Brasil x EUA: quem inventou a crise: Trump, Lula ou Bolsonaro?
Os próximos seis dias serão cruciais para as relações comerciais e políticas dos dois países. Aonde essa crise vai dar, a semana que vem dirá.
Ontem, na hora do almoço, este colunista ouviu opiniões de dois empresários sobre as últimas notícias a respeito de variados temas que lhes interessam, entre os quais o da segurança física dos seus milhares de colaboradores e suas famílias, que, diariamente, se deslocam de casa para o trabalho e vice-versa. “Quase toda a minha força de trabalho reside na periferia de Fortaleza, e o que eles me contam sobre a insegurança nos seus bairros é de causar medo”, disse um industrial do ramo de confecções. Um agricultor, com fazenda de produção muito perto de Fortaleza, concordou e disse que se passa a mesma coisa com seus funcionários, mas pedindo para mudar de assunto, disse que, neste momento, sua preocupação é com dois colegas que produzem mel de abelha e beneficiam tilápia para exportação para os Estados Unidos.
“O início da cobrança da taxa de 50% está chegando e, se chegar mesmo, será um prejuizão para eles, que procuram outros mercados para os seus produtos,” comentou ele com um nó na garganta.
Mas ambos, ao mesmo tempo em que manifestaram sua ansiedade diante do medo que lhes causam a crescente ação das facções do crime organizado no entorno da capital cearense e a aparente deterioração da relação comercial do Brasil com os Estados Unidos, irradiaram alegria com a informação de que – com o objetivo de minimizar prejuízos que causará o tarifaço imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano – o Brasil incrementou suas exportações para a Argentina, que tradicionalmente tem sido o terceiro maior destino de suas vendas externas. Até a boa carne brasileira está chegando ao mercado argentino, de cujos campos saem proteínas da mais alta qualidade, como as brasileiras.
“A diplomacia brasileira, uma das mais qualificadas do mundo, tem competência suficiente para transformar o limão da crise numa limonada do entendimento, basta que ela seja acionada”, salientou o industrial, mostrando-se bem-informado sobre as questões da nova geopolítica mundial. Ele explicou que, hoje, há dois polos políticos, econômicos e militares, ambos enraizadas em ideologias diferentes: um, capitalista, liderado pelos Estados Unidos; outro, socialista, encabeçado pela China e integrado pela Rússia e ao qual se chegou a Coreia do Norte. “O socialismo chinês é exótico, pois permite que, em seu território, aportem e prosperem grandes empresas ocidentais, como a Tesla de Elon Musk e o McDonald’s”, acentuou.
“Até agora, não consigo entender por que Donald Trump está tentando castigar um parceiro de dois séculos como o Brasil”, disse o agricultor, com a esperança de que, “assim como ele fez com o Japão, o Canadá, o México e a União Europeia, não passe da ameaça e volte atrás, estabelecendo uma alíquota palatável”.
O industrial interveio para explicar que, por trás dessa ameaça de Trump estão alguns interesses, um dos quais, talvez o mais visível, é o de explorar as chamadas terras raras, que contêm minerais utilizados pelas empresas de tecnologia norte-americanas, as big techs. O Brasil tem enormes reservas desses minerais, mas até aqui pouco explorados.
Outro interesse do governo norte-americano é barrar a progressiva aproximação do governo brasileiro ao governo da China, que já é o maior parceiro comercial do Brasil. “Os Estados Unidos – continuou o industrial – desconfiam de que o Brasil faz o jogo político chinês ao martelar o discurso da necessidade de criação de uma nova moeda para substituir o dólar no comércio internacional, algo que Washington abominam, mas essa ideia é do Lula, como já esclareceu Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da Rússia. E desconfiam, também, da intenção do presidente Lula de, usando a Lei e tirando proveito das divergências de Donald Trump com o Judiciário brasileiro, tente afastar os principais adversários para ter campo livre para sua reeleição em 2026. Tudo isto está incluído nas razões que levaram Donald Trump a impor contra o Brasil, a tarifa de 50%, a maior do mundo”, detalhou o industrial, com outras palavras.
E o agricultor, sob o olhar e o ouvido atentos deste colunista, assim resumiu sua opinião:
“Esses governantes, quaisquer deles, não pensam no interesse da população que governam. Primeiro, pensam em si; depois, em si novamente.”
É verdade. Mas esta coluna lembra: Trump está enfrentando uma acusação que poderá causar-lhe um processo de impeachment. Seu nome consta dos arquivos de Jeffrey Epstein, milionário pederasta, morto na prisão há alguns anos, acusado de prostituição de menores. O nome de Bill Clinton também consta.
No Brasil, pesa contra Lula pronunciamentos recentes nos quais, além de criticar duramente os Estados Unidos e seu governo, promete fazer agora o que não pode fazer nos seus dois governos anteriores. Nesta semana, ele criticou eleições de quatro em quatro anos. Ajudando Lula, estão o Legislativo e suas mazelas e o Judiciário e suas decisões seletivas.
E, fechando o cenário, está Jair Bolsonaro, de tornozeleira eletrônica, aguardando o julgamento por tentativa de golpe. Seu filho Eduardo mudou-se há quatro meses para os EUA, onde, tirando proveito de sua amizade com os ocupantes da Casa Branca, faz lobby contra o ministro do SYF, Alexandre Moraes.
Na noite de ontem, sexta-feira, 25, surgiram notícias de que Donald Trump manterá a tarifa de 50% e ainda aplicará sanções contra pessoas do entorno do presidente Lula. A conferir.
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