Leilão de Energia: o Ceará, de novo, é beneficiado pela sorte

Uma usina a óleo diesel no RN fornecerá energia a R$ 2,050 mil por MWh. A Portocém, no Pecém, movida a gás, fornecerá a R$ 490 por MWh. Leia mais: 1) Natal é festa do amor, mas há ameaça de crise; 2) Agropaulo e Sedet unidas pelo orgânico.

Legenda: As usinas termelétricas a gás natural ou a óleo diesel ainda são necessárias para tempos de crise
Foto: JL Rosa

Eis o quadro da matriz elétrica brasileira: 57% dela são grandes hidrelétricas e 4% são pequenas e muito pequenas hidrelétricas, as quais representam 61% da capacidade de produção de energia dependente de água, ou seja, de chuva. 

Outros 10,85% são usinas eólicas e apenas de 2,13% são usinas solares. E 1,1% provêm de fonte termonuclear. Os restantes 25,4% vêm das caras e ainda necessárias usinas termelétricas, que são movidas por combustíveis de origem fóssil.

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Para a formação do preço da energia, via PLD (Preço da Liquidação das Diferenças), o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), considera como piso de R$ 55,70/MWh o preço da energia gerada pelas fontes renováveis, cuja matéria prima é concedida pela natureza. E considera como teto de R$ 646,58/MWh o preço da energia gerada pelas termelétricas.

Resumindo: até que pelo menos triplique a atual potência instalada e gerada pelas energias renováveis – solar e eólica, primordialmente – as usinas térmicas são e serão necessárias para dar estabilidade ao sistema elétrico brasileiro.

A crise hídrica deste ano levou o governo a promover, na última terça-feira, um leilão de energia de reserva de fonte térmica (só operarão quando se fizer necessário), cujo preço chegou a R$ 500 MHh. Um evento na contramão do esforço mundial de produzir energia de fontes renováveis, o que, aliás, o Brasil vem fazendo, principalmente no Nordeste.

Mas, neste país, é forte, muito forte o lobby das térmicas a óleo diesel, que entraram na Justiça com pedido de liminar e entraram no leilão, dele saindo vencedores em alguns lotes, razão pela qual fornecerão energia a preços a partir de R$ 1.050,78 por MHh com a Usina Geramar I e II, no Maranhão, alcançando o pico de R$ 2.050,45 por MWh com a Usina Potiguar III, no Rio Grande do Norte.
 
Estamos diante de um total absurdo, tendo em vista que o governo pagará a distribuidora o preço teto do PLD de R$ 646,58 por MWh, cabendo ao consumidor, que somos todos nós, o pagamento da diferença de R$ 1.403,78 embutida na tarifa de bandeira vermelha, como acontece hoje. 

Caso venha a ser necessário ligar essas usinas térmicas a óleo diesel, o custo para o Governo será de R$ 22,6 bilhões, a preço de hoje, um custo que a população terá de pagar.

Do leilão desta semana, o Ceará foi o grande beneficiado, porque a Usina Portocém-1, que arrematou o principal lote, venceu com o preço de R$ 490,37 por MWh. Consequência: quando for necessária a sua operação, a usina cearense não acarretará custos adicionais ao consumidor brasileiro, que sempre paga as contas dos lobbies que rondam Brasília.

Resta à população brasileira exercitar cada vez mais sua fé, e clamar a Deus por chuvas sobre os principais rios afluentes das grandes hidrelétricas do Brasil, como, por exemplo, o rio Paraná para as usinas Itaipu e Usina Ilha Solteira; rio Xingú para a usina de Belo Monte; rio Tocantins para a usina Tucuruí; rio Madeira para as usinas Jirau e Santo Antônio; e rio São Francisco para a cascata de usinas da Chesf – Xingó, Paulo Afonso, Itaparica e Sobradinho.

A usina Portocém, que será instalada no Complexo do Pecém, será movida a gás natural a ser fornecido pela Shell (que é holandesa). Ela gerará 1,3 GW (gigawatts) e consumirá investimentos de R$ 4,2 bilhões a serem feitos pelo consórco vencedor, integrado totalmente por empresas norte-americanas. 

