Ciro Gomes ataca Coco Bambu e mobiliza reações de Eduardo Bolsonaro a vereadores de Fortaleza

Pré-candidato do PDT chamou empresários de "inescrupulosos"; em nota, Abrasel disse que acusações são "inadimissíveis"

Ciro Gomes em discurso na convenção do PDT
Legenda: Ciro Gomes causou desgaste com empresariado e políticos no Ceará
Foto: PDT

Uma série de ataques do pré-candidato a presidente da República, Ciro Gomes (PDT), a empresários, com destaque para a rede de restaurantes Coco Bambu, cujo dono é o cearense Afrânio Barreira, tem gerado reações contrárias de opositores nas redes sociais e notas de repúdio.

Em entrevista ao programa Em Cima do Muro, exibido no Youtube no dia 2 de maio, ao ser questionado sobre apoio ao empreendedorismo no Estado, Ciro faz críticas a empresários aos quais se refere como "inescrupulosos, sonegadores de impostos que estão em Fortaleza fazendo política bolsonarista".

Em seguida, Ciro faz menção ao proprietário da rede Coco Bambu como "vagabundo", e o acusa de sonegar impostos. "É tudo marginal", diz o ex-governador do Estado.

Em nota, o empresário Afrânio Barreira ressaltou que a rede de restaurantes é auditada "pela maior empresa de auditoria do mundo, a PwC, e nunca teve ressalvas". 

"O Coco Bambu, principalmente no Ceará, é ostensivamente fiscalizado há muitos anos. Nunca existiu sonegação fiscal no Coco Bambu, crescemos organicamente durante 30 anos através do trabalho", frisou.

Barreira diz ainda que "é lamentável que um candidato a presidência da República, utilize desses meios, denegrindo pessoas de bem, espalhando inverdades para aparecer na mídia".

Nota de repúdio

Nesta quinta-feira (5), em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), divulgou nota de repúdio aos ataques. "Demonstra total desconhecimento do político em relação ao setor que mais emprega no Brasil", diz a nota.

Em defesa direta ao Coco Bambu, a Abrasel afirma que os 64 restaurantes da rede no Brasil "são motivo de orgulho para o setor, gerando cerca de 7.200 de empregos e contribuindo mais de R$ 100 milhões em impostos federais e estaduais, tudo isso vindo de uma empresa genuinamente cearense".

"As acusações de Ciro Gomes não atingem apenas os grandes empresários do ramo de restaurantes, atingem também os pequenos, sendo que todos eles diariamente batalham para manter suas contas em dia e sustentar não só as suas, mas as famílias de seus funcionários. E isto, para nós, é inadmissível", pontua o texto.

Repercussão política

Desde a divulgação da entrevista, opositores de Ciro têm usado as redes sociais para defender a rede de restaurantes e criticar o pedetista.

O pré-candidato ao Governo do Estado Capitão Wagner (PL) chamou o episódio de "absurda agressão que reflete a perseguição a quem trabalha e empreende no Ceará".

A pré-candidata a deputada federal Mayra Pinheiro (PL) fez vídeo ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), dizendo "Somos todos Coco Bambu", na entrada de um dos restaurantes da marca, em Brasília.

"Fiz questão de estar aqui porque acabei de receber mais uma das declarações doidivanas do pretenso candidato à Presidência da República Ciro Gomes, chamando os empreendedores da rede Coco Bambu de sonegadores de impostos e vagabundos”, afirma a ex-secretária do Ministério da Saúde.

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), em vídeo segurando embalagem do Coco Bambu, também saiu em defesa do Coco Bambu e acusou Ciro de "perseguir quem gera emprego". Houve manifestação também dos vereadores Carmelo Neto e Julierme Sena, atualmente licenciado do cargo.

Ciro Gomes foi procurado através da assessoria de imprensa para se manifestar sobre as críticas. O espaço está aberto para a fala do pré-candidato do PDT.



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