Alta do preço do querosene impede Gol de lançar destino internacional em Fortaleza
A Gol suspendeu o lançamento de um voo internacional partindo de Fortaleza devido à alta do querosene de aviação. A informação foi confirmada pelo ex-secretário de Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck.
"Seria um novo destino na América do Sul com a Gol, porém, com o aumento do petróleo, disseram que não sabiam nem quantificar o valor de subvenção necessário para lançar a nova operação", afirmou Bismarck à Coluna no início de abril.
O crescimento do preço do querosene de aviação em 2026 chegou a 55%, como no caso da Petrobras. A estatal deverá anunciar outro reajuste relevante neste 1º de maio.
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Questionamos a Gol no último dia 27 de abril sobre novidades a respeito do novo destino à América do Sul e se o voo seria para a cidade argentina de Córdoba, destino recém-lançado a partir de Recife, por exemplo.
A companhia informou que "avalia continuamente oportunidades de expandir sua malha aérea regional, nacional e internacional, conforme viabilidade econômica e de infraestrutura". "Novidades com relação a novas rotas internacionais partindo de Fortaleza (FOR) serão comunicadas oportunamente", disse.
Outros destinos internacionais para os quais a Gol já opera na América do Sul, mas não a partir de Fortaleza, seriam Mendoza, Rosário, Santa Cruz de la Sierra e Bogotá, cidade esta para a qual a companhia já havia previsto conectar Fortaleza em 2023.
Não tenho dúvidas de que esse aumento no preço do petróleo, com o consequente encarecimento do querosene de aviação, pode impactar o lançamento de novos voos internacionais a partir de Fortaleza, inclusive para a Europa, sobre cujas negociações com o Estado vínhamos apurando informações desde o início do ano.
Troca de rotas
Ainda em conversas com o ex-secretário Eduardo Bismarck no início de abril, obtivemos informações sobre o andamento das negociações com a Latam.
Após o plano de lançar a rota Lima–Fortaleza ser cancelado pela imposição de taxas internacionais cobradas pela Fraport Peru, concessionária do aeroporto peruano, taxas que levaram a Latam a cancelar uma série de voos internacionais em Lima, Bismarck revelou que a companhia planeja substituir seus voos de Santiago-Fortaleza pela rota Buenos Aires-Fortaleza.
A rota, segundo informações adicionalmente apuradas, poderia operar inicialmente com três frequências semanais à capital argentina, surgindo como substituição à Santiago-Fortaleza, que "não vem apresentando a rentabilidade esperada pela Latam": ocupação média de 80% no primeiro trimestre de 2026.
Para efeito de comparação, a rota entre Recife e Santiago registrou ocupação média de 84% no mesmo período, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e terá seu número de frequências ampliado de uma para três semanais entre junho e agosto próximos.
Além disso, a rota a partir de Santiago trouxe mais chilenos a Recife do que a Fortaleza no período: 1.654 contra 1.465, de acordo com a Embratur.
À Coluna, a Latam informou que "sempre estuda oportunidades de ampliar sua malha e que qualquer nova operação será comunicada oportunamente."
Voos a Santiago seguem à venda
Consultamos o atual secretário de Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro, sobre uma possível atualização quanto à troca de destinos na Latam, no final de abril.
A pergunta se justifica porque, ao buscar no site da companhia, ainda é possível encontrar voos comercializados entre Fortaleza e Santiago pelo menos até o final de outubro de 2026.
"Estamos sempre com estudos para a evolução da nossa conectividade. Nesse caso da Latam, não houve nenhuma novidade sobre o tema", comentou Montenegro à Coluna.
A Latam iniciou voos inéditos entre Fortaleza e Santiago no final de 2024, a primeira vez que a companhia operava voos internacionais com aeronaves de corredor único, no caso o Airbus A320.
Desde o final de 2025, a empresa retomou os voos entre Recife e Buenos Aires, o que gerava a expectativa natural de que algo semelhante fosse lançado a partir de Fortaleza, sobretudo porque o Ceará apresenta oferta de assentos para a Argentina significativamente menor do que outros estados nordestinos, como Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.