Discretos, Vina e Jorginho não se firmam e Guto busca melhor encaixe no setor de criação do Ceará

Hoje, o sistema ofensivo do Ceará depende muito de Lima, que tem sido a principal referência do meio para frente. Mas o camisa 45 precisa de companhia. Vina e Jorginho precisam melhorar

Vina e Jorginho com a camisa do Ceará em comemoração de gol
Legenda: Vina e Jorginho disputam vaga no meio de campo do Ceará
Foto: Thiago Gadelha e Kid Jr

O grande nome do Ceará na última temporada, indiscutivelmente (e com méritos), foi o meia Vina. Com gols e assistências, o camisa 29 se destacou demais e fez o grande ano da carreira. Em 2021, porém, não tem conseguido repetir ou mesmo chegar perto deste desempenho. E o meia Jorginho, que é o concorrente direto, ainda não engrenou. Fato é que os dois não se firmaram até aqui, e o técnico Guto Ferreira ainda busca o melhor encaixe no setor de criação do Ceará.

Tanto Vina como Jorginho já fizeram bons jogos nesta temporada, mas o ponto é: nenhum deles consolidou uma sequência duradoura de regularidade. Há muita oscilação. E isso não é culpa do treinador. Os jogadores que precisam dar uma resposta mais positiva dentro de campo.

Números

No Campeonato Brasileiro, Vina participou de 14 jogos, sendo seis como titular, totalizando 686 minutos em campo. Marcou apenas um gol e tem uma assistência. É muito pouco para o meia que esteve na seleção do Brasileirão 2020.

Jorginho, que tem 13 partidas, sendo 10 começando desde o início, tem mais minutos em campo, com um total de 773, e participou mais de gols do time, marcando duas vezes e garantindo duas assistências.

Os números não são expressivos e mostram como os dois têm sido, de fato, discretos. As participações de ambos nos jogos não é tão efetiva como poderia ser, e não há muita inspiração ofensiva de quem fica encarregado por articular as jogadas pelo meio de campo, sendo o elo de conexão entre defesa e ataque.

Para o modelo de jogo do técnico Guto Ferreira funcionar, é essencial que haja encaixe entre os jogadores de velocidade, que atuam pelos lados do campo, com o meia centralizado e o centroavante, mais adiantado.

Em 2020, havia esse encaixe, e coletivamente o quarteto ofensivo era decisivo, com uma individualidade se sobressaindo ainda mais (Vina).

Lima em evidência

Legenda: Lima é um dos principais jogadores do Ceará na temporada 2021 e responsável por várias chances criadas
Foto: Kid Junior / SVM

O Ceará, hoje, é muito mais dependente de Lima, por exemplo. O camisa 45 é o principal articulador de frente, tem dois gols e quatro assistências na Série A (totalizando seis participações diretas em gols), é o jogador do Alvinegro que mais finaliza (com total de 28 chutes), e que por isso é mais caçado pelos adversários, sendo o que mais sofre faltas (30 até aqui).

Lima precisa de companhia para que o sistema ofensivo do Ceará possa ser mais agressivo e efetivo. E o técnico Guto Ferreira, que tem uma defesa muito bem equilibrada (a 3ª melhor da Série A), tem o desafio de ajustar esse ataque para que o Vovô possa melhorar ainda mais o aproveitamento ofensivo e, consequentemente, a campanha no Brasileirão.