Nos Bastidores com André Luis: o auxiliar-técnico do Ceará que foi "rendido" na saída do ônibus

Todas os sábados, às 9 horas da manhã, nova entrevista com personagem dos bastidores do futebol

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Legenda: Reação de André Luis a "assalto" virou meme nas redes sociais
Foto: Reprodução/Livefc

Semifinal de Copa do Nordeste, jogo decisivo entre Ceará e Fortaleza, partida única que vale vaga na finalíssima. Havia muita tensão em todos os envolvidos no Clássico-Rei da última terça-feira (28). Mas um personagem, antes mesmo da bola rolar, surpreendeu a todos e chamou atenção do Brasil inteiro por uma cena, no mínimo, inusitada - e muito engraçada.

Seguindo protocolo médico, todas as pessoas que desciam dos ônibus dos clubes eram paradas e passavam por aferição de temperatura. Um recepcionista utilizava um termometro de testa para tal.

Ao descer do ônibus com a delegação do Ceará, o auxiliar-técnico André Luís dos Santos, assistente do treinador Guto Ferreira, levou um susto ao achar que estava sendo "rendido" para um assalto. No impulso, levantou os braços e não deu outra: arrancou risadas de todos ao redor e de quem viu o vídeo.

A felicidade foi ainda maior ao fim do jogo, quando o Alvinegro venceu e obteve a classificação com uma influência direta do auxiliar-técnico (você vai entender abaixo).

Companheiro de Guto Ferreira há quase uma década, o gaúcho de 61 anos, natural de Porto Alegre e pai do André e da Talita se divertiu com a repercussão do lance, que viralizou no Brasil inteiro. Fez tanto sucesso que virou até garoto-propaganda do clube em anúncio de novo patrocinador (veja abaixo).

Ex-zagueiro de sucesso, multicampeão pelo Internacional - incluindo título do Campeonato Brasileiro invicto em 1979 e do Troféu Joan Gamper em 1982 - e medalha de prata pela Seleção Olímpica em 1984, ele revelou o que aconteceu no momento.

O auxiliar-técnico do Ceará, André Luís dos Santos, é o personagem do quadro Nos Bastidores desta semana.

- Como é a sua rotina no Ceará e quias suas funções como auxiliar-técnico?

Nós somos em quatro na comissão técnica. Guto Ferreira, Waldir Júnior, preparador físico, e eu e Alexandre Faganello, auxiliares. Faço o que todo auxiliar-técnico faz, de suporte ao treinador. Mas o Guto delega muito situações de bola parada. Tipo hoje (ontem, sexta-feira, 31), nós fizemos um trabalho tático, e depois ele passou pra mim. Eu faço os trabalhos de bolas paradas. Tipo escanteio ofensivo, escanteio defensivo, faltas laterais, essas coisas. Eu que sou o responsável. Guto chega e diz: "André, agora é contigo". E eu já tenho tudo programado, com análise do adversário, pontos fortes, pontos fracos, onde a gente pode explorar. E também temos outras situações bem específicas. O Alexandre trabalha mais situações de ataque e eu de defesa. Estamos juntos há quase uma década, e temos uma boa maneira de trabalhar. Então minha função é essa. A mesma dos demais auxiliares, mas também algo mais específico, como trabalhar as bolas paradas e o setor defensivo. O Alexandre, o ataque. E o Guto no geral.

- Então a vitória no Clássico-Rei teve sua participação direta, já que foi uma falta que o Vina cobrou e o Klaus fez o gol...

É, aquilo ali a gente treina bastante. Eu insisto muito e até encho o saco dos jogadores pra gente treinar muito a bola parada. Com os jogos, que a gente vai vendo os posicionamentos, os erros, pra ir aprimorando. E aquela jogada do Klaus a gente trabalhou. A gente viu os pontos fracos do Fortaleza, e o Vinícius, que bate muito bem na bola, foi feliz. A minha função é complicada, porque quando faz um gol e ganha, todo mundo vem elogiar que saiu gol de bola parada. Mas, quando perde, e sai gol de bola parada, aí vem o inverso. Mas faz parte, isso aí é do jogo.

- Há quanto tempo você trabalha com o Guto Ferreira e como é a relação de vocês?

