Com Licença Ambiental, Refinaria do Pecem operará em 2025

Gabriel Debellian, CEO da Noxis Energy, disse ao site NortearPetro, especializado no mercado de combustíveis, que o Porto e a ZPE do Pecém foram fundamentais para a localização do seu projeto

Legenda: No Porto do Pecém, a Noxis Energy terá um píer especial para receber petróleo e exportar combustíveis
Foto: Carlos Marlon / Diário do Nordeste

Se a Licença Ambiental for concedida até o próximo mês de outubro, como é a expectativa dos dirigentes da empresa, a refinaria de petróleo que a Noxis Energy implantará na ZPE do Ceará, no Complexo do Pecém, entrará em operação no segundo semestre de 2025, segundo disse o seu CEO, Gabriel Debellian.

Ele falou ao NortearPetro, um site especializado em petróleo e gás, tendo sido entrevistado por Geraldo Lucena, consultor em combustíveis; Ramon Lucena, trader do mercado de combustíveis; e Nélio Wanderley, também especialista em combustíveis, que o saudaram como um dos mais experientes profissionais do setor, fazendo referências ao seu passado de engenheiro na Marinha do Brasil e da Petrobras, onde atuou na área marítima e de logística.


 
Durante uma hora e meia, os três entrevistaram Debellian sobre o projeto de refino da Noxis no Pecém, que produzirá “bunker fuel”, combustível especial para navios, e, também, gasolina e óleo diesel para os mercados cearense e nordestino.

O CEO da Noxis começou dizendo que o projeto da refinaria do Pecém ”é importantíssimo não só pra nós, mas para o Brasil nos tempos atuais”. Lembrou que o projeto começou em 2015, quando a ONU baixou resolução determinando que, de 2020 em diante, o combustível dos navios teria baixo teor de enxofre, o que provocou uma revolução nos métodos de refino.
 
Em 2018, a Noxis foi criada e a ela aderiram vários investidores que conheciam as necessidades do setor e incentivaram a empresa a desenvolver o projeto com foco em combustíveis marítimos, o bunker.
 
“Evidentemente, uma refinaria não faz só um tipo de combustível. Ela faz a gasolina, o diesel e o gás como subprodutos, mas 60% da refinaria são para bunker. Hoje, temos um compromisso internacional com uma das maiores fornecedoras de combustíveis marítimos do mundo, uma empresa europeia, de assumir por 10 anos a nossa produção de bunker. Isto nos deu o total suporte para desenvolver o projeto”, disse Gabriel Debellian, acrescentando um detalhe que revela a demanda crescente e gigante do produto:
“Temos o aceno de que o que produzirmos ela comprará”.

O projeto da Noxis prevê a construção de três refinarias, uma das quais no Pecém, cuja capacidade será de 100 mil barris/dia, “um volume ótimo para uma refinaria modular, que é pré-fabricada, pré-construída e pré-testada, embarcada em módulos e montada, o que reduz os custos e os riscos e abrevia em muito o seu prazo de entrega”, disse o CEO da empresa.

Debellian foi claro ao falar sobre prazos:

“Tudo depende do Licenciamento Ambiental. A partir da Licença Ambiental, temos a certeza de que, em 30 meses, teremos uma refinaria operando. E como está o projeto hoje? Temos um projeto em implantação em Pecém, na ZPE. Toda a viabilidade do projeto foi concebida para 80% de exportação e 20% para o mercado interno, mas isso era a regra da legislação anterior das ZPEs, pois hoje já temos a flexibilidade de exportar menos. 

“Estamos em processo de licenciamento. Já arrendamos uma área de 1,6 milhão de metros quadrados na ZPE, que pertence ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Já estão previstos o acesso ao cais e a passagem da tubulação. Nós esperamos que, a partir de outubro, tenhamos condições de ter a licença prévia e a partir daí o jogo realmente começará e nós poderemos fazer negociações mais firmes com tomadores de outros produtos, a exemplo dos compradores de combustíveis”.

Agora, atenção para o que afirmou o CEO da Noxis Energy para os seus três entrevistadores da NortarPetro:

“É nossa intenção conversar e, se possível, fazer parcerias, acordos com os distribuidores (de combustíveis) somente na região Nordeste, que é o nosso foco. Lá (no Nordeste) a maioria dos combustíveis vem de Itaqui (MA) ou de Suape (PE), e ali, naquela região, nós mapeamos, há um potencial grande. 

“É fundamental para esse projeto a logística. Como vamos receber a matéria prima (o petróleo) e como vamos embarcar a produção. Uma vez que o grosso da produção será bunker, nós dependeremos de uma estrutura portuária ativa e confiável, e isto nós teremos em Pecém, que, inclusive, vai expandir a capacidade do porto para nos atender”.

Durante a entrevista, surgiu a seguinte pergunta:

“Por que a Noxis escolheu Pecém para implantar a refinaria?”

A resposta de Gabriel Debellian foi dada nos seguintes termos:

“Simples. Primeiro, o tratamento do governo local foi excelente. Não tivemos nenhuma dificuldade, pelo contrário. Segundo, fundamental, o porto do Pecém. Um projeto dessa monta sustenta-se num tripé: logística, matéria prima e consumidor. Consumidor tem, matéria prima tem, logística tem. E tem ainda a ZPE, um fator que ajuda, principalmente na importação, onde está o grosso do investimento. E na ZPE não temos tarifas de importação dos equipamentos. 

"Respondendo: característica principal, a existência do porto. Nós vamos receber, a cada 10 dias, um navio com um milhão de toneladas de petróleo. Isto significa US$ 100 milhões a cada 10 dias dentro do navio, e esse navio não poderá ficar parado. Ele tem de ter preferência para atracação, um berço com 17 metros de calado. Esse navio virá direto da plataforma de produção, seja da Guiana, seja do pré-sal. É um navio especial, um navio caro, não é um navio qualquer, e ele ficará dedicado. A cada 10 dias, um navio desses (atracará no Pecém).

“E não esqueça que, ao menos, 60% disso sairão em navios de 40 mil toneladas, de 45 mil toneladas que vão distribuir o bunker. Mas o abastecimento poderá ser feito no próprio píer do Pecém.”

Os três entrevistadores ouviram as explicações do CEO da Noxis Energey, Gabriel Debelian, e, juntos, exclamaram:

“Fantástico! Que estrutura!”