Entenda a estratégia inicial de mercado do CEO Pedro Martins no Fortaleza

O clube acertou a saída de 15 atletas e deve promover mais negociações

Escrito por
Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
(Atualizado às 09:52)
Legenda: Pedro Martins é o atual CEO do Fortaleza
Foto: Mateus Lotif / Fortaleza

O Fortaleza Esporte Clube atravessa um momento de reconstrução institucional e de elenco em 2026. O rebaixamento à Série B reforçou a necessidade de mudança, com uma nova construção de perfil de time e projeto esportivo liderado pelo CEO Pedro Martins com o novo departamento de futebol. E apesar das poucas aparições, o dirigente assumiu um papel crucial no reequilíbrio financeiro do time.

Internamente, a missão de Pedro era extremamente difícil logo na chegada: reduzir uma folha salarial mensal de R$ 12 milhões para patamar próximo de R$ 5 milhões. Com um grupo de jogadores de quase 40 atletas, o mandatário já conseguiu remanejar 15 nomes no mercado, abrindo espaço e impedindo que a equipe se inviabilize no quesito econômico. E a medida não era simples.

Isso porque a projeção orçamentária atual prevê uma receita de R$ 65 milhões com vendas de ativos, mas a maioria das saídas foram por rescisão contratual, ou seja, sem pagamento imediato. A exceção de momento foi a negociação de Breno Lopes com o Coritiba, no valor de R$ 15 milhões, deixando R$ 7,5 milhões com o clube cearense, devido à divisão de direitos econômicos de 50% com o Palmeiras. Há expectativa também da oficialização da saída do argentino José Herrera ao Bragantino, em venda.

Logo, como definir a estratégia como positiva? A alternativa é emergencial e muito importante, pois é a única que permite, hoje, que o clube atinja uma folha mensal que possa ser quitada mensalmente. Sem novas fontes de renda, não enxugar a folha poderia significar um custo impraticável ao fim do mês, o que acarretaria novas sanções aos jogadores. Por isso, a tendência é ainda de novas saídas.

Sem espaço sob o comando de Thiago Carpini e com altos custos, peças como o lateral-esquerdo Diogo Barbosa e o atacante Deyverson também devem deixar o Pici nas próximas semanas, em um movimento liderado pela nova gestão do departamento de futebol, que negocia cada um dos casos.

Novo perfil de contratação

Apesar de uma postura mais radical na janela, internamente, o discurso é de que as medidas visam reconectar o clube com a própria essência dos últimos anos, a identidade operacional que permitiu o sucesso nacional recente. Assim, o novo CEO e o grupo de trabalho não atuam necessariamente para mudar o cerne da instituição, mas recuperar o caminho tricolor, transformando tudo em cultura.

Um exemplo é o perfil das últimas contrações. Até o momento, o Fortaleza acertou a chegada de quatro atletas, todos com passagem pela Série B e baixa faixa etária: zagueiro Luan Freitas (24); o lateral-direito Mailton (27); e os volantes Ronald (22) e Ryan (22). A média de idade é de 23,7 anos.

Mailton em ação pelo Fortaleza
Legenda: Mailton participou dos três primeiros jogos do Fortaleza na atual temporada
Foto: Leonardo Moreira / Fortaleza

O objetivo então é rejuvenescer o plantel e mapear mais talentos, sem investir em medalhões, para um grupo jovem e competitivo. Os custos também são baixos, com apenas Luan Freitas sendo uma peça em definitivo, enquanto os demais são com vínculos de empréstimo.

Com menor poder de “barganha” devido ao cenário financeiro atual, uma das tarefas é extrair um cenário positivo nas operações apesar da necessidade das saídas. O maior exemplo é o empréstimo do volante Matheus Pereira ao Corinthians, que interessada ao time paulista, mas foi liberado com o pagamento de R$ 1,8 milhão e do salário integral do meio-campo, além da chegada via empréstimo de uma peça para o mesmo setor e mais barata: Ryan.

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