Os bastidores da saída de Vojvoda do Fortaleza
Sequência negativa, falta de mudanças que pudessem gerar um novo impacto e decisões questionáveis acabaram minando trabalho do treinador argentino em 2025
O fim de uma era vitoriosa e marcante. Juan Pablo Vojvoda está fora do Fortaleza após decisão tomada em uma segunda-feira (14) tensa e dolorosa, no Pici. A Coluna traz os bastidores da saída do maior técnico da história do Fortaleza Esporte Clube.
Decisão que foi segurada ao máximo, justamente pela história de Vojvoda no clube e pela crença de que o treinador conseguiria reverter os resultados, como já havia acontecido em outras ocasiões. Mas que, desta vez, não aconteceu. Foram nove jogos seguidos sem ganhar, com seis derrotas consecutivas, sem falar no desempenho em clássicos, com nove partidas sem vencer o rival Ceará.
Para personagens que vivem o dia a dia do clube ouvidos pela Coluna, a sensação era de que a mudança já deveria ter acontecido até mesmo antes.
Além dos resultados, o desempenho também pesou demais. As atuações têm sido ruins, e os jogos contra Bahia e Ceará passaram a sensação de "mais do mesmo", sem que houvesse uma reinvenção das ideias ou mudanças de conceitos. O fato de não ter finalizado uma vez sequer ao gol no Clássico-Rei mostrava que o desempenho havia chegado no mínimo de rendimento. Foi o estopim.
Isso porque a avaliação de desempenho vai além dos jogos. Nos treinamentos, nada de novidades, nem mesmo em trabalhos de bola parada ou alterações táticas relevantes que pudessem dar ao time uma nova faceta. Nem o período de treinamentos com a paralisação dos campeonatos devido a Copa do Mundo de Clubes foi capaz de surtir efeito.
As constantes mudanças nas escalações e a falta de critérios claros em determinadas escolhas também aumentaram a cobrança. No Clássico-Rei, por exemplo, ele mandou a campo Allanzinho no 2º tempo, que não havia sequer treinado com os titulares em nenhum momento ao longo da semana. Enquanto Tucu Herrera, contratado por R$ 12 milhões e que o clube correu para regularizar a tempo, não foi utilizado.
A reunião para a saída foi a portas fechadas com o CEO Marcelo Paz e o Diretor de Futebol, Sérgio Papellin. Vojvoda queria continuar, como declarou em sua última entrevista coletiva. Mas compreendeu que o trabalho havia "batido no teto" e irá se despedir dos funcionários e jogadores nesta terça-feira (15).