São Luís deverá ganhar voo direto para Lisboa pela TAP
Fontes do setor público com quem a coluna conversou na Feira Internacional de Turismo (Fitur), em Madri, explicam que é considerado certo um voo entre São Luís e Lisboa com a TAP. Para essas fontes, o desafio será manter o voo regular.
Uma das fontes sugere que o anúncio do voo poderá ser feito em pouco mais de 20 dias, na Feira de Turismo de Lisboa (BTL), que ocorrerá de 25 de fevereiro a 1º de março deste ano.
Se confirmada, a operação colocará o Maranhão como o 6º estado nordestino com ligação direta a Lisboa pela TAP.
O novo voo reforça uma estratégia já conhecida da companhia portuguesa de avançar sobre mercados secundários com potencial turístico crescente.
Com a operação, os únicos estados do Nordeste que não teriam voo da TAP são Sergipe, Paraíba e Piauí.
O movimento presente no Maranhão não é isolado. Desde 2025, o governo estadual mantém diálogo com a TAP e com a concessionária Motiva Aeroportos, e os estudos de viabilidade ganharam tração após a visita de executivos da companhia aos Lençóis Maranhenses.
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Mais recentemente, o tema deixou o bastidor técnico e passou ao campo político.
No dia 24 de janeiro, o governador Carlos Brandão afirmou publicamente que São Luís terá voo direto para Lisboa, destacando que, ao contrário da rota São Luís–Belém–Miami implantada em sua gestão, a ligação europeia seria direta.
Segundo ele, o avanço não se explica apenas por articulação institucional, mas pela viabilidade construída a partir do crescimento do turismo no estado.
Hoje, parte relevante da demanda maranhense para a Europa já utiliza os voos da TAP via Belém e Fortaleza.
Ainda assim, as análises feitas nas negociações indicariam espaço para uma operação própria a partir de São Luís, especialmente com aeronaves como o A321LR, que permitem testar mercados com menor risco operacional.
O formato do voo, porém, ainda não está definido. Não está descartado que a rota nasça de forma triangular, conectando São Luís a outra capital do Norte (como Manaus) ou do Nordeste antes de seguir para Lisboa.
A própria TAP já adota esse modelo em alguns mercados: Belém, por exemplo, compartilha demanda com Manaus em voos triangulares, enquanto, em determinados dias da semana, operações associadas ao Rio Grande do Norte avançam até Alagoas.
A chegada da rede portuguesa Vila Galé ao Maranhão, com duas unidades previstas a partir de setembro — estreia inédita do grupo no estado —, reforça a leitura de alinhamento entre hotelaria internacional e conectividade aérea. O turista português poderá se hospedar na rede do seu país.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, o anúncio dos voos é tratado como questão de tempo.
O desafio real virá depois: fazer com que a operação seja regular, opere ao longo de todo o ano, atravesse a baixa temporada e se consolide como destino fixo — e não apenas como um teste de mercado.
A expansão da TAP não é um movimento estranho no contexto atual. A companhia acabou de anunciar que voará a Curitiba. Um voo a São Luís deve ser o próximo.
Estados como Paraíba também desejam seu lugar ao sol com a TAP. A portuguesa que está em processo de privatização parece querer também proteger mais seu mercado brasileiro de entrantes como a Iberia.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.