Lua se aproxima de Antares nesta semana: entenda a conjunção entre os astros

Na noite de quinta-feira (17), o satélite natural cruza a constelação de Escorpião e passa bem perto da estrela mais brilhante da região, criando um encontro que vale a pena observar.

Escrito por
Ednardo Rodrigues ceara@svm.com.br
(Atualizado às 12:00)
Legenda: Fenômeno irá ocorrer nesta quinta-feira (17).
Foto: Jose Luis Vega/Shutterstock.

Quem olhar para o horizonte oeste logo após o pôr do Sol nos próximos dias vai notar a Lua crescente se aproximando de um ponto avermelhado bem visível a olho nu. Parece um planeta, mas é Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião com magnitude aproximadamente igual a 1. A magnitude é uma escala invertida o qual quanto menor o seu número mais brilhante é o astro.

Esse tipo de aproximação aparente é chamado de conjunção. Não existe nenhuma proximidade real entre os dois corpos, a Lua está a cerca de 384 mil quilômetros da Terra, enquanto Antares fica a mais de 550 anos-luz de distância. O que acontece é um efeito de perspectiva, a Lua, em seu trajeto mensal em torno da Terra, atravessa a linha do zodíaco e, de tempos em tempos, passa bem na frente de estrelas brilhantes como essa.

Logo dois dias depois de ter passado por Vênus, que está próxima do seu brilho máximo, a Lua crescente fica abaixo de Antares no dia 16, e acima dela no dia 17. Para quem está em regiões privilegiadas, como a Antártida, a Tasmânia e uma pequena parte do sul da Austrália, a Lua chega a ocultar Antares completamente no dia 17, um fenômeno chamado ocultação lunar.

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O nome Antares

A origem do nome é tem influência na mitologia grega. Antares vem da junção de anti com Ares, o deus grego da guerra, o Marte dos romanos. O motivo é a cor da estrela. Antares é uma supergigante vermelha, com um brilho avermelhado tão parecido com o do planeta Marte que os antigos gregos passaram a chamá-la de rival de Marte. A NASA/JPL ainda usa esse apelido hoje em dia, nas suas notas de observação do céu.

Faz sentido do ponto de vista físico também. Antares é uma estrela perto do fim da vida, centenas de vezes maior que o Sol, e estrelas nesse estágio evolutivo tendem a esfriar a superfície e emitir luz mais na faixa do vermelho, exatamente a mesma característica que dá a Marte sua cor característica, ainda que por um mecanismo completamente diferente, já que no caso do planeta a cor vem do óxido de ferro na superfície.

Um bônus na mesma semana

No mesmo período, Marte segue seu caminho em frente a constelação de Gêmeos e passa perto de Pólux, enquanto Saturno se aproxima da oposição e Júpiter e Marte aparecem no céu antes do nascer do Sol. É uma semana cheia para quem gosta de observar o céu, com praticamente vários planetas visíveis em algum horário do dia ou da noite.

É um bom momento para fotografar por mais de um motivo. A Lua crescente e fina, como a desta semana, favorece o registro da chamada luz cinzenta, o earthshine, aquele brilho suave que ilumina a porção não iluminada do disco lunar, refletido pela própria Terra. É um efeito bonito de capturar com uma exposição um pouco mais longa.

Para quem quiser registrar a aproximação com Antares especificamente, o ideal é buscar um horizonte oeste limpo, sem prédios ou morros, logo após o crepúsculo, quando os dois objetos ainda estão relativamente altos no céu antes de se porem.

Uma lente com um pouco mais de distância focal, entre 135mm e 300mm, por exemplo, ajuda a aproximar os dois no mesmo enquadramento sem perder o contexto do céu ao redor. Tripé é obrigatório para evitar trepidação, e vale testar algumas exposições diferentes, já que o brilho da Lua e o de Antares são bem distintos e um pode estourar enquanto o outro mal aparece.

Aqui em Fortaleza, com o céu costumeiramente limpo nesta época do ano, as condições tendem a ser favoráveis. Vale a pena separar alguns minutos nesta semana para conferir.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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