PIB do Ceará: é possível fazer do limão uma limonada

Grandes projetos de infraestrutura e de plantas industriais catapultarão a economia cearense até 2032

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A Ferrovia Transnordestina, quando estiver totalmente em operação, ajudará no crescimento do PIB do Ceará
Foto: Divulgação
Um oferecimento de:

Elmano de Freitas e Ciro Gomes, que lideram a corrida ao governo do Ceará, cujo primeiro turno se dará no próximo dia 4 de outubro, conhecem de cor e salteado os problemas da economia estadual, que precisa de ser mais dinamizada para que cresça de forma rápida e sustentável a ponto de ampliar sua participação no PIB nacional, que hoje ronda os minguados e antigos 2%, depois de haver chegado em 2017 a 2,25%. É um percentual franciscano, como esta coluna o disse ontem, mas, ao contrário do que pensaram, de modo diferente, os aliados dos dois candidatos, as perspectivas de curto prazo são otimistas, inobstante o panorama econômico nacional. Podemos fazer desse limão uma limonada. 

Vamos por partes. O PIB do Ceará ampliará sua participação no PIB nacional quando estiverem instalados e em operação os grandes projetos em execução ou prestes a serem executados, e isto se dará no horizonte de agora até 2032. Daqui a seis anos, a tão sonhada Ferrovia Transnordestina será uma realidade que, integrada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém e com possibilidade de integração à Norte-Sul, transportará as novas cargas de exportação e de importação do Ceará.  

No Porto do Pecém, em 2032, já estará implantada e em operação a refinaria de petróleo de um grupo israelense que produzirá óleo combustível marítimo, o bunker, além de gasolina e óleo diesel (há neste momento um detalhe em discussão sobre a distribuição desses produtos, mas nada que possa atrapalhar o já atrasado cronograma de instalação dessa unidade de refino, cuja licença ambiental já foi concedida, segundo informou uma fonte desta coluna).  

Já começou os serviços de mais uma ampliação do Porto do Pecém, cujo Terminal de Múltiplo Uso (TMUT) ganhará mais um berço de atracação, para o que o seu molhe de proteção está sendo estendido na direção Oeste. Esse novo berço destinar-se-á à movimentação de grãos e das cargas dos futuros projetos de geração de energia eólica offshore.  

Tem mais: já foram iniciados, pela Marquise Infraestrutura, os serviços de construção do “píer zero” do Porto do Pecém, no qual atracará a usina flutuante de regaseificação que abastecerá de gás natural a termelétrica que a Eneva e a Diamante começarão a construir na área daquele complexo. 

Na geografia da ZPE do Pecém, causa admiração a celeridade com que sai do chão o primeiro grande Data Center do Ceará, que será o maior do Brasil e da América Latina. Desenvolvido pela brasileira Omnia para seu cliente chinês ByteDance, dono do TikTok, esse Data Center será movido por energia renovável a ser fornecida pela Casa dos Ventos e refrigerado por água de reuso da Unitas, empresa de cujo capital fazem parte a Cagece e o Grupo Marquise. A Omnia diz e repete que, por causa das novas tecnologias utilizadas hoje por Data Centers, o consumo de água do equipamento será insignificante. 

Há, ainda, na área do Complexo do Pecém, outra boa perspectiva: a ArcelorMittal confirma que iniciou estudos para a implantação, na sua siderúrgica, de uma unidade de laminação a quente, que, segundo os especialistas, é o primeiro passo para o cumprimento de uma promessa feita pelo atual CEO da empresa, Erick Freitas, no dia de sua posse: uma laminação a frio, que poderá produzir aço plano para a fabricação de produtos da chamada linha branca (fogões, refrigeradores etc) e até de automóveis. 

Mas há boas perspectivas para além do que se passa e se passará no Complexo do Pecém. O agro e a indústria também têm projetos e a estes a coluna referiu-se ontem. 

NELSON PRADO: A PERDA DE UM VISIONÁRIO 

Perdeu ontem a economia do Ceará um dos seus mais importantes agentes, o empresário agropecuarista Nelson Prado, dono da Fazenda Laguna, localizada em Paracuru onde criava o maior rebanho bubalino do estado e onde instalou uma unidade industrial que produz saborosos e sofisticados queijos de búfala.  

Irmão de outro extraordinário e também visionário empresário, Carlos Prado, fundador da Ceará Máquinas Agrícolas (Cemag) e da Itaueira Agropecuária, Nelson deixa um legado que inspira seus filhos, que já vinham tocando, com êxito, a gestão do negócio.  

O comunicado por meio do qual a família transmitiu a notícia do seu falecimento diz, muito corretamente, que ele foi “um homem de valores inegociáveis, paixão pelo campo e dedicação incansável”, transformando-se no “alicerce sobre o qual construímos nossa história de 30 anos; sua liderança pioneira, aliada ao amor pelo trabalho e ao respeito à terra, transformou um sonho em um legado que hoje alimenta e orgulha milhares de famílias”. 

E diz ainda: “Mais do que um grande empresário, sr. Nelson foi um mestre, amigo e inspiração diária para colaboradores, parceiros e todos que tiveram o privilégio de conviver ao seu lado. Seu legado de integridade, trabalho duro e visão de futuro permanecerá vivo em cada detalhe de nossa jornada.”