Setembro, o mês do silêncio e das grandes expectativas

Há uma campanha eleitoral nas ruas e na tevê, mas a crise da economia, que é aguda, passa distante dela.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Cresce o endividamento das famílias brasileiras, agravando a crise econômica para cuja solução exige-se um duro ajuste fiscal
Foto: Fabiane de Paula / SVM
Um oferecimento de:

Este colunista está excitadíssimo diante do mergulho que, a partir de amanhã, 1º de setembro, por obediência à legislação trabalhista, será obrigado a cumprir durante os próximos 30 dias: férias! Hoje, segunda-feira, 31 de agosto, quando celebra 83 anos de existência terrena e na antevéspera de completar 60 anos de matrimônio, o editor desta coluna está vendo posta, disposta e ampliada a expectativa de que, em setembro, há muita coisa para acontecer não só na política (com eleições à vista), mas na economia, onde se encontra a profunda raiz da crise que começa a mostrar a sua potência – o IPCA-15 deste mês de agosto veio com deflação de 0,40%, revelando uma queda da atividade, algo que pode agudizar-se no IPCA-15 de setembro que se avizinha.   

Acompanhar o desdobramento da campanha eleitoral nos níveis nacional e estadual e, também, a revelação dos números relativos à economia real do país sem poder emitir uma só opinião será uma tortura para quem lê, ouve, anota e comenta, permanentemente, a respeito desses fatos, como é o caso deste colunista. Sim, porque tudo o que está a acontecer à luz do dia ou na obscuridade das tenebrosas transações tem a ver, direta e indiretamente, com a vida de quem produz e trabalha, ou seja, de quem gera emprego e renda. Há uma crise grave, plantada pela irresponsabilidade fiscal de 2014, agravada agora pela mesma causa: a equivocada política fiscal. 

Entre amanhã e 30 de setembro, "vocês verão e ouvirão coisas", diz e repete o morador de rua sem atentar para o que, em Brasília, tramam, negociam e decidem os donos do poder. Neste momento, é visível o alinhamento dos três poderes da República em torno do seu exclusivo objetivo: promover a mudança das coisas para que tudo permaneça como está, e é isto o que está acontecendo hoje e acontecerá amanhã, segundo aponta o andar da carruagem.  

Eis aí a visão do lado político. Há, porém, a visão de quem faz caminhar a economia: o agricultor, o pecuarista, o industrial, o comerciante, o transportador da riqueza, para os quais o Brasil de Brasília está de costas para o interesse nacional. O que parece ser uma Oligarquia dos Poderes apropriou-se das instituições e, sem compromisso com a austeridade e com o equilíbrio das contas públicas, está a praticar agora o mais escancarado fisiologismo. Substituiu-se o ideal pela troca de favores pessoais, partidários, tudo pela manutenção do "status quo", pelo domínio do poder. 

O setor produtivo – acossado por juros altos, crédito caríssimo e de difícil acesso, carência de mão de obra, endividamento das famílias e perda de renda do consumidor – sente que a superação da crise está distante: Lula e seu principal adversário Flávio Bolsonaro ainda não disseram o que farão para enfrentar e vencer o grande desafio que é dar um basta à atual política fiscal. Reajustar as contas públicas deve ser a prioridade número um do futuro governo, seja ele qual for. A dívida cresce e seu serviço (juros), também. Aplicar um cavalo de pau à política fiscal será uma decisão corajosa, de consequências sociais muito duras no curto prazo, mas virtuosas e duradouras em seguida. Uma decisão digna de um estadista, algo de que há muito tempo carecem o Brasil e os brasileiros.  

Os próximos 30 dias serão muito importantes para quem se interessa pelo desenvolvimento da economia do país, cujo sucesso depende 100% do que a política decide. Nesse período, pelos motivos expostos na abertura deste texto, esta coluna estará legalmente desligada da cena econômica, política e social, mas muito atenta ao que se passará nela, incluindo a interna cearense, que é e sempre será a primazia deste espaço. Os diferentes ramos da atividade industrial, agroindustrial e agropecuária do Ceará dispõem aqui de um canal de comunicação cujo principal objetivo é a difusão dos atos e fatos dos que fazem o Ceará crescer.  

Dito isto, este colunista manifesta seu desejo de que aconteça o melhor para os seus leitores nos planos pessoal e profissional.  

Até o dia primeiro de outubro, com a graça de Deus.  

UMA MULHER PELA PRIMEIRA VEZ ENTRE OS CORONEIS DA PM

Está presta a acontecer, pela primeira vez na história da Polícia Militar do Ceará, a nomeação de uma coronel. Sim, uma mulher entre o espaço masculino que até hoje predomina na PM cearense. 

A tenente coronel Michelliny Vasconcelos Gomes de Menezes foi incluída na relação dos oficiais que serão promovidos à mais alta patente da PM, o posto de coronel. O governador Elmano de Freitas terá, nos próximos dias, a chance de quebrar mais um tabu. 

Hoje, Michelliny é Ouvidora Setorial da Casa Militar do Governo do Estado. Ele integra o primeiro grupo de oficiais mulheres da PM-CE.

Veja também