Hotelaria: Fortaleza perde de goleada para J. Pessoa e Maceió

Nos últimos cinco anos, fecharam-se aqui hotéis de 4 e 5 estrelas, enquanto nas capitais da PB e AL seguem os investimentos no turismo de alta renda

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 05:09)
Legenda: O Hotel Ponta Mar, um 4 estrelas na Avenida Beira Mar, em Fortaleza, está sendo demolido. No seu lugar, um condomínio residencial.
Foto: Divulgação / Instagram
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João Pessoa, a bela capital da Paraíba, e Maceió, nas Alagoas, estão dando de goleada em Fortaleza na construção de novos hotéis para atender à demanda crescente do seu setor de turismo. Lá, ainda há gargalos a serem superados – principalmente o precário acesso aéreo aos dois destinos – mas o futuro próximo aponta para o rápido incremento da atividade turística de alta renda nas geografias paraibana e alagoana. Esta coluna conversou, nos últimos dias, com empresários e executivos do trade turístico do Ceará e ouviu deles a lamentação de que, nos últimos cinco anos, caiu, fortemente, a oferta de leitos em hotéis de 4 e 5 estrelas.  

“Enquanto aqui surgiram hotéis para o turismo de massa, ou seja, de uma e duas estrelas e pousadas com diárias muito baratas, em Maceió e João Pessoas os investimentos concentraram-se, e seguem concentrados, na implantação de empreendimentos de 4 e 5 estrelas, ou seja, para atender a uma clientela de maior poder aquisitivo”, explicou o executivo de uma unidade hoteleira desta capital, falando com ar de tristeza. 

Outro executivo explicou que a malha de voos domésticos, de e para Fortaleza, tem contribuído para a queda, nesta capital, da movimentação de turistas de renda mais alta. E citou como exemplo o caso da Gol Linhas Aéreas, que, “simplesmente, de uma hora para outra, cancelou os voos dos seus aviões daqui para Recife e de lá para cá”.  

Hoje, ele disse, a Gol não tem mais voo direto daqui para Recife; o que existe é via Brasília, “que custa uma fortuna”.  

No Porto das Dunas, no vizinho município de Aquiraz, registra-se uma expansão hoteleira que cresce por causa do Beach Park, maior parque aquático do país e um dos maiores da América Latina.  

O dono de um bom hotel de 3 estrelas na Aldeota revela que o Grupo Tauá, de Belo Horizonte, com forte e firme atuação no setor hoteleiro de Minas Gerais, está fazendo um investimento pesado na construção de um resort em João Pessoa, “algo em torno de 400 a 500 quartos”. Outra revelação: a Prefeitura de João Pessoa doou terrenos nas proximidades do Centro de Convenções da cidade, onde, além do Grupo Tauá, investem também outras empresas do setor, como a Ocean, que tem hotéis em Natal, na implantação de resorts bem diante do mar paraibano. 

A mesma fonte lembra que 1) o Grupo BSpar, em parceria com a Construtora Colmeia, constrói um resort no Porto das Dunas; 2) há um pequeno incentivo para quem quiser construir hotel na Praia do Futuro, onde, há poucos anos, foi aberto o Mareiro, de categoria 4 estrelas; 3) na Praia do Futuro “não cabe um grande resort, porque os terrenos de lá são caros e não há possibilidade de fazer uma unidade hoteleira ‘pé na areia’, uma vez que existe uma avenida entre os terrenos e a beira da praia, onde, antes do mar, estão as barracas”. 

Em relação à malha aérea, o gerente geral de um grande hotel de Fortaleza lamenta a decisão da Gol de reduzir ao mínimo seus voos de e para Fortaleza.  

“Para ir e voltar do Recife, só temos a Gol e a Azul, que, diante da circunstância, elevaram o preço da passagem para a capital pernambucana”, disse ele, acrescentando: 

“Em determinado momento, a Gol foi muito importante para o turismo de Fortaleza, chegando a celebrar acordo de operação com a Air France-KLM, que ia muito bem, mas, inesperadamente, a coisa foi mudando para a TAM, que hoje tem de 12 a 13 voos diários para São Paulo. Não sei o que aconteceu com a Gol em relação ao governo do estado, que lhe dava incentivo fiscal, com redução do ICMS incidente sobre o combustível”. 

Resumindo: houve mesmo, de poucos anos para cá, um desinteresse de investidores locais, nacionais e estrangeiros de investir na hotelaria de Fortaleza, preferindo fazê-lo nas praias do Litoral Leste, como a de Icapuí, e, principalmente, no Norte e Oeste, onde se encontram os mais caros e alguns dos melhores hotéis do Ceará, como os localizados nas praias de Flexeiras, Preá e Jericoacoara. 

Mas o diretor de um hotel estrelado comentou que a queda da ocupação hoteleira em Fortaleza, no último mês de janeiro, alta espação de férias, “também foi causada por uma política errada de preço de diárias”, insinuando que, se a tarifa fosse menor, certamente a taxa de ocupação teria maior. Faz sentido.

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