primeira fase é, justamente, quando o técnico José Roberto Guimarães pode ir testando as peças e ver quem está respondendo melhor. 

Seleção feminina de vôlei passou sufoco, mas garantiu a vitória contra a República Domenicana
Legenda: Seleção feminina de vôlei passou sufoco, mas garantiu a vitória contra a República Domenicana
Foto: FIVB

Entre os homens, o próximo dia olímpico deve ser novamente de fortes emoções. O Brasil enfrenta os russos às 9h45, desta quarta-feira (28). A rivalidade é histórica. Quem não lembra da virada que o Brasil sofreu na final olímpica de Londres, em 2012, terminando com a prata? O troco veio na edição do Rio, em 2016, quando a seleção brasileira derrotou a Rússia nas semifinais. Deve ser jogo complicado.

Futebol

A seleção masculina de futebol disputa a última partida da fase de grupos contra a Arábia Saudita, nesta quarta, às 5 da manhã. É jogo decisivo para definir a classificação e o adversário nas quartas de final. 

No futebol feminino, o adversário na próxima fase será o Canadá. O Brasil ficou em segundo no grupo F, o que acabou sendo bem melhor. A Holanda, primeira colocada, vai enfrentar a seleção dos EUA, campeã do mundo. 

Seleção feminina de futebol assegurou o 2º lugar no grupo F
Legenda: Seleção feminina de futebol assegurou o 2º lugar no grupo F
Foto: Sam Robles/CBF

Ginástica

Quem também representa os EUA e é multicampeã é ginasta, Simone Biles, que surpreendeu o mundo ao desistir da final por equipes, na ginástica artística. Ela teve problemas na aterrissagem do salto e preferiu deixar as companheiras na disputa. Biles chegou a dizer em coletiva, que preferiu não arriscar a chance de medalha do time, que acabou ficando com a prata, atrás das atletas do Comitê Olímpico Russo. 

A atitude da ginasta volta às atenções para as questões mentais dos atletas e pressão que esse grupo olímpico sofre. Biles diz não ter sentido nenhuma lesão, o que reforça o estresse que esses competidores acabam passando. Chegar aos Jogos com um histórico de quatro ouros e um bronze é muita responsabilidade. De manutenção dos resultados, principalmente. 

As Olimpíadas representam a confraternização das nações. É momento de disputas, mas o esporte é muito mais que isso. É união, festa, troca e aprendizado. E tudo isso passa a perder o sentido quando a carga emocional se sobrepõe.