Quando a emoção entra em campo, o bolso sai perdendo

Escrito por
Ana Alves animaconsultoria@yahoo.com.br
Legenda: Bruno Guimarães teve chance para abrir o placar, mas perdeu pênalti contra a Noruega
Foto: Mauro Pimentel / AFP

A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo surpreendeu boa parte dos torcedores. Em um jogo decidido pela eficiência e pela disciplina tática dos noruegueses, a Seleção Brasileira voltou para casa mais cedo, enquanto a Noruega alcançou um feito histórico ao avançar na competição.

Mas, para muitos brasileiros, a derrota pode deixar outra marca que vai além do futebol: a ressaca financeira.

Toda Copa do Mundo desperta emoções intensas. Antes do apito inicial, cresce a empolgação. Compram-se camisas, organizam-se confraternizações, aumentam os pedidos de delivery, as compras de bebidas, as apostas esportivas e, em alguns casos, até televisores novos, pacotes de viagem e gastos parcelados no cartão. Enquanto a expectativa aumenta, o planejamento costuma diminuir.

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O problema é que o entusiasmo passa, mas as parcelas permanecem. Quando a eliminação chega — como aconteceu agora — a euforia dá lugar à frustração. E é justamente nesse momento que muitas famílias percebem que o impacto financeiro do torneio continuará sendo sentido por meses.

Torcer nunca foi, nem deve ser, um problema. O risco aparece quando a emoção assume o controle das decisões financeiras. O cérebro humano tende a supervalorizar o momento presente, especialmente em situações de grande envolvimento emocional. É o mesmo mecanismo que leva alguém a acreditar que "essa compra vale a pena" ou que "essa aposta tem grandes chances de dar certo", mesmo quando o orçamento já está comprometido.

A lição que veio da Noruega

O resultado dentro de campo também oferece uma reflexão interessante para a vida financeira.

O Brasil entrou na competição carregando tradição, talento e o peso de cinco títulos mundiais. A Noruega, por sua vez, chegou sem o mesmo histórico de favoritismo, mas apresentou organização, estratégia, disciplina e capacidade de executar seu plano de jogo com eficiência. Foi isso que fez a diferença.

Com o dinheiro acontece exatamente o mesmo.

Ter uma boa renda ajuda, mas não garante tranquilidade financeira. Da mesma forma, heranças, bônus, lucros elevados ou grandes oportunidades podem desaparecer rapidamente quando falta planejamento. Em compensação, quem controla gastos, cria uma reserva de emergência, investe regularmente e evita decisões impulsivas costuma construir patrimônio de forma consistente, mesmo começando com menos recursos.

Copa passa, boletos ficam

Nas finanças pessoais, disciplina quase sempre vence impulso. Estratégia costuma superar improviso. E paciência, na maioria das vezes, rende mais do que pressa.

A Copa termina para uma seleção em um único jogo. Já a vida financeira continua na segunda-feira, quando chegam a fatura do cartão, o boleto do financiamento e as despesas do mês.

Vale, portanto, aproveitar a emoção que o esporte proporciona, celebrar as vitórias, aceitar as derrotas e lembrar que a melhor torcida que podemos fazer é pela nossa própria saúde financeira.

Fica um desafio: antes da próxima grande decisão esportiva, faça uma conta simples.

Some quanto pretende gastar para assistir ao jogo e pergunte a si mesmo: se minha equipe for eliminada amanhã, ainda vou considerar que esse gasto fez sentido? Se a resposta for "não", talvez seja hora de mudar a estratégia.

Afinal, no futebol e nas finanças, quem se organiza melhor costuma chegar mais longe.

Pensem nisso! Até a próxima.

Ana Alves- @anima.consult

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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