Por que é cada vez mais difícil valorizar o "Manjadinho"?

A verdade é que cada ano que passa, fica complicado "dar atenção" a uma competição que ela própria se deteriora

Mascotes de Ceará e Fortaleza ao lado do troféu do Campeonato Cearense 2021
Legenda: Mascotes de Ceará e Fortaleza ao lado do troféu do Campeonato Cearense 2021
Foto: Fabiane de Paula (SVM)

O Campeonato Estadual, para os românticos, sempre vai ter a sua grande importância. Memória afetiva, lembranças de grandes jogos, títulos e decisões marcantes.

Mas, a verdade é que a medida que nossos dois gigantes se transformam em maiores potências nacionalmente, é inevitável que o querido "Manjadinho" vá ficando de lado.

"Vira e mexe" vamos ter situações de valorização, claro. Quando chega a final diante do maior rival, quando luta por uma sequência de conquistas (caso do Fortaleza que busca o segundo Tetra), quando se quer evitar tal sequência (caso do Ceará que não quer ver mais um Tetra do rival).

Porém, de uma forma geral, até mesmo antes de Vovô e Leão terem essa força de hoje, desde 2013, com a reformulação da Copa do Nordeste, o Campeonato Cearense perdeu valor. 

"Ah, por que não acaba, então"? Não é assim. Existem equipes que dependem do Estadual. Existem famílias sustentadas por receitas que só existem nesses primeiros 3 meses do ano (se tratando de futebol).

Para os times menores, existe a necessidade desse campeonato. Por isso que todo ano tentam uma fórmula que não desgaste muito o calendário de Ceará e Fortaleza, nosso maior produto, mas que, ao mesmo tempo, eles sigam dando visibilidade ao certame.

Concordo que o modelo atual tira a "justiça desportiva". Não há igualdade. Alvinegros e Tricolores, por exemplo, nunca poderão ser rebaixados, podem jogar 6 jogos e levantarem a taça... Mas, entre existir essa "falha" e melhorar a pré-temporada do nosso melhor produto futebolístico, fico com essa segunda opção.

E confesso, não vou ser hipócrita de ainda me prender ao romantismo dos jogos "raízes". Eu quero assistir jogos interessantes, gramados "menos horríveis", o mínimo do aceitável aos olhos de quem ama tanto esse esporte. Quanto menos jogos desnecessários, melhor.

Para completar, quando não temos os dois envolvidos, pensamos que vamos ver todas as equipes lutando para conquistar calendário, vagas em competições nacionais...

Vemos corrupção e esquemas de resultados. Um time da tradição do Icasa, de volta à primeira divisão depois de anos, acabar sendo rebaixado por escalar um jogador suspenso em um jogo que não valia nada.

É um show de amadorismos que nos tiram o brilho de acompanhar. 

Como nossa profissão nos exige isso, vamos aguardar para ver quais os novos capítulos que estão prestes a ser escritos.