Mato-grossenses plantam 3 mil hectares de soja na Chapada do Araripe

Na região, o solo é bom, o clima é ótimo e a pluviometria é excelente: varia de 700 mm a 1.000 mm. Uma benção!

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:10)
Legenda: Na Chapada do Araripe, planta-se soja agora, como primícias para o plantio do algodão (foto) daqui a dois anos
Foto: Antônio Rodrigues
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Em primeira mão! Produtores mato-grossenses iniciaram, neste mês, na Chapada do Araripe, na região do Cariri, no Sul do Ceará, o cultivo de soja numa área de três mil hectares. O cultivo desenvolve-se em sequeiro, isto é, dependente 100% da água da chuva, mas a aposta dos que investem nessa cultura é a de que a pluviometria média da região é excelente, variando entre 700 milímetros e 1 mil milímetros. Uma benção celeste! Neste momento, a soja plantada lá já cresceu aproximadamente 15 centímetros, o que revela a boa umidade do solo araripino, que foi beneficiado por boas chuvas neste mês de fevereiro. 

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) Amílcar Silveira, disse à coluna que o clima e o solo da Chapada do Araripe, são ideais para os vários ramos da agricultura, incluindo a que utiliza modernas tecnologias. Ele lembrou que o plantio de soja naquela área do Sul cearense faz parte do plano de transformar a área num polo produtor de algodão. E a sja faz parte desse plano. 

 (O Ceará, nos anos 50, 60 e 70 do século passado foi um dos maiores produtores dessa fibra no país, chegando a produzir e a exportar 150 mil toneladas de pluma, o que hoje é pouca coisa, quase nada, diante da produção e da produtividade alcançada pelos grandes estados produtores, como Mato Grosso e Bahia). 

Luiz Roberto Barcelos, consultor empresarial na área da agricultura, desconfia de que o algodão, cultivado em área de sequeiro, tem pouca chance de vingar. Mas ele tem outra opinião, quando se lhe é apresentada a Chapada do Araripe. Barcelos diz: 

“Na Chapada do Araripe, eu acredito”. 

A opinião de Luiz Roberto Barcelos repercutiu junto ao presidente da Faec, que apontou a pluviometria média da Chapada do Araripe como uma vantagem comparativa diante das demais regiões do Ceará. Araripe está 900 metros acima do nível do mar e tem uma temperatura considerada ideal para a cotonicultura. Seu solo, agora está provado, pode receber, com boa e imediata resposta, qualquer cultura, inclusive a do algodão.  

Amílcar Silveira volta a lembrar que o plantio, agora, da soja é o passo inicial para a preparação do solo que, daqui a dois anos, receberá as primeiras sementes do algodão. Isto quer dizer que os produtores mato-grossenses investem hoje na fertilização do solo como primícias para a cultura do algodão, cujas sementes já foram produzidas pela Embrapa, que criou um cultivar exclusivo para a Chapada do Araripe.  

Naquela região do Cariri cearense, além de grandes agricultores de Mato Grosso, chagaram, também, produtores de Tocantins e do Piauí. Esse time de “estrangeiros” já adquiriu cerca de 30 mil hectares para o plantio de soja, algodão e outras culturas, “e eles estão satisfeitos, pois veem total viabilidade econômica para os seus investimentos”, como diz à coluna o presidente da Faec. 

Deve ser lembrado que o Projeto Algodão do Ceará, lançado há dois anos pela Faec em parceria com a Fiec, o Sebrae e o governo do Estado, prevê o desenvolvimento da cotonicultura em toda a Chapada do Araripe. Amílcar Silveira não deixa por menos: 

“Em cinco anos, teremos uma área de 100 mil hectares cultivada, sustentavelmente, de algodão e soja na Chapada do Araripe. Cada uma dessas culturas será, naturalmente, desenvolvida em épocas diferentes do ano, permitindo o total e correto aproveitamento do solo, respeitando a legislação ambiental”, diz ele. 

Mas o presidente da Faec também vê a Chapada do Apodi e áreas do Sertão Central do Ceará como também propícias à cotonicultura, e cita o caso da Fazenda Nova Agro, onde já se planta e colhe, de forma mecanizada, algodão e soja em área ainda pequena (não mais do que 1.500 hectares) por causa da limitação da rede elétrica. Mas a perspectiva é boa: a Enel está investindo na melhoria de sua rede de distribuição naquela região, prevendo entregar até o fim do ano uma nova subestação, além de providências que estabilizarão a tensão de sua rede elétrica. 

Otimista, Amílcar Silveira repete sua opinião, segundo a qual o Ceará voltará a ser, em pouco tempo, um dos grandes produtores de algodão do país, e para isto a Faec conta com o apoio do governo estadual e a parceria da Fiec e do Sebrae. 

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