O caráter eleitoreiro da solução do governo Lula para o endividamento
Sem atacar a causa do problema, o Desenrola se resume a um alívio imediato em ano eleitoral
O Governo Federal lançou recentemente o programa Desenrola 2.0, que tenta atacar um problema conhecido e recorrente: o endividamento das famílias. A proposta governamental é simples e de fácil comunicação: descontos, nome limpo e volta ao consumo. Na prática, entretanto, não é preciso ser especialista para perceber que o programa, ao atacar apenas a consequência e não a causa, tende a adiar uma nova crise de inadimplência.
Ao renegociar dívidas, o governo atua na parte mais visível do problema, mas deixa de lado o que o sustenta: renda baixa, crédito caro e instabilidade econômica. Sem mudanças nesse ambiente, é pouco provável que o Desenrola alcance êxito.
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É exatamente nesse ponto que entra o componente político da equação. A dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas pressiona os juros e afeta toda a economia. Crédito caro restringe consumo e investimento. O agravante é que soluções como essa, em ano eleitoral, significam busca por apoio popular.
Para quem está com o nome negativado, qualquer redução na dívida significa fôlego. É um respiro necessário e até legítimo. O problema é que esse alívio imediato carrega um risco estrutural que não pode ser ignorado.
Medidas que aliviam o bolso têm peso em qualquer cenário eleitoral. O Desenrola 2.0 surge justamente nesse ambiente, com forte apelo popular e resultado rápido, influenciando diretamente a percepção do eleitor. Sem enfrentar as causas do endividamento, o programa não passa de ferramenta eleitoreira.