Em 1996 eu comecei a trabalhar no Inter, a convite do Fernando Carvalho (ex-presidente), e em 98 o Guto chegou. Ele saiu do São Paulo e foi contratado pelo Inter. Foi quando nos conhecemos e ali começou a nossa história. Eu fui auxiliar dele durante uns dois anos, fomos campeões da Taça São Paulo de Futebol Jr, e eu era auxiliar dele. Era no Sub-20. Passou um tempo, Guto saiu do Inter. Aí ficou esperando uma oportunidade pra ser treinador. Passou todo esse tempo, e em 2011, eu estava trabalhando no interior do Rio Grande do Sul, o Guto recebeu um convite do Criciúma, pra ser técnico. Aí ele falou pra mim: "Estou indo pro Criciúma e preciso de um auxiliar. Te conheço, tu é uma cara de confiança e que vai me ajudar, tu aceita?". E eu, prontamente, aceitei. Ele é um cara muito inteligente, que eu vi que poderia crescer como técnico, e o meu crescimento viria com ele pra gente fazer uma parceria boa. E ali começou nossa relação, desde 2011.

- Como avalia a estrutura do Ceará em relação a outros clubes que vocês passaram?

Como somos profissionais do futebol, a gente sempre busca informações. E no Ceará, quando ainda estávamos no Bahia, em 2017, a gente já estava vendo que tinha movimentos diferentes no clube, em termos de estrutura, posições nos campeonatos, e sempre que a gente vinha jogar contra o Ceará no Castelão a gente comentava: "um dia nós vamos estar aqui. Estádio cheio, torcida vibrante, calorosa, um dia vamos trabalhar aqui". Conhecemos Diego Cerri, que sempre falava bem do Ceará, e nós já sabíamos de tudo que tava acontecendo aqui. Dos profissionais que estão no comando, e por ter o Sérgio Dimas e o Jorge Macedo, profissionais respeitados no mercado. Quando vimos que dois executivos estavam no Ceará, vimos que coisa boa está acontecendo no clube. Estrutura, plantel de alto nível, e isso nos motivou pra vir pro Ceará. Não pensamos duas vezes.

- E aquele lance curioso que aconteceu no Clássico-Rei, quando você estava saindo do ônibus? Levou um susto, achou eu estava sendo rendido?

(Muitos risos) Rapaz, ali foi assim...(mais risos) Eu acho que foi o quarto ou quinto componente da delegação a descer do ônibus. Quando eu tô descendo, eu vi aquele cara levantando o termometro e colocando na cabeça do pessoal. E eu vi um cara carrancudo, sério, apontando aquilo como se fosse uma arma. Eu olhei aquilo, e foi uma coisa muito espontânea, quando eu desci e vi aquilo ali. Eu pensei: "ah, vou fazer uma brincadeirinha aqui com ele, quando ele apontar na minha cabeça, vou fingir que eu me assustei, como se fosse um assalto, uma abordagem". E eu simulei que estava distraído. E quando levantei a cabeça, levantei os braços. Eu até falei pra ele: "pô, cheguei aqui agora, achei que fosse um assalto", e dei uma risadinha. Mas, como tava de máscara, não apareceu, mas eu falei isso brincando com ele.

- Já foi na brincadeira, então, pra tirar onda?

Foi pra descontrair, mas não foi nada programado. Quando ele botou na minha cabeça, eu fiz uma coisa bem espontânea, na hora. E eu nunca imaginei que fosse dar a repercussão tão grande como deu. Eu sou uma pessoa muito reservada, não sou de muita conversa, sou muito profissional, apareço muito pouco. Eu até fiquei surpreso, porque no intervalo, eu entrei no vestiário e os caras tavam falando que tinha um meme, viralizou, e eu não sabia o que aconteceu. E falaram que tava bombando na internet já. Aí veio um e me mostrou, aí que eu me lembrei, e virou uma brincadeira na hora. Não sabia que ia viralizar tanto.

- E quando viu a repercussão, você levou numa boa?

Eu achei engraçado, porque até os jogadores estavam brincando comigo. Quando chegavam perto de mim, eles levantavam os braços. "Ô professor, olha aqui", e levantavam os dois braços. Aí virou uma brincadeira.

- E até o Ceará aproveitou isso no anúncio do novo patrocinador, você imaginava isso?

Eu vi isso, cara. A minha filha, lá de Porto Alegre, mandou pra mim, dizendo que eu era o novo garoto-propaganda do Ceará. Eu não tinha visto, ela me mandou, e eu vi que os caras aproveitaram...(risos). Ficou muito legal.

- Qual seu principal objetivo no Ceará?

Primeiro, é vencer a Copa do Nordeste. Temos um calendário com Copa do Brasil, Campeonato Cearense e Campeonato Brasileiro ainda. A gente faz projeções e começa a sonhar. Mas, hoje, a principal meta é a Copa do Nordeste. Neste momento, nosso projeto é todo para sermos campeões da Copa do Nordeste. Vai ser muito difícil, Bahia é muito forte, muito bem treinado. É um grande clássico, mas confiamos muito nesse título. Depois disso, vamos por partes, competição por competição.

> CEARÁ UTILIZA MEME PARA ANUNCIAR PATROCINADOR

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