Flávio José afirma que perdeu 15 shows após ação do MP-BA junto às prefeituras

Empresários avaliam que o caso pode ser apenas o primeiro de uma série de impasses envolvendo contratações.

Escrito por
João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
Legenda: Flávio José ainda pontuou que artistas de outros gêneros seguem ser afetados pelas medidas.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

"Este ano a Bahia ficará sem minha presença". A declaração do cantor de forró Flávio José, publicada nas redes sociais nesta quarta-feira (3)

, acendeu um alerta no meio artístico e entre organizadores de festas juninas. Um dos maiores nomes do gênero afirmou que não se apresentará no estado em 2026 após ser informado de que o Ministério Público da Bahia teria defendido a redução de cachês do artista.

O posicionamento do artista reacendeu o debate sobre a atuação do órgão nas contratações para o São João e levantou preocupações sobre possíveis reflexos na programação dos festejos em municípios baianos.

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Em publicação no Instagram, Flávio José classificou a situação como um "desrespeito sem tamanho" e lamentou a decisão. "Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê", escreveu o cantor.

O artista também afirmou que priorizou a Bahia durante toda a carreira e que deixou de comercializar datas para outros estados por considerar o mercado baiano uma de suas prioridades.

Setor vê risco para o São João

Nos bastidores do mercado de entretenimento, empresários e produtores avaliam que o caso de Flávio José pode ser apenas o primeiro de uma série de impasses envolvendo contratações para o período junino.

A preocupação é que discussões sobre a precificação dos artistas acabem dificultando acordos e provoquem cancelamentos de apresentações, afetando diretamente a programação das cidades e a movimentação econômica gerada pelos festejos.

Representantes do setor argumentam que os cachês são definidos a partir de fatores como demanda, estrutura, investimentos, logística e valorização artística. Já o Ministério Público sustenta que o objetivo das análises é garantir transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.

Enquanto o debate segue, a possibilidade de ausência de Flávio José em cidades baianas já é vista por muitos forrozeiros como uma das principais perdas para o São João deste ano.

Como é o cálculo dos cachês na Bahia?

A atuação dos órgãos de controle está baseada na Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo MPBA, Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministérios Públicos de Contas.

O documento estabelece que os contratos de artistas devem ter como parâmetro a média dos cachês pagos no período de 1º de maio a 31 de julho de 2025, com atualização pelo IPCA.

Segundo a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público (Caopam), promotora de Justiça Rita Tourinho, o objetivo não é inviabilizar os festejos juninos, mas garantir que os gastos sejam realizados com razoabilidade, transparência e compatibilidade com o interesse público. 

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