Reforma Tributária vai mexer na gestão dos shopping centers
O novo modelo provocará mudanças significativas na gestão dos empreendimentos, diz especialista em gestão de shopping
Atenção! A implementação da Reforma Tributária entrou definitivamente na fase prática. No fim de julho, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o cronograma oficial de implementação dos documentos fiscais eletrônicos, estabelecendo as etapas para adequação dos sistemas e a disponibilização dos novos leiautes técnicos. Para os shopping centers, esse movimento vai além das áreas fiscal e contábil, ele alcança diretamente a forma como a gestão dos empreendimentos está estruturada.
Embora boa parte das discussões ainda esteja concentrada no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a transição também altera a maneira como contratos, faturamento, receitas e informações precisam circular dentro das empresas.
Para Bosco Magalhães, fundador e CEO do Grupo Ease – pioneiro no setor de gestão para shopping centers, sendo a primeira empresa da área a operar com infraestrutura em nuvem desde 2008, esse é um dos aspectos menos debatidos da reforma, mas que tende a provocar mudanças significativas na gestão dos empreendimentos.
"Muita gente acredita que a Reforma Tributária começa quando é preciso calcular um novo imposto. Na prática, ela começa muito antes. Ela exige que contratos, faturamento, contabilidade e documentos fiscais estejam integrados. Se a operação não estiver preparada, o problema aparece antes mesmo da obrigação tributária", diz Magalhães.
Ele acrescenta que, nos shopping centers, esse desafio ganha uma dimensão ainda maior pela própria complexidade da operação. Além da administração simultânea de centenas de contratos de locação, os empreendimentos precisam conciliar cobranças de aluguel, fundo de promoção, receitas de condomínio, receitas variáveis, faturamento, documentos fiscais, financeiro, jurídico e contabilidade. Com a chegada do novo modelo tributário, essas informações deixam de ser apenas controles internos e passam a ter impacto direto sobre a conformidade fiscal.
Segundo o executivo, um dos maiores desafios está justamente na fragmentação dessas informações. Quando contratos, faturamento e controles financeiros permanecem distribuídos entre diferentes sistemas ou dependem de planilhas paralelas, aumentam as chances de retrabalho, inconsistências e dificuldades para atender às novas obrigações. Na avaliação do executivo, a Reforma Tributária exigirá maior integração entre processos, informações confiáveis e capacidade de rastrear todas as etapas da operação.
Essa mudança também altera a lógica da adaptação à nova legislação. Os shopping centers precisarão revisar fluxos internos, conectar áreas que tradicionalmente trabalham de forma independente e garantir que as informações utilizadas desde a administração dos contratos até a emissão dos documentos fiscais sejam consistentes. Quanto mais estruturada for essa base, menor tende a ser o impacto da transição no dia a dia da operação.
Bosco Magalhães explica que esse movimento representa uma oportunidade para que os empreendimentos revisem modelos de gestão que, em muitos casos, permanecem praticamente inalterados há anos. Na visão do executivo, a Reforma Tributária deve acelerar uma transformação que já vinha acontecendo no setor: a substituição de processos fragmentados por uma gestão mais integrada, capaz de oferecer maior segurança para a tomada de decisões e para o cumprimento das novas exigências legais.
“No fim das contas, a Reforma Tributária não será lembrada apenas pelos novos tributos. Ela vai mudar a forma como as empresas trabalham. Quem enxergar esse momento apenas como uma obrigação fiscal vai cumprir a legislação. Quem aproveitar essa transformação para integrar informações, revisar processos e fortalecer a gestão estará construindo uma operação mais preparada para os próximos anos", co
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