Ana Thais, Renata Mendonça e Fabi Alvim: a opinião feminina em transmissões esportivas; ouça podcast

A tendência é que, cada vez mais, as mulheres ocupem esse espaço esportivo na comunicação

Legenda: Ana Thaís Matos, Renata Mendonça e Fabi Alvim em destaque na comunicação brasileira
Foto: Divulgação

Depois de 54 anos, conseguimos quebrar mais uma barreira: ver uma mulher comentando partidas do Campeonato Brasileiro na televisão. A responsável por quebrar essa tradição cinquentenária foi Ana Thais Matos. A paulista ocupou espaço e fez diferença na análise, em horário nobre da Rede Globo, ao lado de Cleber Machado e Caio Ribeiro.

Foi um feito bastante comemorado, apesar de tarde. Só em 2019 podemos ouvir uma análise feminina, em partidas masculinas, do Brasileirão. Tivemos também Milly Lacombe comentando a Championship League, mas nas telinhas diárias, a análise da Ana passou a ser recorrente. E, meus amigos, ela nunca imaginou que seria uma comentarista, o que queria mesmo era ser repórter de rádio. O rádio sempre nos ensinando.

Projeto elas

Para fortalecer a luta das mulheres, fomentar a valorização e reconhecimento de suas conquistas e, principalmente, da preservação de suas vidas, o Sistema Verdes Mares deu início, neste mês de outubro, ao "Projeto Elas", que atuará como agente transformador da realidade de várias mulheres cearenses, com o objetivo de construir um Ceará mais igualitário e seguro.

O projeto busca refletir, discutir, informar e, acima de tudo, combater essa realidade. Através de seus veículos de comunicação, o SVM vem discutindo temas como desigualdade de gênero, desafios do mercado de trabalho, empoderamento, conquistas femininas e também dará voz a relatos da vida real, dentro de uma programação que segue até dezembro.

Legado

Quando algo dá certo, a tendência é que continue, amplie. Mais vozes femininas foram sendo ouvidas durante as partidas. Renata Mendonça pediu passagem e se firmou. A jornalista, com experiências na ESPN Brasil e BBC, ganhou uma maior notoriedade no site “Dibradoras”. Um portal criado pela própria Renata em 2015, que tem como objetivo destacar o futebol feminino e a luta por um destaque da mulher no esporte.

Como precisamos “gritar” por essa representatividade, invadir esse campo da opinião que ainda é muito restrito ao universo masculino, estamos conseguindo. E a tendência é que mais mulheres ocupem esse espaço.

Se no campo Se no campo, mesmo devagar, estamos vendo o progresso, nas quadras de vôlei também estamos com um “olhar’ diferenciado para análise da prática esportiva: Fabi Alvim, ex-atleta bicampeã olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012. Ela atuava na posição de líbero. E aí vocês devem perguntar: se ela foi atleta, agora é mais fácil comentar? Fabi garantiu que não. Ligar a chave do microfone deu mais frio na barriga da atleta do que um saque decisivo.

Nós, por natureza, temos um olhar especial em determinadas situações. Somos críticas, “lemos” uma partida da nossa forma, afinal, podemos até ter aprendido com os homens, mas não necessariamente devemos seguir os mesmos pensamentos.

Ouça o podcast

No podcast “Elas no Esporte”, tivemos um papo descontraído e muito informativo. A gente coloca alguns trechinhos do papo por aqui também.

Denise - Quando vocês sentiram que estavam preparadas para serem comentaristas?

Eu nunca quis ser comentarista. Passei seis anos na Rádio Globo e eu sempre quis ser igual ao Mauro Naves. Queria ser repórter, vendo os jogos. Na rádio, eu passei a observar o campo. Só valia a pena ser “ponta de gol” se eu falasse algo diferente, já que a rádio não tem imagem. E foi aí que começou o meu olhar. O período do rádio foi muito importante para eu ter repertório, um olhar diferente.
Ana Thais Matos
Comentarista

Eu nunca tinha visto mulheres, referências femininas em partidas masculinas. A gente cresceu assistindo futebol sempre com homens. Aos poucos as mulheres apareceram na borda do campo. Eu lembro da Lacombe e algumas mulheres que eram convidadas e era o máximo que nós tínhamos de ver opinião de mulheres no mesmo status dos homens. Quando eu comecei a trabalhar como estagiária, eu escutava alguns amigos dizendo que o sonho era ser jornalista esportivo. Eu não compartilhava desse sonho, porque não via essa possibilidade. Mas a oportunidade apareceu.
Renata Mendonça
Comentarista

Pra mim, tudo começou quando eu decidi encerrar a carreira no vôlei. Uma decisão difícil, depois de 25 anos. Quando recebi o convite em 2018, senti o mesmo frio na barriga, só que agora a missão mais difícil, analisar as partidas.
Fabi Alvim
Comentarista

Carreiras

Ana Thais Matos
Atua no jornalismo esportivo há quase 10 anos. Na Rádio Globo desde 2012, foi setorista dos grandes clubes de São Paulo e foi repórter de transmissões até conquistar um espaço na TV em participações no Seleção SporTV. Durante a Copa do Mundo da Rússia, teve oportunidade de ser comentarista no programa Troca de Passes. Hoje comenta partidas do Campeonato Brasileiro.

Renata Mendonça
Iniciou na carreira de comentarista em agosto de 2020 no Sportv e estreou na Globo no amistoso entre Brasil e Canadá, no dia 14 de junho daquele ano. A jornalista também participa de comentários durante as partidas do Brasileiro e em programas da emissora Globo.

Fabi Alvim
Campeã olímpica de vôlei, a ex-jogadora é recordista de títulos, com 10 medalhas. Em 2018, aceitou o conviite de ser comentarista esportiva na Globo, onde segue até hoje.



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