Governo do Ceará dá pouca atenção à Tecnologia da Informação e Comunicação

Por culpa da ausência governamental, desconhecem-se os ativos da TIC no Estado, como reclama a comunidade tecnológica através das redes sociais. Empresários começam a falar sobre o tema.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 08:53)
Legenda: A comunidade da Tecnologia da Informação pede mais atenção do governo do Estado
Foto: Shutterstock
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Vai bem o Ceará em vários setores da economia – na indústria, na agropecuária empresarial e no desenvolvimento de grandes projetos nas áreas das energias renováveis e, destacadamente, na proposta de implantação do Hub do Hidrogênio Verde, no Complexo do Pecém. 

Desses empreendimentos são protagonistas o governo do Estado, sua iniciativa privada, liderada pela Federação das Indústrias (Fiec), e sua academia, capitaneada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). 

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Porém, deixa muito a desejar a liderança política cearense e seus parceiros empresariais e acadêmicos no que tange a inexistência de uma política de estímulo ao desenvolvimento da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que, para sobreviver, usa respiradores artificiais produzidos e fornecidos por meia dúzia de abnegados, como os que trocam ideias pela internet através de uma rede social a que deram o nome de Fortaleza Digital.

Nesta semana, um empresário da agricultura, João Teixeira, destacado produtor de bananas, lamentou, por essa mesma via social, que, até agora, não tenha o governo estadual revelado sensibilidade para, por exemplo, criar um Grupo de Trabalho que levante os ativos da TIC no Ceará. Teixeira escreveu o seguinte na rede social:

“Todos nós sabemos da grande importância desse setor para a nossa Economia. Entendo que é necessária, urgente, uma troca de ideias entre o governo do Estado e representantes da área (da TIC), com o objetivo de definir Políticas Públicas e de estabelecer uma governança para o setor, não só dentro do ambiente do Governo, mas também fora dele.”

João Teixeira, conciso e objetivo no uso das palavras, acrescentou, dirigindo-se aos integrantes desse grupo social, que transmite até três centenas de mensagens por dia, propagando os sonhos de cada um:

“Fazemos parte de um grupo seleto, cheio de amigos no Governo, com excelente relacionamento, e mesmo assim não conseguimos, pelo menos, sensibilizá-lo, levando-se em conta que estamos às vésperas do início de uma nova administração”.

 A manifestação de João Teixeira provocou imediato pronunciamento de um dos proeminentes e ativos participantes do Fortaleza Digital, que escreveu o que se segue:

“Por que é preciso que alguém do setor da agropecuária, como nosso amigo João Teixeira, venha nos alertar de que temos de fazer mais aqui na terrinha? Eu posso tentar uma explicação simples. Primeiro, porque ele é empresário grande em seu setor e sabe da importância que a TIC tem para seu negócio e para qualquer outra área da vida humana neste planeta, inclusive a área dos Governos. 

“Segundo, porque ele conhece nosso ecossistema, conhece como funcionam os governos e sabe que estes podem fazer mais e melhor, se apoiarem efetivamente esse ecossistema. Nós e muitas outras entidades desse ecossistema já mostramos caminhos, já aprendemos a trabalhar juntos, mas é preciso a criação de um organismo que faça isso de forma estruturada, permanente e articulada. Sem isso, correremos enquanto outros voam.”

Ele não disse quem são os outros que estão voando, mas com certeza quis referir-se aos pernambucanos, os quais, no que tange à TIC, estão no mínimo 10 anos à frente dos cearenses. 

Que tal começar a voar, fazendo o levantamento dos ativos que tem o Ceará na área da Tecnologia da Comunicação e Informação – a TIC?