Nos Bastidores com Cláudio "Sexta-Feira": dedicação máxima e muita paixão em 19 anos de Fortaleza

Todas os sábados, às 9 horas da manhã, uma nova entrevista com um personagem dos bastidores do futebol

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Legenda: Cláudio "Sexta-Feira", no centro, ao lado do auxiliar Cícero (e) e de Fábio Marques, assessor de imprensa (d)
Foto: Xandy Rodrigues

Como já informado anteriormente, começou na última segunda-feira (13) uma nova programação de conteúdo aqui na Coluna. Todos os dias, de segunda à segunda, pontualmente às 9 horas da manhã, haverá um post com um tipo de conteúdo diferente. Serão alguns "quadros" novos.

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O sexto deles é o quadro Nos Bastidores. Todas os sábados, trarei aqui entrevistas exclusivas com personagens dos bastidores do futebol, que são "invisíveis" aos olhares do público, mas realizam papel importante "por trás dos holofotes" e têm muitas histórias.

O primeiro personagem é o mordomo Cláudio "Sexta-Feira", do Fortaleza. Com 19 anos de clube, o "sexta", como é conhecido, é o primeiro a chegar e o último a sair do CT. É ele o responsável por arrumar toda a logística do vestiário, com os detalhes de rouparia dos atletas e membros da comissão técnica do Tricolor. Ao lado do companheiro Cícero, tem missão fundamental para deixar tudo "nos trinques".

Além disso, é muito requisitado por todos os atletas. Determinado jogador precisou de alguma coisa? Chama o "Sexta" que ele resolve. Por isso se dá bem com todos. E também pela resenha, que não pode faltar nos vestiários.

Cearense de Fortaleza, mas com família de Maranguape, o pai do Nardiê (24 anos) e do Cláudio Filho (7 anos) tem orgulho de dizer o quanto o Tricolor do Pici representa em sua trajetória: "o Fortaleza é minha vida. Eu vivo mais no Fortaleza que na minha casa".

- Como você foi parar no Fortaleza?

Cheguei no Fortaleza em 2001, há 19 anos. Saí do Uniclinic e o Marcelo Vilar me levou pro Roma de Apucarana, time do Paraná. De lá, fui pro Osasco, de São Paulo. O Jurandir Júnior (executivo de futebol do Fortaleza na época) me ligou e chamou para vir pro Fortaleza. O presidente do Osasco gostava de mim e queria dobrar meu salário pra eu ficar, mas eu quis vir embora pro Fortaleza.

- Como é sua rotina no dia a dia?

Eu sou o primeiro que chega e o último que sai do clube. Trabalho de domingo a domingo. As folgas dependem da programação. Às vezes passo a semana toda trabalhando. Se o time joga sábado, e domingo é folga, eu não tô de folga, porque tem que vir pro clube organizar as coisas. Se tem alguém machucado, tenho que vir dar o suporte...

- O trabalho mudou muito após a quarentena?

Mudou muita coisa. O material dos jogadores agora tá com eles. Eles levam pra casa, pra lavar, já chegam com o material pronto, vão direto pro campo...nesse sentido, tô trabalhando menos, até. Porque o material de treinamento sempre foi todo comigo. Eu que recolho depois do treino, boto na lavanderia, ajeito tudo. Mas vou te falar, viu. É ruim porque os caras esquecem das coisas...toalha, calção, meia, e tem que repor. Aí dá é mais trabalho. E também tem que passar álcool em tudo. Chuteiras, uniformes, bolas...todo dia eu limpo tudo. A responsabilidade é grande.

- Com 19 anos de clube. como você vê a evolução do Fortaleza nos últimos anos?

Todos os presidentes que passaram colocaram um tijolo. Todos eles, desde 2001, quando eu cheguei aqui. Principalmente o Marcelo Paz, por como o clube cresceu, pagando tudo direntinho desde 2017, nunca atrasou. Isso é muito importante. O Fortaleza cresceu muito. Com a vinda do Rogério pra cá, o clube cresceu ainda mais, porque ele queria uma estrutura igual ao que tem no São Paulo, e isso foi importante. Não se compara a estrutura do Fortaleza, hoje, com a de antes. Tanto Pici como CT Ribamar Bezerra. Algumas coisas têm que melhorar, mas hoje tem estrutura de Série A. Tá no rumo.

- Qual a importância do Rogério Ceni pra isso? E como é a relação com ele.

Quanto mais ele ficar, mais vamos nos estruturar. Rogério já pensa em tudo. No time, mas também na estrutura física. Ele é um cara muito exigente, que é o certo. Treinador tem que ser exigente mesmo. Se der mole, os caras deitam. Ele é um cara gente boa, mas na hora do trabalho, é seriedade. A gente agradece muito a ele.

- Tem alguma resenha que seja marcante?

Rapaz, tem muitas. Mas tem uma resenha boa. Em 2003, do Ronaldo Angelim. A gente tava no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pra jogar com o Flamengo. E o Angelim não tinha o menor jeito de jogador. E vieram uns quatro 'meninozinhos' perguntando pra mim: "ei, tio, quem é o roupeiro? Quem é o roupeiro?". Eu tinha cara de jogador, pô. E eu apontei pro Angelim. Os meninos correram pra cima dele chamando ele de roupeiro e pedindo camisa, ele levou um susto, disse que não era roupeiro, era jogador, e ninguém acreditou nele, porque não tinha o menor jeito. Achavam que o jogador era eu, e não ele. Todo mundo morreu de rir. E o melhor é que ganhamos do Flamengo de 2 a 0, com dois gols do Vinícius.

- O que o Fortaleza representa pra você?

O Fortaleza é minha vida. Eu vivo mais no Fortaleza que na minha casa. Em casa, eu só chego pra dormir. É como se fosse uma família. Eu estava com saudades de trabalhar aqui, nesse período, e ainda não estamos com todos, mas espero que tudo volte ao normal logo.