Fortaleza e Carpini precisam entender que não há desculpa para um rendimento tão ruim
O time tricolor foi vaiado ao empatar em 1 a 1 com o Iguatu
A sensação é de que todos os jogos do Fortaleza são iguais. Ao refletir sobre o início de 2026, o sentimento é de que a performance não mudou, a equipe não evoluiu. Contra o Iguatu, o técnico Thiago Carpini exaltou as 31 finalizações que o time conseguiu, mas lembremos aqui que do outro lado tinha um abismo técnico contra um adversário que passou mais de uma hora com um a menos em campo após expulsão do zagueiro Diguinho neste sábado (31), no estádio Presidente Vargas.
Por isso, o empate em 1 a 1 é um resultado ruim. O volume era uma “obrigação” e não foi positivo - faltou eficiência. E não dá para colocar a culpa na arbitragem ou no “antijogo”, como fez o treinador.
No momento, o maior problema do Fortaleza é a performance. É um começo de temporada, as condições técnicas e físicas ainda não são as ideais, mas nem isso justifica o baixíssimo nível apresentado em jogos contra Iguatu, Floresta, Maracanã e Horizonte, por exemplo. O Leão está invicto através de muitas vitórias protocolares e se aproveitando do nível ruim do torneio estadual.
Por isso, as vaias da arquibancada eram naturais ao fim do jogo. Quem chegou hoje no clube pode não entender, afinal de contas, o time está invicto. No entanto, o torcedor lembra dos sinais que 2025 deixou, se transformando depois em uma verdadeira catástrofe. Para quem tanto sofreu, é inconcebível pedir paciência e esquecer do passado, que ainda nem cicatrizou. Na verdade, o exercício é de reconquista da credibilidade e confiança, e isso só será possível com um melhor futebol. Dito isso, o principal desafio tricolor já se aproxima: o Clássico-Rei, domingo (8), às 18h30.
Thiago Carpini é culpado?
É fato que o resultado no Clássico-Rei pode aumentar ou aliviar a pressão em Thiago Carpini, mas o tom acima na coletiva já é um retrato da autodefesa do trabalho e do incômodo com as cobranças. De fora, parece que o treinador sabe sobre todos os pontos ruins, mas escolheu defender o elenco.
Uma atitude normal no futebol. O peso maior fica nas entrelinhas, em momentos como: explicando a escolha pelo 3-4-3 devido à falta de um único lateral-esquerdo no elenco, ou reiterando que existe um baixo nível individual no plantel, não é apenas culpa da plataforma tática, além de pontuar novamente sobre alta dificuldade que o clube atravessa no mercado ao não conseguir mais reforços.
O começo de trabalho então é extremamente prejudicado pelo contexto, e Carpini se torna um refém de 2025, que parece nunca acabar no Pici. Todavia, se o mesmo optou por aceitar esse desafio, precisa ser responsabilizado pelo desempenho e trabalhar para encontrar novas soluções na equipe.