NATAL É FESTA DO AMOR, MAS HÁ AMEAÇA DE CRISE 

Nesta véspera do Natal, em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo, a humanidade veste a roupa da confraternização. 

Mesmo em difícil e complicado cenário econômico (inflação alta, juros subindo, dólar nas alturas), social (desemprego persistente) e sanitário (no Brasil morreram mais de 620 mil pessoas vítimas da Covid-19), o espírito de solidariedade do povo brasileiro – o cearense no meio – deixa de lado as divergências domésticas e públicas para unir-se na festa do amor, que é a mensagem divina transmitida aos homens de boa vontade desde o estábulo onde nasceu o menino Deus, em redor dos quais se reuniram os reis magos que Lhe trouxeram incenso, ouro e mirra.
 
Pelo menos nestes dias natalinos, reduz-se o incêndio da conflagração política, que estará de volta tão logo cesse a pirotecnia com a qual todos saudaremos o Ano Novo. 

A polarização da política – extrema esquerda versus extrema direita – bem conduzida pela oposição e pela mídia – tem marcado a vida nacional. 

Pelo que se vê, lê e ouve, não há nem haverá terceira via com força e estrutura capazes de mudar o rumo do processo eleitoral de 2022. Que Brasil surgirá depois do pleito presidencial do próximo ano é impossível prever hoje. 

Para o empresariado, contudo, há uma certeza imediata: a de que, pelos próximos 12 meses, os investimentos estarão, no mínimo, adiados. Ou cancelados, dependendo do resultado da eleição. Nenhum investidor ousará começar, ampliar ou modernizar seu negócio na indústria, na agropecuária ou no comércio diante do desconhecido. 

E o que há no curto prazo é a escuridão, piorada pelas últimas decisões dos poderes Executivo e Legislativo, que agravaram o já gravíssimo quadro das contas públicas, numa atitude absolutamente irresponsável e que poderá ter consequências imediatas na administração federal: auditores fiscais e técnicos do Banco Central exoneraram-se dos seus cargos como sinal de protesto contra o privilégio concedido pelo Parlamento, em conluio com o Palácio do Planalto, à Polícia Federal, cujos delegados ganharam generoso aumento de vencimentos, em detrimento das demais categorias.

Há uma ameaça de caos no serviço público, e isto pode provocar uma crise política e administrativa neste fim de ano. 

AGROPAULO E SEDET JUNTAS PELO ORGÂNICO

Tornaram-se parceiras a Agropaulo Agroindustrial S/A, empresa do Grupo Telles, controlada pelo industrial e agropecuarista Everardo Telles, e a Secretaria Executiva do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet).

Dirigida pelo administrador de empresasFabiano Mapurunga, a Agropaulo – que produz defensivos orgânicos e fertilizantes – apoiará o projeto da Sedet de criar um Polo de Orgânicos nos Sertões de Crateús, “onde há uma vocação para o turismo ecológico e para a produção de hortifrutis orgânicos”, como explicou o secretário Sílvio Carlos Ribeiro.

Eis aí uma excelente Parceria Público Privada.

M. DIAS BRANCO NO NOVO ÍNDICE DA B3

Uma boa notícia: a cearense M. Dias Branco, líder do mercado nacional de massas e biscoitos e integrante do Novo Mercado da B3, foi selecionada para a 17ª carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, que valerá a partir de janeiro de 2022. 

É a segunda vez consecutiva que a companhia é selecionada para integrar o índice. A primeira foi em janeiro de 2021 e a M. Dias Branco permaneceu na seleção durante todo o ano. 

A nova carteira do ISE B3 reúne ações de 45 companhias pertencentes a 26 setores.
 
Criado em 2005 como forma de balizar investidores que buscam companhias que pautem sua atuação com base em padrões de sustentabilidade socioambiental, o ISE foi reformulado neste ano, após consultas públicas ao mercado, tornando-se ainda mais rigoroso.
 
A pontuação ESG (Ambiental, Social e Governança) das companhias passou a ser pública, bem como os critérios para inclusão e exclusão nas carteiras.