Quadro fiscal e cena política adiam os investimentos

Diante desse panorama, o empresariado manter-se-á cauteloso ao longo deste ano, tirando o pé do acelerador do investimento e pisando o do freio da precaução. E mais: Irmãos Rocha, a sabedoria em lições práticas

Legenda: A polarização da campanha eleitoral e a incerteza sobre seu resultado adiam investimentos no Brasil e, também, no Ceará.
Foto: Carlos Marlon

Com juros reais em torno de 7% ao ano, o Brasil virou um bom negócio para quem, nacional ou estrangeiro, especula no mercado financeiro. Juro alto atrai o dólar, valoriza o real e ajuda a derrubar a inflação, que gira hoje em torno de 6% ao ano. 

Mas esse quadro monetário e cambial, que movimenta a Bolsa B3, cujo índice Bovespa tem crescido nos últimos dias, não deve durar muito. 

Primeiro, porque o cenário fiscal brasileiro é precário – as despesas do governo não caem, só aumentam, o Parlamento não aprova as reformas, o Executivo e o Judiciário parecem cão e gato, o clima eleitoral começa a agitar-se, para o que concorre a polarização da disputa entre os extremistas da direita e da esquerda, sobrando nenhum espaço nem abrindo qualquer perspectiva para uma chamada terceira via. 

Segundo, porque essa polarização – qualquer que seja o lado vencedor – parece desenhar um futuro difícil para a sociedade brasileira.

Lula, que representa a extrema esquerda, já disse que o MST, de comando ideologicamente socialista, terá protagonismo no seu governo, o que ameaça a propriedade privada e a livre iniciativa.
 
Por sua vez, Bolsonaro, que lidera a extrema direita, deve, se for eleito, agravar sua pública divergência com o Poder Judiciário, já tendo acenado para a possibilidade de não cumprir decisões, por exemplo, do ministro Alexandre de Morais, e aí estará criado um inédito impasse.

Diante desse panorama, o empresariado manter-se-á cauteloso ao longo deste ano, tirando o pé do acelerador do investimento e pisando o do freio da precaução.  

Há especulação para todos os gostos sobre, por exemplo, o futuro próximo da Petrobras. 

Lula já disse que, se eleito, interferirá na política de preços da estatal, que tem ações na Bolsa de SP e NY, assustando o mercado, que também está assustado com a ameaça de Bolsonaro de tirar do cargo, em abril, seu atual presidente, o general Joaquim Silva e Luna. 

O mercado – entenda-se por mercado, numa linguagem de arquibancada, um grupo de jovens diante de várias telas de computador, acompanhando as operações das bolsas de valores do mundo, especulando, com o dinheiro dos outros, com o objetivo de usufruir lucros na compra e venda de ações de empresas – está tentando, por enquanto sem êxito, precificar essas incertezas do quadro econômico, político e social do Brasil. 

Transplantemos essas incertezas para o Ceará. Há, hoje, a perspectiva de que os grandes projetos de produção do Hidrogênio Verde no Complexo do Pecém e os de geração de energia solar e eólica fora e dentro do mar cearense trarão para cá investimentos já estimados em US$ 300 bilhões pelos próximos 10 anos.
 
Sem saber que resultado sairá das urnas de outubro, o investidor, mesmo com Memorando de Entendimento assinado com o Governo do Ceará, preferirá efetivar seu investimento – ou não – depois de conhecer o futuro presidente da República.

A SABEDORIA EM LIÇÕES PRÁTICAS

Este colunista, de modo bissexto, encontra-se e trava conversa com os irmãos Manoel e Francisco Silva Rocha, que começaram vendendo peixe em um isopor na esquina das ruas Padre Valdevino e Silva Paulet e hoje são donos da F. S. Rocha Pescados e Mariscos e da Somariscos.  Ontem, novo encontro aconteceu. 

E a primeira pergunta dirigida a eles, que surgiu do nada, foi esta: Vocês acham que a política é dinâmica? 

Francisco, o mais velho dos dois, respondeu na velocidade do raio: 

“Eu pensava que isso era só aqui no Ceará, mas agora ela é dinâmica também em São Paulo. Veja o que vez o Alckmin! Passou a vida dizendo cobras e lagartos sobre o Lula e, agora, vai ser o vice dele na eleição de outubro”.

Manoel, que ouviu atento a opinião do irmão, comentou:

“Parece que tem razão quem disse que o fim justifica os meios”. 

A pergunta seguinte foi esta: A guerra na Ucrânia já provocou alguma repercussão no negócio de vocês? Francisco Rocha retorquiu de pronto:

“Por enquanto, não, mas com certeza vai provocar, porque no Brasil todo mundo aproveita qualquer coisa para aumentar os preços das mercadorias. Mas vai chegar a hora em que não será possível aumentar nada porque o consumidor vai virar as costas e fechar o bolso para o que for aumentado”.

Os irmãos Rocha seguem dando lições práticas de sabedoria.

SEM FRONTEIRAS PARA O CONHECIMENTO

Boa notícia para os da melhor idade! Com o objetivo de agregar conhecimento profissional a pessoas de todas as idades, a Universidade Sem Fronteiras (USF) lançará a sua mais nova plataforma de educação no Ceará. 

A partir do próximo mês de maio, os públicos maturity e sênior poderão ter acesso à USF e saber mais sobre os seus cursos profissionalizantes nos períodos diurno e noturno. 

O primeiro curso, oferecido em parceria com o grupo MM Invest, será o de analista financeiro, que se iniciará no dia 28 de maio.

Nos dias de hoje, são permanentes a educação e a busca pelo conhecimento.

PETROBRAS E O ICMS NO CEARÁ

Em 2021, a Petrobras recolheu R$ 2,3 bilhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Ceará.

Essa contribuição da estatal equivaleu a 14,4% de tudo o que este Estado arrecadou de ICMS no ano passado, com um detalhe: o produto dessa receita foi 53% maior do que os R$ 1,5 bilhão recolhidos em 2020. 

No exercício de 2021, a Petrobras recolheu R$ 93,5 bilhões em ICMS em todo o país, valor que representa um aumento de 43% sobre os R$ 65,5 bilhões recolhidos no exercício anterior de 2020.