Copa do Mundo e restrições alimentares: veja dicas para evitar problemas

Nutricionista explica como aproveitar o evento mesmo com alergia alimentar, intolerância à lactose ou diabetes.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
Legenda: Os riscos de consumir itens restritos vão desde desconfortos gastrointestinais e picos de glicemia que sobrecarregam o corpo até casos mais graves que podem ser fatais.
Foto: Motortion Films/Shuterstock.

Para quem tem restrições alimentares, reunir-se com familiares e amigos fora de casa para assistir aos jogos do Brasil na Copa do Mundo é um momento de celebração que pode esconder riscos. Diabéticos, intolerantes à lactose ou alérgicos devem redobrar a atenção na hora de escolher o que consumir para evitar incidentes e não atrapalhar a torcida pela Seleção Brasileira.

Os perigos de comer alimentos restritos variam conforme a condição de cada paciente. Enquanto intolerantes podem sentir desconfortos gastrointestinais ao consumir lactose, a ingestão de açúcar por diabéticos pode causar picos de glicemia que sobrecarregam o corpo. Já em casos de alergias alimentares graves, o risco evolui, podendo até ser fatal.

Para lidar com essas limitações e, ainda assim, aproveitar as partidas em ambientes externos, o planejamento prévio, a comunicação clara e as substituições saudáveis são fundamentais, explica à coluna a nutricionista do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Eva Lima.

Existem estratégias nutricionais que você pode estar se utilizando para tirar os alimentos industrializados, os açucarados e consumir uma alimentação mais saudável nesses momentos de eventos.”
Eva Lima
Nutricionista

Veja também

Planeje-se, saiba o menu e informe a restrição

Para a especialista, o indicado é evitar ir “às cegas” para essas ocasiões, buscando se informar, com antecedência, sobre o que irá compor o cardápio.

Por exemplo: se o combinado for se reunir em um restaurante, o ideal é pesquisar antes o menu, seja na internet ou nas redes sociais do estabelecimento.

Já ao chegar ao local, Eva indica que o paciente deve explicar sobre a restrição aos garçons e demais integrantes da equipe de atendimento, verificando se há possibilidade de trocas seguras. 

“Você pode substituir um refrigerante por uma água com gás e sumo de limão, ou então, substituir salgadinhos industrializados por chips de legumes. Existem estratégias nutricionais que você pode estar se utilizando para tirar os alimentos industrializados e os açucarados”, indica a profissional, principalmente, aos diabéticos.

No entanto, se o convite for para assistir a uma partida na casa de algum amigo ou familiar, a nutricionista recomenda conversar abertamente sobre a restrição alimentar com o anfitrião

A dica de buscar descobrir o cardápio com antecedência também cabe nessa situação, principalmente porque é nessa etapa que o paciente pode decidir se é necessário levar a própria "marmitinha" ou prato adaptado, garantindo, assim, a diversão, sem se preocupar com possíveis riscos. 

Opções de lanches fora de casa

“Procure por alimentos que sejam de baixa concentração em açúcar e naturais. Não precisa ser alimentos ruins. Podem ser naturais, mas saborosos”, indica Eva, citando que recorrer a frutas picadas e geladas, como melão e melancia, ou uvas congeladas são algumas opções refrescantes e fáceis de fazer.   

“Fazer pipoca caseira, aquela que você não utiliza óleo, ou fazer sanduichinhos de frango são opções de lanchinhos durante o jogo que a pessoa vai consumir e confraternizar, mas não vai sair da rotina alimentar”, exemplifica.

Intolerantes à lactose devem ainda considerar outro fator na hora do planejamento, independentemente da localização da confraternização: a inclusão da lactase na bolsa. “A condição permite que o paciente leve de casa a enzima [lactase], faça o uso dela [antes das refeições] e não tenha problemas gastrointestinais após o consumo desses alimentos [derivados de leite].”

Encontrada geralmente em formato de comprimido ou em pó, a substância permite que o organismo de pessoas com esse tipo de restrição faça a digestão da lactose, que é o açúcar do leite. A nutricionista explica que quem tem a condição não consegue produzir lactase em quantidade suficiente, então pode recorrer ao suplemento nesses momentos.

Atenção à contaminação cruzada e aos rótulos

A alergia alimentar exige abordagens e níveis de cuidados diferentes das demais restrições, devido aos perigos. Segundo a especialista, o perigo vai além do consumo direto do ingrediente: existe o risco invisível da contaminação cruzada

O fenômeno acontece quando traços ou proteínas de um alimento alérgeno são transferidos para um seguro, por meio de utensílios, bancadas, geladeiras, panelas, esponjas etc. Isso acontece quando o item que causa a alergia é manipulado no mesmo ambiente que outros produtos seguros. 

Por exemplo, se alguém alérgico a camarão comer um macarrão à carbonara, que não tem o crustáceo, mas o bacon foi preparado em uma tábua que não foi devidamente limpa após ter sido usada para cortar camarões, o prato pode ter vestígios do animal, e isso ser suficiente para desencadear uma reação em pessoas mais sensíveis. 

“Muitas vezes o paciente vai reagir, mesmo não tendo consumido aquele alimento, apenas com a contaminação cruzada”, explica Eva. Por esse motivo, ela recomenda que alérgicos redobrem a atenção e ressalta que eles podem optar por levar a própria comida para esses eventos. 

Quando se trata de pacientes infantis, a nutricionista orienta que os pais comuniquem aos outros adultos sobre a condição alimentar e solicitem que não ofereçam nada às crianças sem a autorização prévia dos responsáveis.

Outro cuidado para pessoas com alergia alimentar é ficar atento aos rótulos dos produtos, pois é nele que é possível descobrir a possibilidade de o item possuir algum alérgeno ou poder ter sofrido contaminação cruzada. 

Por exemplo, uma barra de chocolate pode informar na seção “alérgicos” que contém derivados de leite e soja, além de “pode conter” amendoim, amêndoa, castanha, entre outros. Esse "pode conter" indica que o doce foi processado em equipamentos que também manipulam produtos com esses ingredientes alérgenos.

4 snacks saudáveis e fáceis para levar ou servir

À coluna, Eva listou quatro opções de lanches saudáveis que podem ser levados ou servidos em reuniões para acompanhar os jogos da Copa do Mundo. São eles:

  • Frutas geladas: cubos de melão, melancia ou uvas geladas. Consumir os itens traz refrescância, sabor, além de ser um snack saudável.  
  • Pipoca caseira: uma opção clássica para acompanhar momentos de lazer e jogos, desde que preparada na pipoqueira, sem o uso de óleo. 
  • Guacamole: feito a partir do abacate maduro amassado e temperado com tomates picados, sumo de limão, coentro e cebola (opcional), o item pode ser servido acompanhado de torradas ou pão integral.  
  • Patê de frango light: misture peito de frango cozido e desfiado com um pouco do próprio caldo do cozimento e requeijão light. O resultado é um patê rico em proteína e de baixa caloria, ideal para rechear torradas ou pães integrais.
Assuntos Relacionados