Desde 2017, o PIB do Ceará parou. É só 2% do PIB nacional.
Essa participação do PIB cearense no PIB brasileiro foi de 1,81% em 1947; em 2017, chegou a 2,25%. Agora, só 2%.
Atentem: o município de Fortaleza, capital deste estado, responde por 37,4% do PIB cearense. Depois dele, vem o de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e sede do maior Distrito Industrial do Ceará, cuja produção equivale a somente 5,8% do PIB estadual. Em terceiro lugar, está Caucaia, na mesma RMF, em cuja geografia está instalado um pedaço do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Esse município participa com 4,3% do PIB cearense. Em quarto lugar, está São Gonçalo do Amarante, com 3%, dividindo com Caucaia a crescente riqueza do Pecém.
Em seguida, em quinto lugar, Sobral, onde estão uma grande fábrica de cimentos da Votorantim e a Grendene com suas sete unidades de produção de calçados, as quais já empregaram 25 mil pessoas e hoje empregam cerca de 10 mil por causa do efeito do tarifaço de Donald Trump, do crédito difícil e dos juros altos. A economia de Sobral equivale a apenas 2% do PIB estadual cearense, o mesmo percentual que que tem Juazeiro do Norte, a terra da Padre Cícero, que é forte no turismo religioso, mas ainda franciscano na indústria e no agro (a geografia juazeirense praticamente não tem zona rural).
Depois, Eusébio, uma cidade-dormitório, forte em serviço e na indústria por causa da presença da Fábrica Fortaleza, do Grupo M. Dias Branco. Eusébio gera 2,1% do PIB cearense, o mesmo que produz Aquiraz, outro município forte no turismo (é lá que está o Beach Park), mas raquítico na indústria. No nono lugar, está Horizonte das indústrias de calçados, fiação e tecelagem e, ainda, do Polo Automotivo (que por enquanto é só uma unidade de montagem de peças de automóveis que veem da China desmontados). Ele representa só 1,3% do PIB do Ceará No fim da lista dos 10 maiores PIBs cearenses, está Itapipoca, com sua geografia de praia, serra e sertão e com boas e belas praias que recebem turistas.
Os dados acima foram um dos temas do debate que travou, na última segunda-feira, 17, um time de 30 empresários da agropecuária do Ceará, os quais tomaram conhecimento, também, das linhas gerais do documento que a Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) elaborou para ser entregue aos candidatos a governador do estado, que receberão, ainda, da Federação das Indústrias (Fiec) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL) e da Federação das CDLs do Ceará documentos semelhantes, cada um apontando sugestões dos seus setores para o plano estratégico do próximo governo.
Um dos dados apresentados durante a reunião dos empresários do agro foi o de que 74,2% da atividade industrial cearense estão concentrados em seis setores: o da Construção Civil, representando 21,5% (nacionalmente, esse percentual é de 14,%); Alimentos, com 10,8% (no nível nacional, 13,4%); Couros/Calçados, com 9,8% (o percentual nacional é de 1,0%); Petróleo/Combustível, com 8,5% (contra 7,4% do nacional); Metalúrgica, com 7,1%, respondendo por 56,79% das exportações estaduais (3,6% no nível nacional); e SIUP (Serviços Industriais de Utilidade Pública), com 16,8% (contra 10,8% no nível nacional).
Por regiões, eis como está concentrada a economia cearense: a Região Metropolitana de Fortaleza, com 40,9% da população do estado, representa 56,5% do PIB estadual; a região Norte tem 10,3% do PIB do Ceará; a Sul, onde está o Cariri, tem 7,5%; a dos Sertões Cearenses, 5,8%; a do Jaguaribe, 5,7%; a do Centro Sul, onde fica Iguatu e aonde chegará o frigorífico do Grupo Masterboi, 2,7%; e a região Noroeste, onde se localizam Jericoacoara e outros municípios turísticos com seus luxuosos, lotados e caros hotéis de praia e várias fazendas de produção de camarão e tilápias, aparece em segundo lugar, com participação de 11,4% no PIB do Ceará, segundo os dados examinados pelos agropecuaristas.
Agora, atentem para a composição dos serviços: a administração pública, incluindo saúde e educação, respondem por 32,78% do PIB estadual cearense; o comércio, 16,70%; o setor imobiliário, 13,59%; financeiro, 5,43%; transporte, 3,72%; informação e comunicação, 3,24%; outros setores, 24,54%.
Outro dado que chamou a atenção dos empresários do agro na sua reunião da última segunda-feira: a participação do PIB cearense no PIB nacional era de 1,81% em 1947; em 2010, subiu para 2,04%; em 2017, chegou a 2,25%; depois, começou a cair quase 1% ao ano, até bater a casa de 2,12% em 2023. Segundo o IBGE e o Ipece, essa participação, hoje, gira em torno de 2%. É pouco, muito pouco, pois o Ceará tem condições de produzir muito mais, desde que sejam readequados os planos do governo aos da iniciativa privada na indústria, na agropecuária e no comércio e serviços.
Na indústria, a perspectiva é boa, desde que virem realidade os projetos que ainda estão no papel, como os de produção do hidrogênio verde; os Data Centers, o primeiro dos quais já está em acelerada construção, abrindo a perspectiva de criação de uma ponte aérea, que dentro de três anos, ligará a China ao Pecém: os grandes aviões cargueiros que trarão os equipamentos novos que substituirão os antigos (a Tecnologia da Informação atualiza-se a cada ano) retornarão cheios de mercadorias do Ceará, incluindo frutas, como melão e melancia. Este é o plano, cuja viabilização não é difícil.
