Faec e Fiec juntas pela revitalização da Cajucultura cearense

Desse esforço fará parte a Embrapa Agroindústria Tropical, cujos cientistas criaram o cajueiro anão precoce e já desenvolveram novas variedades da fruta. E mais: João Soares Neto fala sobre Jô Soares

Legenda: Ameaçada de extinção, a cajucultura cearense será revitalizada por meio de um esforço da Faec e da Fiec, com apoio da Embrapa
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Atividade seriamente ameaçada de extinção por falta de investimento na substituição das árvores antigas, de copa larga e alta e de baixíssima produtividade, pelas novas, anãs precoces e de altíssima produtividade – a cajucultura cearense deverá passar por uma revolução nos próximos anos, se vingar – e os sinais neste sentido são positivos – a articulação que, sob a liderança da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), está a mobilizar toda a sua cadeia produtiva. 

O presidente da Faec, Amilcar Silveira, convidou para uma reunião, a realizar-se na próxima semana, alguns dos principais atores cearenses da produção e da industrialização do caju, entre eles o presidente da Câmara Temática da Cajucultura, o presidente do Sindicato Rural de Horizonte e os empresários e sócios majoritários da Resibras e da Usibrás, grandes beneficiadoras e exportadoras de amêndoa, além do secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), para a análise da questão e a definição das ações que serão implementadas com o objetivo de reanimar um setor importante da economia primária deste Estado, empregador intensivo de mão de obra.

Na opinião de Amílcar Silveira, a estratégia da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), “voltada para a agricultura familiar, distribuindo mudas, não tem dado resultado”, e agora a Federação da Agricultura, “decidiu fazer as coisas, chamando o governo do Estado para ser parceiro, mas, assim como estamos fazendo em outras ações, tentando ser protagonista dessa nova realidade”. 

A ideia da Faec é convidar, “para ser o principal parceiro desse projeto, a Embrapa Agroindústria Tropical”, da inteligência de cujos cientistas nasceu o cajueiro anão precoce e se desenvolvem, neste momento, novidades tecnológicas na cajucultura”, como adiantou o presidente da Faec.

“Nossa ideia, já combinada com a Embrapa, é elegermos cinco municípios, nos quais implantaremos projetos-piloto para que sejam desenvolvidas as novas variedades de cajueiro anão criadas pelos cientistas da Embrapa, com as quais pretendemos soerguer a cajucultura no Ceará”, disse Amílcar Silveira.

Ontem, o presidente da Câmara Temática do Caju, José Ismar Girão Parente, em ofício dirigido à presidência da entidade, afirmou que “é imprescindível que a Faec “lidere e coordene” o que ele chamou de Plano Tático Operacional para a Sustentabilidade do Agronegócio Caju no Estado do Ceará”. 

Ismar sugere que, com esse objetivo, a Federação da Agricultura se articule “com a Federação das Indústrias (Fiec) e com as demais representações dos diversos elos da cadeia produtiva”.

Essa articulação, que já começou, chega no momento em que há uma convergência de esforços das principais entidades empresariais do Ceará – a Fiec e a Faec – com o objetivo de, em parceria com o governo do Estado, viabilizar a execução  dos grandes projetos de interesse da economia cearense, de que fazem parte, por exemplo, o Hub do Hidrogênio Verde do Pecém e a revitalização da cajucultura. 

Ontem, falando a esta coluna, Amílcar Silveira, rasgou elogios ao seu colega presidente da Federação das Indústrias, Ricardo Cavalcante, pelo retumbante sucesso que obteve na idealização e execução do Fiec Summit, que reuniu na Casa da Indústria, durante dois dias, 1.345 empresários, executivos, investidores, pesquisadores e especialistas de 18 países que, hoje, já dominam ou pretendem dominar a tecnologia de produção do Hidrogênio Verde.

Ao tomar conhecimento da manifestação do seu colega da Faec, o presidente da Fiec fez questão de ressaltar a liderança de Amílcar Silveira, que está a dinamizar a entidade, colocando-a como protagonista do setor primário da economia cearense. 

Essa convergência Fiec-Faec foi aplaudida, ontem, pelos empresários Raimundo Delfino, que cultiva algodão e soja na Chapada do Apodi e lidera a Santana Textiles, indústria de fios e tecidos índigo; Cristiano Maia, maior produtor de camarão do país e também industrial da área de ração; Tom Prado, sócio e CEO da Itaueira Agropecuária e também industrial da área de sucos de frutas; Luiz Roberto Barcelos, sócio e diretor da Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora mundial de melão e melancia; e Jorge Parente, membro do Conselho de Administração da Alvoar, gigante do setor de lacticínios que nasceu da fusão da cearense Betânia Lácteos, da qual ele é sócio e diretor, com a mineira Embaré. 

Os cinco foram ouvidos por esta coluna sobre a estratégia da Faec para a revitalização da cajucultura e concordaram com ela, considerando-a adequada ao momento de renovação e inovação por que passa a agropecuária do Ceará.

JÔ SOARES: UMA OPINIÃO

Do empresário João Soares Neto, empreendedor do Shopping Center Benfica e um intelectual que analisa o cotidiano:

“Em março de 2012 perdemos Chico Anysio. Agora, neste agosto de 2022, Jô Soares se foi. Na verdade, o Brasil está ficando sem graça faz muito tempo. No Século 20 o Brasil era um país em desenvolvimento. Não saiu disso, pois ninguém pode acreditar hoje em um país que abandona seus miseráveis morando em áreas comandadas por facções. No meado e no fim do século 20, facção era apenas uma atividade de pessoa ou empresa de pequeno porte que fazia, por exemplo, no mundo da indústria de confecção, uma parte do processo. Já no fim do XX e por conta da extrema pobreza de áreas abandonadas pelos governos, começou a aparecer outro uso da palavra. Surgiam as facções criminosas, distribuídas e com tarefas específicas. Neste 2022, por desídia pública, há grandes áreas dominadas e nas quais há uma governança por líderes. Esses líderes poderiam ser do bem, mas por raiva, falta de oportunidade e desengano, optaram por outros caminhos. Fazer graça parece fora de moda. do jeito que se fazia. O contrário de graça é desgraça.”