No agro, também é otimista a expectativa: a Faec e o governo do estado estão juntos no projeto de transferir para a iniciativa privada (que tem dinheiro e expertise para investir) os perímetros irrigados administrados pelo Dnocs, os quais passariam a produzir, se acontecer essa mudança, culturas de maior valor agregado para os mercados interno e externo.
No comércio, há gargalos – juros altos, crédito complicado e difícil, endividamento das famílias, o que reduz o consumo – mas, mesmo assim, os comerciantes cearenses são criativos e ousados (é só ver como as redes supermercadistas do Ceará enfrentam e vencem a concorrência das grandes redes nacionais, uma delas reduzindo o número de lojas).
Esta coluna mantém o otimismo, sem embargo da montanha de desafios a serem vencidos. O ano de 2027 será uma autêntica maratona com obstáculos que exigirá coragem do próximo governo e engenho e arte do setor produtivo. Este 2026 já está precificado.
REJUNTAMIX TEM A BAHIA NO SEU RADAR
Novidade! Empresa 100% nordestina de origem cearense, a Rejuntamix, que produz uma linha completa de insumos químicos para a construção civil, tem planos de ampliar suas atividades e já colocou no seu radar o estado da Bahia.
Seu sócio majoritário e CEO da empresa, Luciano Braga, acaba de retornar de Salvador, onde participou da Feira Norte-Nordeste da Construção Civil, durante a qual apresentou toda a linha de produtos da Rejuntamix e iniciou negociações para abrir lá um Centro de Distribuição.
A Rejuntamix tem, hoje, cinco unidades fabris em Fortaleza, Juazeiro do Norte, São Luís, Natal e Maceió,
Prestem atenção a estas informações: o estado do Ceara tem 184 municípios. Pois bem: desses 184 municípios, 113 não tem, praticamente, renda tributária. Por quê? -- é a pergunta. E a resposta é: porque esses municípios, criados para atender a interesses da política e dos políticos, não têm atividade econômica de relevo, a não ser um ou dois postos de gasolina, uma ou duas oficinas mecânicas, alguns armazéns ou supermercados que abastecem de alimentos a população.
Nesses 113 municípios, a renda que chega vem da participação deles na divisão do bolo do ainda existente ICMS, do Bolsa Família, do vale gás, do vale alimentação, do vale transporte.
É por isto que há uma intensa guerra tributária entre os estados, na tentativa de atrair investimentos para esses municípios. O que arrecadam suas prefeituras mal cobra a despesa para manter a coleta do lixo, que é sempre despejado em lixões, e mesmo assim graças, também, ao dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios.
Mesmo com pouco dinheiro, os prefeitos transportam-se em caminhonetes luxuosas, ganham bons vencimentos, assim como os seus secretários e assessores e, também, os vereadores. Como estamos perto das eleições, vale perguntar: por que tanto interesse em ser prefeito de municípios sem renda tributária?
MULHERES DO MERCOSUL E DA UE TERÃO FÓRUM NA FIEC
No próximo dia 16 de setembro, Fortaleza receberá, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), mais uma edição do Fórum Mulheres Mercosul-União Europeia, iniciativa do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa que vem consolidando uma ponte estratégica entre empresárias do Mercosul e da União Europeia.
O evento contará com o patrocínio do Banco do Nordeste (BNB), instituição que atua no fortalecimento do desenvolvimento regional e no apoio ao empreendedorismo e às iniciativas voltadas à geração de oportunidades e negócios.
Após o sucesso da edição anterior realizada em Fortaleza, o Fórum retorna ao Ceará ampliando seu alcance e sua proposta de gerar conexões qualificadas, promover a internacionalização de empresas lideradas por mulheres e estimular novas oportunidades de negócios em mercados globais.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da aproximação econômica entre Mercosul e União Europeia, dois dos maiores blocos econômicos do mundo, que juntos representam mais de 700 milhões de consumidores e movimentam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
A programação reunirá empresárias, executivas, representantes de instituições públicas e privadas, especialistas em comércio exterior, inovação, sustentabilidade, ESG e governança corporativa. Além dos painéis e debates, o encontro contará com espaços de networking estratégico, matchmaking empresarial e atividades práticas voltadas à preparação de empresas para processos de exportação e expansão internacional.
Para Rijarda Aristóteles, presidente do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa e idealizadora do Fórum, o evento representa um movimento concreto para ampliar a participação feminina na economia global.
“O Fórum Mulheres Mercosul-UE nasceu para transformar conexões em oportunidades reais. Nosso objetivo é aproximar empresárias, fortalecer a cooperação econômica internacional e criar caminhos para que mais mulheres possam expandir seus negócios além das fronteiras. Fortaleza ocupa uma posição estratégica nesse cenário e tem se consolidado como um importante hub de conexões entre o Brasil, a Europa e os mercados globais”, destaca Rijarda Aristóteles.
Entre os temas centrais da programação estarão os impactos do acordo Mercosul-União Europeia, estratégias de internacionalização para pequenas e médias empresas, sustentabilidade, governança, inovação e competitividade nos mercados internacionais.
Promovido pelo Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, o Fórum integra um movimento internacional dedicado ao fortalecimento da liderança feminina, à geração de negócios e ao desenvolvimento de redes de cooperação entre empresárias de diversos países. Atualmente, a organização reúne mulheres de mais de 20 países e mantém uma agenda permanente de eventos, missões empresariais e iniciativas voltadas à expansão de negócios liderados por mulheres
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